27.05.2016 / Moda / por

Com sotaque internacional e pegada artsy, multimarcas Frey Kalioubi vira celeiro da nova moda do Rio

Produções do lookbook feito pela Frey com peças de jovens marcas cariocas vendidas na loja, como Muggia, Beira, Luiza Marcier, Haight Clothing e Maíra Senise ©Montagem
Produções do lookbook feito pela Frey com peças de jovens marcas cariocas vendidas na loja, como Muggia, Beira, Luiza Marcier, Haight Clothing e Maíra Senise ©Montagem

Frey Kalioubi, já foi lá? Se você é carioca (ou viaja bastante para o Rio) e além de fashionista frequenta a cena artística da cidade, provavelmente sim. Porque a multimarcas do alemão de pai egípcio Amran Frey parece ter uma proposta que olha para a moda de um jeito mais abrangente, para além da tendência do streetwear minimalista apurado super em alta e que é o foco de sua curadoria. “A gente tem um público muito ligado às artes visuais e outras áreas criativas. Trabalhei com arte em Nova York, Berlim e no Cairo. Quando vim para o Brasil fiz amizades nesse meio, que hoje também são meus clientes”, conta Amran.

Aos 28 anos, formado em direito em Berlim, o empresário pensou em ingressar no mercado artístico antes de abrir a Frey Kalioubi em julho do ano passado. Ainda na época da faculdade, fez estágios em galerias, mas acabou enveredando para a moda, área com a qual teve contato por meio da família da mãe, dona de lojas de departamento na região alemã da Bavária. “Nunca trabalhei oficialmente na empresa, mas tenho essa experiência de varejo por ter acompanhado os negócios ao longo dos anos, visitado showroons, fornecedores.”

A multimarcas Frey Kalioubi, que fica no segundo andar de um sobrado dos anos 20, na Praça Tiradentes (RJ) ©Cortesia
A multimarcas Frey Kalioubi, que fica no segundo andar de um sobrado dos anos 20, na Praça Tiradentes (RJ) ©Cortesia

Na curadoria das peças, Amran mistura a intuição ao seu repertório eclético. “Faço a seleção pessoalmente e me guio muito pelo meu gosto, com predileção por cortes simples, materiais de alta qualidade, design clean. Juntar as marcas cariocas com esse perfil num só lugar era algo que faltava na cidade”, acredita Amran, que hoje conta com 15 grifes no portfólio. Ele se mudou para o Rio há dois anos, depois de idas e vindas desde que visitou a cidade pela primeira vez, em 2011.

Aberta há menos de um ano, a Frey Kalioubi já conseguiu se tornar referência como representante do que há de mais interessante na nova safra de moda carioca. Marcas como Muggia, projeto paralelo de Juliana Suassuna, estilista da Osklen, Beira, Haight  Clothing, 9klor, Maíra Senise e Luiza Marcier (ex-dona da A Colecionadora, com quem Amran fez parceria logo que chegou ao Brasil) conseguem mesclar essa ideia de descomplicação elegante vinda do lifestyle carioca com shapes e/ou estampas orgânicas que remetem à natureza da cidade aliados a um design contemporâneo cool sem deixar de lado, na maioria dos casos, uma sensualidade latente, porém não óbvia. É como se fosse o estágio seguinte do desenvolvimento da moda carioca cunhada num passado recente por grifes como Mara Mac, Lenny, Maria Bonita e a própria Osklen.

Fora do circuito Leblon-Ipanema, a Frey fica no centro do Rio, outra decisão vanguardista, já que, ao contrário de São Paulo, a região central carioca ainda não tem um número considerável de moradores jovens alternativos de classe média alta (sim, porque os preços das roupas não são baixos, o que acaba fazendo com que a maior parte da clientela tenha uma faixa etária mais alta, a partir de 35 anos) e nem um boom de novas lojas e restaurantes. “Mas tem uma concentração de programas culturais muito próximos, o que não vi em nenhum outro lugar da cidade”, diz Amran, referindo-se ao Studio X, à Universidade de Arquitetura de Columbia, à galeria Gentil Carioca, de Ernesto Neto, e o Centro Hélio Oiticica todos próximos da multimarcas, que fica no segundo andar de um sobrado reformado dos anos 20 na Praça Tiradentes.

Embora o foco de fato seja a moda, a intersecção com arte e design acontece por meio dos eventos e exposições, além da venda de alguns objetos como as luminárias e cadeiras de Andrew de Freitas, artista neo-zelandês que também assina instalações que fazem parte da concepção visual da loja. Há também livros das editoras Cobogó e da alemã Bom Dia Boa Tarde Boa Noite. Neste sábado (28) acontece o evento de lançamento da mostra do austríaco Martin Ogolter que, a convite da Frey Kalioubi, fez uma edição especial de fotografias impressas em papel Lokta do Nepal, um dos mais antigos e resistentes do mundo.

Frey Kalioubi
Endereço: Praça Tiradentes, 73, 2º andar, Centro, Rio de Janeiro
Funcionamento: de segunda a sábado, das 11h às 19h. Neste sábado (28), também das 18h às 22h, para o lançamento da exposição de fotografias de Martin Ogolter freykalioubi.com.br


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