20.08.2018 / Moda / por

Conheça Felipe Matayoshi e sua Pace Company, nova marca brasileira de streetwear

Jaqueta em tyvek da Pace Company / Vitor
Jaqueta em tyvek da Pace Company / Vitor

 A Pace Company não tem nem um ano e já está causando bons ruídos na cena streetwear brasileira. A recente história da marca mostra os caminhos que às vezes tomamos sem saber o que nos aguarda lá na frente. As dúvidas e dificuldades que surgem são nada mais que tijolo e cimento para a construção de algo maior e mais sólido.

Fundador da Pace, Felipe Matayoshi estudou moda por dois anos e meio, trocou por Administração (está recém formado) e passou por agências de propaganda e até pela área de construção civil, mas dois canais sempre o mantiveram conectados à moda: sua mãe, que tinha uma oficina que costurava para Forum, Triton e Iódice; e sua paixão por sneakers.

Na época do cursinho, Felipe começou a produzir umas camisetas para vender. Ele bolava o modelo, a mãe costurava. “Não tinha marca, não tinha logo, nada. As pessoas compravam do ‘Felipe do cursinho’”, lembra o designer em um papo pelo telefone.

Em 2013 ocorreu a primeira grande mudança em sua vida profissional: em uma viagem a Nova York, ele presenciou o boom dos sneakers e voltou com alguns pares. Por onde andava, perguntavam onde ele tinha comprado aquele modelo. Felipe percebeu um gap no mercado brasileiro, vendeu sua coleção de tênis e, com o dinheiro, montou uma marca de sneakers chamada Bang. “Não sabia nada sobre o assunto, absolutamente nada. Peguei quatro folhas sulfites e fiquei anotando as fábricas que tinham em Franca e no Sul. Falei com uma por uma, todas disseram não”.

Até que um dia, através de uma indicação, achou uma fábrica parceira em Franca e fez um protótipo de três modelos que ele mesmo criou. Ficou três meses trabalhando lá num esquema faculdade – ônibus noturno – Franca – ônibus – faculdade. “Foi um período em que aprendi um pouco sobre tênis, modelagem e a ter ideias que eram viáveis e não mirabolantes e impossíveis”. Mas – primeiro golpe – Felipe descobriu que a fábrica havia copiado seus modelos e os lançado em grande escala.

Seguiu em frente, continuou com a Bang, levando 50% da manufatura para uma mesa na sua casa, os outros 50% em uma nova fábrica. E chegou a um ponto em que não conseguia produzir mais nada em São Paulo. “Queria fazer uma sola diferente, não dava. Uma junção com materiais diferentes, não dava. Também passei a desgostar do nome Bang. Parei tudo e fiz a transição da marca”.

Felipe escolheu o nome Pace (ritmo em inglês) e passou oito meses trabalhando no planejamento, desenvolvimento de coleção e site novo. Quando voltou a Franca para a produção dos tênis, já conhecia os termos técnicos e passou mais segurança aos fabricantes.

E assim, em dezembro de 2017, a Pace se lançou no mercado com sua linha de acessórios: sneaker, mochila, shoulder bag, chaveiros e porta cartão. Felipe se posiciona como um cara de produto. “Não sou um super designer, mas me dá algo pra fazer que eu consigo”. Foi dentro da fábrica e em contato com os materiais que ele desenvolveu seu lado criativo e, por consequência, a estética da Pace. “Pegamos modelagens clássicas, como calça de alfaiataria e jaqueta bomber, e adaptamos pro contemporâneo, com o que há de novo em termos de material”. Um dos exemplos é a bomber feita em tyvek (uma das peças mais legais) e uma jaqueta corta ventos feita em tecido hidro repelente e que ganhou camadas duplas e uma camada interna que funciona como colete. “Quero que a roupa da Pace abrace o homem em geral. Não quis ficar só nessa coisa de camisetas e track pants, peças que são puramente trendy.

Pace Company / Cortesia
Pace Company / Vitor Pickersgill

A coleção atual foi divida em três partes: a primeira é a do vestuário; a segunda, para setembro, traz acessórios como mochila, mini bags, cartucheira e chaveiros novos. A terceira lançará um modelo exclusivo de tênis em parceria com a Vibra, um fabricante italiano de sola, com apenas 19 pares numerados.

A Pace é mais uma marca a integrar o mercado pulsante e crescente do streetwear brasileiro, juntando-se a grifes como Class, High Company e CZO, esta última da multimarcas Cartel 011, que tem concentrado a nata do streetwear nacional. “Estou vendo no Brasil algo que não imaginei que poderia acontecer. Nos anos 2000, quando a Supreme bombou no Japão e nos EUA, eu já via as filas pra comprar tênis. Não achei que chegaria aqui, mas a molecada madruga nas filas do Cartel e da Guadalupe. O mercado está aquecido e São Paulo tem tudo pra virar uma capital de marcas bacanas”.

Quase encerrando nossa conversa Felipe volta um pouco no tempo para me contar uma coisa considerável. Na transição de Bang para Pace, uma pessoa importante entrou na história: a economista Juliana Del Popolo, então noiva de Felipe, virou sócia para cuidar do financeiro. Eles estão juntos há oito anos e casaram-se ONTEM (19.08) ao som de Love on the Brain, de Rihanna. “Esses últimos seis meses foram uma loucura planejando o casamento, fazendo a coleção, pensando no lançamento na Cartel…”, diz Felipe com um pequeno alívio de missão cumprida. Dali a apenas dois dias, ele e Juliana se casariam, finalizando a última das três etapas.

Casados Part. 1 ‍♂️‍♂️♥️

A post shared by F E LI P E Matayoshi (@felipe_matayoshi) on

Ao menos por enquanto. Pelo ritmo das coisas, muito trabalho vem pela frente. “O mercado nacional precisa de marcas assim, de acesso a produtos bacanas. A gente não tem medo, vamos pra cima com o que queremos”. Must be love on the brain.


Relacionadas


Veja Também