14.02.2019 / Moda / por

Modelo acusa Vetements de usar sua imagem sem autorização

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Uma das imagens mais conhecidas da Vetements é da modelo Angie Sherbourne sentada com os braços apoiados nos joelhos e sua língua vermelha para fora. A foto foi tirada por Oliver Hadlee Pearch em 2014 quando ela tinha 19 anos. Na época, Angie ganhou US$ 1.000 pela job sob o combinado de que ela seria usada apenas no lookbook de estreia da marca.

Cinco anos mais tarde e essa foto ainda está sendo usada pela Vetements, seja em posters enormes em multimarcas ao redor do mundo, seja até mesmo na foto de perfil da grife no Instagram.

A Vetements, que nasceu na periferia de Paris, hoje é uma das marca mais hypadas do mercado e usada por estrelas pop como Kanye West, Selena Gomez, Rihanna e Beyonce. Seu fundador, Demna Gvasalia, também é diretor criativo na Balenciaga.

Segundo a modelo contou ao site The Fashion Law, nunca nenhum contrato foi assinado – aquele era seu primeiro trabalho como modelo e ela ainda não conhecia seus direitos. Porém, ficou verbalmente acordado que o uso da imagem seria restrito ao lookbook de uma temporada específica. E o que ocorreu foi que a a foto virou parte de uma longa campanha global da marca.

 

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Angie descobriu por acaso, após ter visto sua foto na vitrine da loja da Opening Ceremony um ano mais tarde. Ela estava em uma nova agência e, em uma rápida pesquisa, seu booker viu que os mesmos posters decoravam, multimarcas ao redor do mundo. “Entrei em contato com a Vetements para pedir uma proposta financeira pelo o uso dessa foto”, diz a booker de Sherbourne ao TFL. “Depois que muitos e-mails não foram respondidos, liguei para o escritório deles na Suíça, onde alguém me disse que não tinham intenção de pagar Angie porque ela era ‘amiga’ da casa e que, como nenhum contrato foi assinado, eles podem usar a foto pelo tempo que quiserem”.

Angie conta que Demna Gvasalia ligou para ela em 2015, logo após o primeiro contato da agência, e falou que eles eram pobres, não poderiam pagar o que a agência estava pedindo e que se ela continuasse a insistir, não chamaria ela para trabalhar de novo. A modelo conta tudo no post de Instagram abaixo.


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Curious to hear what you people think about @gvasalia , @demnagvasalia and the team of @vetements_official who has been using my image for more than 5 years now as a campaign ( when it was supposed to be used as a lookbook ) and REFUSING to pay me my publicity rights: The shoot was organized by my old booker from @metropolitan_mmanagement when i was 19 years old, as a freelance job, i got paid only 1k. Then, they used my image few years ago in TOKYO in the front shop of @openingceremony.jp when my bookers from @successmodels called them to ask them to give me the money THEY OWE ME , Demna Gvasalia begged me to stop them ( i used to consider them as friends :) ) and told me if i take the money we would never work again anymore.. as a naive teenage girl i said ok. Since then, i realized my image was in many shops around the world, in huge, and when my bookers called them ONCE AGAIN , asking them to give me the money they owed me for many years, they refused :) BUT propose to tag me on instagram and send me flowers hahaha . If i talk about it now, it’s because even people related to them still come to me and speak to me about this. I don’t expect much from those thieves anymore ( and trust me, money isn’t the only thing they stole from people ) BIG KISS ciao #vetements #demnagvasalia #guramgvasalia

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Como não há contrato e a negociação não foi feita pela nova agência da modelo, parece que não há muito o que possa ser feito legalmente. Porém o The Fashion Law vê uma brecha nesse caso. “Sherborne pode argumentar que, aceitando US$ 1.000 e posando para a foto com a premissa de que a Vetements usaria a imagem apenas para um lookbook de temporada única e não como parte de uma campanha maior, ela entrou em um contrato verbal com a marca sob a lei francesa (o que quase certamente regeria a transação, como é onde o contrato foi criado) quanto ao escopo de uso de sua imagem”.

Segundo o site, na França, “tudo o que é necessário para criar um contrato é a oferta de boa-fé e aceitação pela qual as partes concordam em estar vinculadas. Geralmente, os contratos não precisam ser feitos por escrito. Em outras palavras, os contratos orais são, na maior parte, considerados válidos e obrigatórios de acordo com o Código Civil Francês”. 

Há, portanto, uma chance de que ela possa processar a Vetements e pedir indenização, incluindo qualquer enriquecimento que a marca ganhou como resultado do uso supostamente não autorizado.

A modelo não sinalizou a possibilidade de iniciar um litígio e a Vetements ainda não se pronunciou.


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