23.10.2018 / Moda / por

Em conversa com o FFW, Olivia Merquior fala sobre a curadoria do Projeto Estufa

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Por Marília Abib

Com curadoria de Olivia Merquior, os desfiles do Projeto Estufa, iniciativa do SPFW, começam nesta terça (23.10) trazendo um diálogo entre moda, design e sustentabilidade para o dia a dia da semana de moda.

A gente encontrou Olivia para um bate papo sobre o que norteou sua curadoria; leia abaixo:

O que permeou a curadoria dos desfiles do Projeto Estufa 2018?

Os criadores do projeto têm as diretrizes de novas maneiras de pensar moda no seu processo de criação. Essas maneiras agregam um pensamento mais consciente sobre o que é existir e como nossa existência impacta tudo ao nosso redor. A consciência pode ser política, ambiental, social, mas sempre reforça novas maneiras do vestir e criar. O Projeto Estufa pede isso, e essa curadoria privilegiou marcas com um discurso muito potente que se traduz em design, roupa, coleção. Marcas que falam sobre as mudanças emergenciais do nosso tempo.

Quais são as características necessárias para que uma marca faça parte dessa iniciativa?

As marcas oxigenam o mercado, que sufoca quando não existe esse tipo de pensamento estranho. Tal oxigenação é essencial, pois ela cria uma disruptura sobre o que é comercial, propondo o colorido, o volume, as proporções estranhas e o exagero. O estranhamento aumenta as possibilidades do vestir e chama atenção para uma preocupação que deve ser levada para a rua, para o nosso cotidiano, pensando na constante necessidade de questionar o mainstream.

O que você acha que as marcas selecionadas trazem de novo para o mercado?

Nos vestimos para comunicar valores, experiências passadas, presentes e o futuro que almejamos. O olhar singular desse grupo do Estufa nos abre caminhos para outras possibilidades de ‘ser’. Eles nos dão esperança de sermos mais singulares, autênticos, conscientes e, portanto, livres.

Como o design pode provocar novas reflexões no processo criativo de um estilista?

Percebe-se que o design traz novas maneiras de criar, de pensar a sustentabilidade em diferentes cores, volumes, proporções, texturas e opacidades. Possibilita interpretar emergências políticas, sociais, ambientais e passar isso para o consumidor.

Qual a relação entre design e moda?

Todas as marcas do Projeto Estufa têm compromisso com a qualidade alta, com peças muito bem feitas, nada é um truque. Quando criam o que criam, em vez de agradarem o mercado, eles nos libertam e validam novas formas de pensarmos o que vestimos. O design nos liberta de algumas amarras, do que deve ser hypado ou não, do que deve ser elegante ou não.

E, ao seu ver, como temos nos relacionado com a moda?

Quando pensamos em moda comercial, logo pensamos em uma camiseta preta. Quando pensamos em moda sustentável o que nos vem à cabeça é uma camiseta 100% algodão. Precisamos encarar a moda de forma mais única, permitir que o exagerado também seja comercial e sustentável. Agradar o mercado não é a ideia, como disse Margiela: “[A coleção] é para um pequeno grupo de mulheres, nem todos irão gostar. É importante fazer o que você quer, e sempre terá alguém que concorde”. Ou seja, as peças são para as poucas pessoas que terão empatia com o que é importante para as marcas e, claro, aliando-se à estética.


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