Cuecas deixam de ser coadjuvantes para serem protagonistas

Da versão minimalista a samba canção, cuecas ganham mais espaço na moda

Há uma nova forma de usar underwear? Lá no início dos anos 1990, quando Calvin Klein lançou as cuecas com modelagem box arrematadas por elásticos que estampavam seu nome em letras garrafais, a moda se apropriava de mais um comportamento e, como consequência, aquela proposta de cueca se perpetuaria e se tornaria onipresente.

30 anos depois (!), a relação com a roupa de baixo foi se transformando, e modelos limitados a nichos e a subculturas foram se popularizand0, deixando de ser algo pontual (quem não se lembra das thongs criadas por Tom Ford e eternizadas no desfile de Inverno 1996 da Gucci?) para ser algo mais natural, disseminado e afastado da categoria de tabu.

As jockstraps, criadas em 1874 como um suporte e protetor para atletas, foram incorporadas ao vocabulário gay, que misturava elementos fetichistas do BDSM a determinados grupos durante os anos 1970 e 1980 – insira aqui nomes como Peter Berlin e Tom of Finland. Recentemente até ganharam versões deluxe assinadas por nomes como JW Anderson e Thom Browne.

 

Por aqui, o mercado que ainda estava preso a modelos repletos de logos, começa a ganhar aos poucos versões mais minimalistas. A Bannanna, conhecida pelo beachwear, lançou recentemente sua linha de underwear com interpretações que carregam uma modelagem vintage, mais próxima ao corpo, além de linhas pueris. E, de quebra, tem uma versão fio dental – proposta que deixa de ser limitada a um universo fetish-kinky para ser incorporada ao dia a dia.

A Ori Rio de Leo Neves foi outra etiqueta nacional a apostar nos modelos minimalistas, que focam muito mais no toque e nos materiais, do que na cueca como um objeto de status. A fórmula se repete na Singa, marca de Lucas Veríssimo, que conhecida por seus moletons, passou a investir em outras peças que complementassem a proposta de peças essenciais do guarda-roupa atual.

img_3891

cueca da bannanna

Se a lingerie de tempos em tempos se torna protagonista, as cuecas permaneceram em anonimato por um bom tempo… quer dizer, até a Miu Miu colocar em sua passarela shorts de seda e popeline, que remetiam às clássicas samba canção. A proposta virou uma macro tendência, que ganhou ainda mais força em um momento pós-pandemia, onde todos aderiram ao conforto e não querem abrir mão disso.

A Anacê, que tem Ana Clara Watanabe e Cecília Groman como diretoras-criativas, se tornou conhecida por suas peças que prezam pelo corte e caimento, de forma despretensiosa e contemporânea. Ao lançarem seus shorts, que também remetem ao underwear, conquistaram um best-seller que já ganhou diferentes cores, sem deixar a essência de lado.

Na última temporada de desfiles masculinos uma mensagem ficou bem clara: sai a montação e entram peças esportivas, funcionais e, repetindo, essenciais. Portanto, nada mais natural que a roupa de baixo deixe de ser uma coadjuvante para ser protagonista, mesmo que de uma forma sutil e levemente subversiva, em alguns casos.

cuecas da anacê
cuecas da anacê

Relacionadas


Veja Também

Assine a newsletter do FFW

Seja o primeiro a ter acesso a conteúdos exclusivos. Nós chegaremos ao seu email semanalmente quando tivermos algo realmente cool e relevante para dividir.

×