25.09.2020 / Moda / por

O Estado da Moda, 6 Meses Depois: Lilly Sarti, estilista

a estilista Lilly Sarti em selfie feita para o FFW.
a estilista Lilly Sarti em selfie feita para o FFW.

Este conteúdo é parte da serie de entrevistas “O Estado da Moda, 6 Meses Depois”. Durante o mês de setembro vamos conversar com os personagens da moda brasileira (diretores criativos, estilistas, criadores de imagem, empresários) para entender a visão de cada um sobre o momento atual e sobre o futuro da moda, seu passado recente e o que funciona e o que não funciona mais. Que essas conversas possam apontar caminhos.

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A estilista Lilly Sarti criou, ao lado da irmã Renata Sarti, a marca Lilly Sarti em 2006 e estreou no lineup do SPFW em 2014. Conversamos por Whatsapp sobre como tem sido esses últimos 6 meses e como ela enxerga o futuro.

 

Quando a pandemia começou, em março…

…a nossa marca estava prestes a apresentar uma nova coleção com desfile e showroom para as lojistas de todo o Brasil quando começou a quarentena. Além disso um dia antes da quarentena ser iniciada era lançamento de nosso novo site. 

O que mudou nesses 6 meses 

Tantas coisas mudaram nesse período: uma grande coleção foi fracionada em cápsulas e vendidas ao atacado desta forma (aos poucos para que nossos clientes tivessem um pouco mais de fôlego para poder adquirir as coleções). Diminuímos o mix de produtos de festa. Renegociamos com nossos colaboradores. 

“A empresa que passa por isso torna-se mais forte.”

Sobre pensar em desistir ou mudar completamente tudo

Em nenhum momento, absolutamente nenhum, considerei mudar de carreira. A empresa que passa por isso torna-se mais forte. 

Sobre os impactos das questões raciais, socioambientais e socioculturais mais urgentes 

Já tínhamos em nosso mix muito tecido ecológico. O que mudou foi que aumentamos esse produto na coleção. Além disso todo retalho de corte começou a virar produto para criação. 

Sobre o tema diversidade, a nossa marca desde sempre amou a diferença entre as pessoas pois para começar nós sócias somos muito diferentes e vemos isso como algo positivo complementar.  Eu amo ver minhas criações em pessoas. Amo as pessoas e isso é muito claro e evidente em nossas coleções: já perdi as contas de quantas vezes negros e asiáticos protagonizaram nossas campanhas. Tenho sorte de ter sido criada numa família que me ensinou a ver o mundo de maneira correta e eu simplesmente uso o poder de escolha que tenho para mostrar isso para os outros. Que falta de criatividade daqueles que não conseguem enxergar o belo!

Sobre os planos de curto prazo

Estamos trabalhando normalmente porém com redução de escala. A curto prazo continuaremos a fazer cápsulas. É um momento em que ficamos mais flex: nossas fotos por ex foram feitas 70% on-line; presencialmente éramos poucos: modelos, eu como (stylist, assistente, fazia a captação pro filmmaker, ufa!)- fotógrafa na Argentina; maquiadora remota de sua casa e diretora na Austrália! 

Como vejo o futuro da criação de moda…

Olha…me inspiro na vida e sendo assim para mim o futuro da moda deve ser mais sustentável, mais fluido. As marcas devem fazer esse exercício de sentir e ouvir o mundo. Acredito que as marcas são o que são hoje porque seus clientes e simpatizantes querem muito mais do que pertencer, eles querem se identificar com seus valores.

@lillysarti

 

 


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