Hick Duarte lança calendário Xinã Bena em colaboração com aldeia indígena

Projeto nasceu com o objetivo de angariar recursos para a construção do Museu Inka Muru de Arte Huni Kuin, no Acre, e reúne fotos de Hick Duarte

Créditos: Hick Duarte/Aldeia São Joaquim
Créditos: Hick Duarte/Aldeia São Joaquim

O fotógrafo Hick Duarte fez a sua primeira visita à Aldeia São Joaquim em outubro de 2021 e assim que soube dos planos para a construção do Museu da aldeia, não parou de pensar em como poderia ajudar.  A Aldeia São Joaquim, localizada a 40 minutos do município de Jordão (AC), é habitada por 110 indígenas de 19 famílias da etnia Huni Kuin.

O pajé Itsairu Huni Kuin é uma de suas lideranças e, além de atuar como assessor de educação indígena em Jordão, trabalha na missão de criar e estabelecer um museu como equipamento para a preservação da cultura de seu povo e do legado de seu pai, Inka Muru. 

“Foi uma viagem transformadora, por toda a imersão cultural e jornada espiritual que ela me permitiu. Na volta, não conseguia parar de pensar no quão belo e importante é o sonho da construção de um museu local – e a ideia de utilizar as fotos que fiz como suporte para isso me pareceu um bom primeiro passo”, conta Hick Duarte. 

Créditos: Hick Duarte/Aldeia São Joaquim
Créditos: Hick Duarte/Aldeia São Joaquim

Surgiu, assim, o calendário Xinã Bena (Novo Tempo), com 16 fotos que buscam ilustrar o cotidiano da Aldeia São Joaquim. São retratos dos mais velhos aos mais novos, passando por suas relações com o artesanato, suas cerimônias e a vida na Floresta. Com projeto gráfico do estúdio Sometimes Always, o calendário também conta com um poema de Itsairu Huni Kuin. 100% do valor arrecadado com a venda dos calendários será direcionada à construção do museu.

 “O museu será o espelho do povo Huni Kuin. Um espaço de arquivo, de aprendizagem, uma escola viva. Um templo para todas as nossas memórias. Dentro do museu você vai conhecer a nossa realidade, o nosso artesanato, as nossas tradições, o nixi pae (ayahuasca), todas as dietas, todos os nossos cantos e danças, todos os rituais tradicionais do povo Huni Kuin.” conta Itsairu, que, como filho mais velho e professor, vê no museu a possibilidade de manter vivo não só o sonho de seu pai, mas também o seu próprio.

O apagamento histórico da ancestralidade e origem dos povos indígenas de todo o Brasil são um problema frequente em nossa história, agravado pelo abandono institucional dos governos aos povos indígenas. Por isso, iniciativas como essa são tão importantes para manter vivas as tradições, saberes e histórias dos diversos povos indígenas do país.

+ O calendário pode ser adquirido no site Fenda Space.

Créditos: Hick Duarte/Aldeia São Joaquim
Créditos: Hick Duarte/Aldeia São Joaquim

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