Nordestesse, a nova plataforma de fomento de criativos do Nordeste

Projeto reúne que criativos de diversas áreas chega para disseminar os talentos da região e tem idealização de Daniela Falcão

Após deixar a Vogue Brasil, a baiana Daniela Falcão decidiu tirar um tempo sabático e retornar ao Nordeste, de onde saiu durante a juventude para buscar mais oportunidades em São Paulo, depois de 35 anos, em que passou por alguns dos principais veículos jornalísticos do país. Baiana, ela já havia vivido no Recife, para onde foi no ano passado, durante a pandemia, e começou a se conectar com criativos de diversas áreas, dos diferentes estados do Nordeste. 

A princípio, a ideia era reunir criativos como uma espécie de roteiro de viagens para Daniela, mas com o tempo, ela começou a perceber as diversas possibilidades que essa curadoria de criativos do Nordeste poderia gerar. 

“Minha ideia era montar um roteiro para conhecer um pouco do Nordeste, tendo contato com designers, estilistas, chefs e outros profissionais. Fui fazendo essa curadoria informal pensando em viajar” conta Daniela Falcão, idealizadora da plataforma. Com o agravamento da pandemia no início deste ano, a viagem teve de ficar para um outro momento, mas o contato com esses criativos nordestinos já havia sido feito: “Comecei a postar algumas dessas histórias no meu Instagram, onde as pessoas se interessaram muito. Percebi que havia um grande interesse de nos conectarmos com as nossas histórias e vi o potencial desse projeto” continua. 

A partir disso, surgiu o Nordestesse, uma nova plataforma para fomentar profissionais de diversas áreas da economia criativa da região, em cinco pilares principais, sempre destacando produtos e serviços que preservam os saberes ancestrais nordestinos.

No site, o Nordestesse promove conteúdo através da criação de notícias e perfis das diversas marcas que fazem parte do projeto. Além de playlists elaboradas por músicos e DJs da região sugestões de como trazer um pouco dos nove estados para dentro de casa. 

“Nessas pesquisas, descobri que havia toda uma geração, principalmente de moda e gastronomia de criadores jovens, que haviam começado seus negócios durante a pandemia e tinham uma ligação forte com os saberes tradicionais da região.” afirma Daniela, “Esses criadores faziam produtos super autorais e com um quê de contemporaneidade e que se encontravam desamparados de mídia ou de políticas públicas locais de artesanato, por exemplo”. Dentre as marcas de moda apoiadas pelo Nordestesse, estão Sillasmaria Filgueira, Marina Bitu, Gonzalo, dePedro, Gabriela Fiuza, Catarina Mina, e outros nomes, além de muitos outros para serem revelados. 

Silla Maria Filgueira | Reprodução Instagram
Silla Maria Filgueira | Reprodução Instagram

O projeto começou com moda, decoração e gastronomia, mas evoluiu também para o ramo de hotelaria e turismo e artes plásticas. Com o atenuamento da pandemia, uma das vontades do projeto é também investir no seguimento da música e eventos culturais. 

Além da curadoria e de contar essas histórias na plataforma do site, o Nordestesse também realiza experiências de compra para gerar pontos de contato entre os consumidores de todo o país com os criativos do Nordeste. A estreia foi na multimarcas Pinga, em São Paulo este mês. Durante duas semanas, 15 marcas de moda, design e gastronomia da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe ocuparam as araras e vitrines da loja por duas semanas.

Moda de Pedro | Reprodução Instagram
Moda de Pedro | Reprodução Instagram

Os próximos Festivais Nordestesse acontecerão em Brasilia, de 24 a 26 de novembro, na multimarcas Quadra, de Patricia Vaz e no Rio de 30 de novembro a 10 de dezembro, com a parte de moda na Pinga, que terá pop na cidade durante o verão, e na LZ Studio com a parte de decoração.

Com o lema ‘de janeiro a janeiro’, o Nordestesse busca desconstruir a ideia comum de que o Nordeste é um local essencialmente para férias, que vive a alta temporada mas que por vezes é esquecido por outras regiões nas outras estações do ano.

“A arte e o design nacional são valorizados há bastante tempo, mas a moda nacional é mais jovem, então talvez seja onde a valorização do nacional tenha demorado mais a acontecer, mas esse desejo de reconexão finalmente chegou à moda também. Essa percepção que os nossos saberes tradicionais na moda também precisam ser valorizados foi mais acelerado com a pandemia” finaliza Daniela Falcão. 

Para 2022, também estão planejados pelo menos mais cinco festivais nesses moldes, além de uma lojinha Nordestesse em marketplaces selecionados e o desenvolvimento de coleções com a bandeira Nordestesse para grandes varejistas.


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