24.08.2018 / Moda / por

Conheça a House of Malakai, marca de joias e headdresses usada por Beyoncé, Rihanna e FKA Twigs

Beyoncé veste coroa e joias da House of Malakai na abertura de seu show no segundo final de semana do Coachella 18 © Reprodução
Beyoncé veste coroa e joias da House of Malakai na abertura de seu show no segundo final de semana do Coachella 18 © Reprodução

Por Guilherme Meneghetti

Você pode não saber seu nome, mas com certeza já viu as jóias da House of Malakai “pipocando” em suas redes sociais. A exemplo do primeiro look que Beyoncé usou em seu show épico no segundo final de semana do Coachella deste ano – ou seria Beychella? -, inspirado na rainha Nefertiti, cuja coroa e jóias foram assinadas por Malakai. Foi ele também quem fez a coroa e todas as jóias usadas pela cantora em sua performance no Grammy de 2017, além de peças para a atual turnê ao lado de Jay-Z, On The Run II, sua anterior solo, The Formation World Tour (2016), e do clipe Don’t Hurt Yourself, do álbum Lemonade (2016). E Beyoncé não foi a única: além dela, Rihanna, Erykah Badu, FKA Twigs, Nicki Minaj, Katy Perry – a lista segue – já usaram suas jóias e headdresses. Do mainstream à moda, o designer também fez os chapéus desfilados em Paris para o Inverno 18 de Rick Owens, e suas peças já foram vistas em editoriais de revistas como Vogue, Dazed, W e outras.

Malakai é autodidata e multi-hifenizado: artista multidisciplinar, diretor artístico, stylist, modelo e estilista. Cresceu no sul da Califórnia e, aos 13 anos, conheceu a cena gótica e punk. Foi ali que teve a primeira sensação de pertencimento e, seguindo a cartilha DIY, ele mesmo fazia seus looks, da costura à maquiagem. Nos anos 1990, em sua adolescência, mudou-se para São Francisco e um novo mundo foi surgindo: conheceu gente intrépida e criativa que tinha pensamento semelhante ao seu, entrou em contato com a arte performática e com o universo dos DJs, quando começou a atuar em ambas as cenas: tocar e fazer performances.

Malakai ©Frederic Caranda / Reprodução
Malakai © Frederic Caranda / Reprodução

Não demorou muito para suas apresentações chegarem ao Cirque du Solei, aos festivais Burning Man e Coachella, ao club de fetiche Torture Garden, em Londres, e em shows da banda de metal Jane’s Addiction, apenas para citar alguns. “Eu reúno diferentes meios como dança e travestismo junto com animações de fogo e flores”, ele descreve suas performances à revista Numéro, que geralmente são influenciadas por subculturas tais como gótico, punk, hippie e afins, adicionando ainda uma dimensão ritualística e tribal. “Em geral, é muito visual – muitas vezes uso asas de fogo, por exemplo”.

Claro, ele mesmo criava o figurino de suas apresentações, incluindo os headdresses. As pessoas viam, perguntavam e pediam. Daí surgiu a vontade de criar uma coleção de roupas; a ideia era criar peças com grande impacto visual. Porém, ao invés das roupas, ele optou pelo head wear, e assim começou a fazer peças sob medida. No meio do caminho, Malakai conheceu um grupo de artesãos de Bali, na Indonésia, o que o fez amadurecer sua ideia e aperfeiçoar ainda mais sua habilidade manual. “Comecei a ir para Bali apenas para explorar o local, e lá tive a oportunidade de trabalhar com algumas pessoas. Senti uma sinergia com o nível de habilidade dos artesãos. Sua dedicação à arte é incrível, eles são absolutamente habilidosos e trabalham duro”, conta à Vogue US. “E isso me levou a fazer joias e headpieces mais esculturais”. Foi quando, em 2013, ele abriu o primeiro ateliê em Bali e assim surgia a House of Malakai, marca que enxerga como um veículo para compartilhar sua visão criativa e diversa em consonância à sua trajetória.

Rick Owens, Inverno 18 © Reprodução
Rick Owens, Inverno 18 © Reprodução

Isto é, sua visão criativa carrega muito da estética de suas performances, o que ecoa na criação das joias. Adicione aí influências vindas da alta moda, da ciência, dos movimentos underground, da arqueologia e dos guerrilheiros de tempos longínquos. O resultado são peças que evocam uma vibe tribal e mística. Uma frase em seu site define bem suas criações: “Seu trabalho transcende nosso tempo – uma lembrança familiar de algo que nunca vimos antes”. Ele explica: “A cultura tribal compartilha uma energia muito ligada à natureza e se baseia na espiritualidade. O misticismo, os mitos e o sobrenatural fazem parte do meu mundo: frequentemente uso matérias-primas naturais e simbólicas, como ossos, penas, pedras e cristais”.

Malakai postou a primeira peça que criou no Instagram, o feedback foi positivo, e então as coisas foram acontencendo organicamente. Em geral, os stylists que trabalham com publicidade, música ou moda em específico, sempre exploram diferentes cenas, sobretudo a underground, para buscar referências e inspirações. Não foi diferente com Malakai. Logo no começo da marca, uma stylist que trabalhou com Beyoncé na campanha de sua colab com a H&M para o verão 2013 descobriu as peças e entrou em contato (assista ao vídeo aqui). Beyoncé usou e o resto a história conta. Hoje Malakai continua baseado em Bali, porém divide seu tempo entre São Francisco, Berlim e a ilha na Indonésia.

Rihanna © Reprodução
Rihanna © Reprodução

O fato de diversos artistas escolherem suas peças, ele atribui ao seu background na arte performática, por poder entender suas necessidades. “É uma oportunidade para criar uma mensagem. Em suas performances, os artistas assumem grandes riscos e estão dispostos a sair da caixa. É um espaço para quebrar limites e evoluir, vivendo sua fantasia e abrindo a mente de outras pessoas. Sou abençoado por fazer parte de alguns momentos históricos”, conta. E trabalhar com esses músicos, especialmente em turnês, é algo que Malakai gosta e não pretende parar tão cedo. Aliás, novas colaborações estão entre seus planos para o futuro. Segundo ele, elas permitem ir, criativamente, a lugares diferentes e te mantém longe do marasmo. Outra coisa que ele pensa para daqui pra frente é trazer instalações e performances artísticas para sua marca bem como desenvolver coleções completas, de roupas a desfiles e apresentações.

O que ele aconselharia a novos designers? “Engaje-se no seu trabalho, esforce-se para aprender novas coisas, esse é o caminho. Conquistas estão conectadas à auto-estima, não tenha medo de errar, mesmo em público. Somos todos capazes de muitas coisas. Una sua paixão com disciplina e dedicação. Não deixe o medo tomar conta de você!”.

 


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