11.09.2020 / Moda / por

O Estado da Moda, 6 Meses Depois: Caroline Trentini, modelo

autoretrato de carol trentini em sua casa, em santa catarina
autoretrato de carol trentini em sua casa, em santa catarina

Este conteúdo é parte da serie de entrevistas “O Estado da Moda, 6 Meses Depois” onde conversaremos com os personagens da moda brasileira (diretores criativos, estilistas, criadores de imagem, empresários) para entender a visão de cada um sobre o momento atual e sobre o futuro da moda, seu passado recente e o que funciona e o que não funciona mais. Que essas conversas possam apontar caminhos.

Caroline Trentini, 33, nascida e criada no interior do Rio Grande do Sul, na cidade de Panambi onde foi descoberta, em 2002 por um olheiro de modelos. Desde então a  modelo atingiu o mais alto escalão da moda estrelando campanhas para as mais importantes marcas nacionais e internacionais, desfilando para os maiores nomes e estampando centenas de capas de revistas pelo mundo. Foi classificada como uma “Industry Icon” pelo site especializado Models.com e estreou na TV como participante de um programa musical na Rede Globo. Casada com o fotógrafo Fábio Bartelt, é mãe de Bento e Benoah e vive com sua família em Balneário Camboriú, de onde respondeu a nossa entrevista.

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Quando a pandemia começou…

Eu tinha acabado de voltar da Itália, depois de desfilar para Salvatore Ferragamo, na temporada de moda de Milão. Estava em casa, com minha família, em Balneário Camboriú.

Sobre o que mudou nesses 6 meses

Mudou a nossa forma de enxergar o mundo, o trabalho e as relações, por isso acredito que basicamente tudo tenha mudado. Estamos diante de um momento muito desafiador, uma realidade que nos entristece e nos obriga a reavaliar todos os valores que temos. Especificamente na moda, acredito que este momento vai nos incentivar a entender o processo de produção daquilo que consumimos, nos fará evitar o descarte excessivo e priorizar iniciativas sustentáveis e que respeitem o meio-ambiente.

O digital também tem crescido, junto com formas criativas de manter o mercado ativo, respeitando a necessidade de distanciamento social. Fiz ensaios fotográficos à distância, desfile sem plateia e editorial de moda dentro de casa, sem a presença de equipe, então acredito que todos estão se reciclando e se adaptando a esta nova realidade, onde tecnologia e criatividade são aliadas importantes para manter o mercado ativo, priorizando sempre a segurança de todos os envolvidos.

Sobre pensar em desistir ou mudar completamente sua forma de viver

Não. Trabalho como modelo há 18 anos, é uma profissão que amo. O que fiz foi me adaptar a este momento que vivemos, com novas formas de criar.

Quanto à vida pessoal, há alguns anos moro com minha família em uma área que fica em meio à natureza, e este momento me fez acreditar ainda mais que esta foi uma mudança certeira.

“A moda tem mostrado que é um reflexo do que acontece na sociedade e no mundo, e vem se adaptando a estes novos tempos.”

Sobre os impactos das questões socioambientais e socioculturais mais urgentes 

Todas estas questões são de extrema importância. Vivemos um momento, não somente na moda, mas na sociedade como um todo, onde não cabe mais nenhum tipo de exclusão, preconceito, falta de senso ético, falta de respeito ou de cuidados com o meio-ambiente. Acredito que são valores universais e que devem guiar todo processo criativo, assim como todo ser humano.

A pandemia fez com que algumas dessas questões ganhassem mais espaço, nos escancarou desigualdades e nos fez pensar em tudo o que precisamos mudar para sermos melhores, para deixarmos um legado melhor para os próximos que virão.

Leia também >> O Estado da Moda, 6 Meses Depois: Flavia Aranha

Sobre os planos de curto prazo

No início da pandemia, eu não imaginei que seria possível seguir com as atividades tão cedo, mas o mercado se adaptou ao momento, e diversas formas criativas surgiram desde então, permitindo que pudéssemos manter o mercado em atividade, priorizando sempre o distanciamento social e a segurança das pessoas.

Como falei antes, fiz desfile virtual, sem presença de plateia, fotografei editoriais dentro de casa, sem a presença de equipe, e vi uma série de outras iniciativas surgirem, que vão desde shootings feitos por vídeo-chamada até modelos sendo clicadas à distância por drones.

Foram formas muito criativas – e tecnológicas – que nos permitiram seguir adiante em tempos tão atípicos e difíceis. A presença do meu marido (o fotógrafo Fabio Bartelt) em casa, também facilitou a realização de alguns destes trabalhos.

A moda tem mostrado que é um reflexo do que acontece na sociedade e no mundo, e vem se adaptando a estes novos tempos.

Sobre o futuro da moda

É difícil prever, mas eu espero profundamente que este momento sirva para uma transformação construtiva, para que todos procurem formas mais sustentáveis para criar, que nos faça repensar o valor das pessoas, do tempo e daquilo que nós consumimos.

Acredito que o supérfluo e o descarte excessivo deverão dar espaço à produtos mais duradouros e sustentáveis, e que é inevitável uma reavaliação em torno das nossas prioridades.

Também espero que as iniciativas criativas sejam cada vez mais inclusivas, que toda mão de obra seja remunerada dignamente, e que o ser humano e o meio-ambiente sejam sempre a parte mais importante de todos os processos.

@carolinetrentini


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