23.04.2020 / Moda / por

Índice de Transparência mostra quais são as marcas mais e menos transparentes do mundo

As melhores e piores pontuações do Índice de Transparência 2020 do Fashion Revolution / Reprodução
As melhores e piores pontuações do Índice de Transparência 2020 do Fashion Revolution / Reprodução

Dentro do guarda-chuva da sustentabilidade, uma das palavras-chave é a transparência. É muito difícil responsabilizar uma marca sem ter informações sobre como ela opera. Nesta semana do Fashion Revolution, o escritório global da organização publicou a quarta edição do seu Índice de Transparência, avaliando diversos quesitos das 250 maiores marcas e varejistas de vestuário do mundo com base na quantidade de informações que eles compartilham sobre suas cadeias de suprimentos, práticas ambientais e compromissos sociais. Entre elas, estão as gigantes do fast fashion H&M e Zara, as esportivas Adidas e Reebok e as do segmento de luxo, como Gucci, Valentino e Balenciaga (esse índice também é feito anualmente no Brasil desde 2018).

As 250 marcas e varejistas foram escolhidas com base em seu faturamento anual (mais de US$ 400 milhões), representando uma variedade de segmentos do mercado, como luxo, roupas esportivas, acessórios, calçados e jeans em toda a Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e África. “Acreditamos que a transparência é o primeiro passo para responsabilizar as principais marcas pelos impactos de suas práticas comerciais”, disse em comunicado a diretora de políticas globais do Fashion Revolution e a autora do relatório, Sarah Ditty.

A pesquisa analisa o que as marcas estão fazendo em relação a trabalho forçado, igualdade de gênero, salário digno, desperdício, circularidade, superprodução, uso de materiais mais sustentáveis, microplásticos, desmatamento, mudança climática e uso da água.

Neste ano, as cinco empresas que melhor pontuaram foram: H&M (73%), C&A (70%), Adidas e Reebok (ambas com 69%), Esprit (64%) e Patagonia e Marks Spencer (ambas com 60%). E entre as que tiveram a pontuação mais baixa, de 0%, estão Tom Ford, Dolce & Gabbana, Longchamp e Max Mara, pontuando ainda menos que fast fashions como Fashion Nova (2%) e Forever 21 (35).

No segmento de luxo, a Gucci está à frente, com uma pontuação de 48%, seguida de perto por outras marcas pertencentes ao Grupo Kering, como Balenciaga, Saint Laurent e Bottega Veneta. Já Ermenegildo Zegna foi “a primeira marca de luxo a publicar uma lista detalhada de seus fornecedores”.

Para deixar claro, o fato de uma marca pontuar alto no quesito transparência, não significa que ela é sustentável. A H&M é a mais transparente, tornando públicas as informações citadas acima, mas não significa que ela é a marca mais sustentável.

o que diz a pontuação

Uma empresa que atinge a pontuação da H&M (entre 71% a 80%) está divulgando a maioria de suas políticas de direitos humanos, procedimentos, metas e informações sociais e ambientais sobre seus processos de governança, além de tornar públicas listas detalhadas de fornecedores para fabricantes, fornecedores de matérias-primas como algodão, lã ou viscose. Ela também compartilha informações e dados comparativamente mais abrangentes e detalhados do que qualquer outra marca no Índice de Questões em Destaque.

Já as marcas com pontuação entre 0 e 5% não divulgam nada ou um número muito limitado de políticas, que tendem a estar relacionadas às práticas de contratação da marca ou às atividades de envolvimento da comunidade local. E aí um estilista como Tom Ford se vê encrencado, mais do que normalmente estaria apenas por se recusar a divulgar as informações de sua empresa. Ford é o atual presidente do CFDA e parece estranho para não dizer preocupante que ele esteja abaixo de uma Forever 21 em um ranking de transparência. Que tipo de mensagem ele está passando para as outras marcas do mercado americano? Ele certamente será cobrado por isso, talvez nem tanto por seus consumidores, mas pelas grifes que integram o CFDA.

Nenhuma marca jamais obteve pontuação acima de 80%, mas quando isso ocorrer, significa que elas mapeariam impactos sociais e ambientais em seu modelo de negócios financeiros e divulgariam dados amplos sobre o uso de materiais sustentáveis e forneceriam dados desagregados por sexo sobre cargos em suas próprias operações e na cadeia de suprimentos. Poderíamos encontrar informações detalhadas sobre as práticas de compra da empresa, a abordagem e o progresso da empresa no combate à escravidão moderna e aos salários dignos dos trabalhadores de sua cadeia de suprimentos. Essas marcas estariam divulgando suas emissões de carbono, uso de energia renovável e pegada hídrica de suas próprias operações até o nível de matéria-prima.

Imagine o nível de civilização de uma marca disposta a detalhar e divulgar tudo isso. Aqui no Brasil e na edição global, muitas marcas se recusam a responder o questionário de transparência do Fashion Revolution. Para as empresas que têm receio de ser transparentes por achar que não conseguirão uma boa pontuação, vale saber que esse ranking não se trata de ficar bem na fita. Sua marca naturalmente vai colher os frutos de ter uma pontuação alta e vai servir de exemplo para milhares de outras. Mas antes disso, há muito trabalho a ser feito. Olhar para dentro e rastrear todos os seus processos é um mergulho profundo e ele tem que começar de algum lugar, nem que seja do zero.

 

+ O índice completo e detalhado pode ser visto aqui

+ Saiba mais informações de cada marca em reação à transparência aqui no wikirate

 


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