10.05.2019 / Moda / por

Com Tom Ford como novo presidente do CFDA, semana de moda de Nova York passa por mudanças

Desfile de Inverno 2019 de Marc Jacobs / Reprodução
Desfile de Inverno 2019 de Marc Jacobs / Reprodução

A semana de moda de Nova York entra em uma nova era. Uma grande movimentação está ocorrendo com a nomeação de Tom Ford para o cargo de presidente do CFDA, substituindo Diane Von Furstenberg após 13 anos no cargo.

Tudo indica que é o começo de uma nova era para a moda americana. Tom Ford começa a trabalhar oficialmente em junho, mas mudanças na estrutura da semana de moda já vão acontecer a partir da próxima temporada, em setembro. “Quando eu cheguei, eles precisavam de uma mãe. Agora, precisam de um estadista”, disse Diane. “Tom é um estilista que todos respeitam e admiram, além de ser uma pessoa global que ajudou a construir grandes empresas”.

Faz tempo que a indústria comenta que Nova York vem perdendo em substância e seus sete dias e oito noites de desfiles já não atraem tanto interesse do público especializado. Marcas grandes que antes eram o motor da semana deixaram de desfilar ou estão em momento de reestruturação, como é o caso de Donna Karan e Calvin Klein, respectivamente. Grifes já estabelecidas e com um ótimo trabalho de criação x produto, como Proenza Schouler e Rodarte, estão buscando outros cenários e chegaram a desfilar em Paris por algumas temporadas. E há também os novos nomes que estão trazendo energia para a moda americana, como Pyer Moss e Telfar. Por fim, tem dezenas de outras que ficam no meio do caminho e não recebem a validação da indústria tampouco atraem a atenção da mídia ou de compradores internacionais.

A partir de setembro, a semana passa a ter cinco dias (6 a 11.09), o que significa que o calendário será mais enxuto e algumas marcas irão cair. Serão favorecidas as que têm ou almejam um negócio global. De acordo com Steven Kolb, CEO do CFDA, eles irão priorizar talento, criatividade e ter em mente um calendário internacional e não local. “Há muitas marcas contemporâneas relevantes que são internacionais e farão parte da programação, mas há outras marcas contemporâneas e de streetwear que não têm uma presença internacional e que não precisa fazer parte do calendário, e elas serão as mais impactadas”, disse Kolb ao BoF.

As marcas que saírem da semana de moda ainda terão o apoio do órgão, mas é não é fácil fazer um trabalho eficiente com todas. “Às vezes é difícil atender aos designers além da semana de moda de uma maneira que seja satisfatória. Nem todos conseguem uma grande colaboração, um grande patrocinador ou aparecer em ensaios… Fazemos muito para atende-los, pelo menos uma vez por mês temos uma programação sobre desenvolvimento de negócios aberta a todos os membros. Mas para o grupo de designers que muitas vezes não são validados pela indústria, é difícil fazer essa validação acontecer”. 

Em uma entrevista em março, Tom Ford disse: “voltando da Europa, o que é impressionante para mim é o isolamento que sinto aqui. Sinto que a América é um dos países mais isolados do mundo. Estamos olhando muito para dentro. O que a moda americana precisa para se tornar mais relevante no mundo é pensar em si mesma não apenas como americana, mas como internacional”. 

Essa fala mostra o direcionamento de curadoria que deve modificar o calendário e a proposta da semana de moda de Nova York. Uma programação mais editada é precisamente o que Kolb e Ford estão buscando, com a esperança de que atender ao público internacional ajudará a impulsionar marcas americanas para o cenário global.

 


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