Quem é Anna Wintour por trás do mito?

É o que uma nova biografia procura descobrir, com mais de 250 entrevistas com amigos e conhecidos da polêmica editora

Uma biografia sobre Anna Wintour acaba de ser lançada, batizada simplesmente de Anna. Escrita pela jornalista (e fundadora do site The Cut) Amy Odell, o livro foi semi autorizado, ou seja: Anna não participou ou deu entrevista alguma, mas cedeu à autora uma lista de contatos próximos com quem ela poderia conversar.

Esse contato veio um ano e meio após o início da pesquisa para escrever o livro, quando Amy pensou até em desistir, tamanha a dificuldade de encontrar alguém que topasse dar um depoimento para um livro que não tinha o aval de Wintour. “Foi extremamente difícil o tempo todo, mas especialmente no começo. As pessoas desligavam na minha cara, eu tinha sérias dúvidas sobre se seria ou não capaz de fazer isso. Semanas se passavam e eu não conseguia fazer ninguém falar. Foi apenas: não, não, não”, conta Amy em uma entrevista para a The Cut.

Ela então começou do começo: indo atrás de arquivos sobre sua infância e início de carreira – seu pai foi um editor de jornal conhecido e sua família era influente. Mais tarde, com o ok de Anna, a autora conversou com centenas de pessoas próximas ou que já trabalharam com ela, totalizando 250 entrevistas para conseguir criar um retrato de uma das pessoas mais reservadas, poderosas e polêmicas da indústria da moda.

Em mais de 400 páginas, Amy traz histórias engraçadas, alguns “wintourismos”, como quando ela pediu para retocar a gordurinha do pescoço de um bebê em uma foto; ou quando chegou na redação da New York Magazine com sua própria mesa e cadeira pois não gostava dos móveis da redação.

O livro também parece reforçar, mais do que tentar explicar, seu enorme poder e influência, que vai da nomeação de estilistas por toda a indústria a aconselhar e incentivar a super campeã Serena Williams num momento difícil de sua carreira pouco antes do torneio de Wimbledon – Serena venceu e não hesita em dar o crédito a ela.   

No fim, é a história de uma mulher de personalidade forte, que desde os 20 anos tem o mesmo corte de cabelo, que usa sua própria imagem como marca registrada e é conhecida pelo grande público como “a diaba”, como uma pessoa maquiavélica, fria e insensível que sobreviveu firme a diversos rumores, reviravoltas, calamidades editoriais e até a um cancelamento quando a falta total de diversidade no mundo Vogue veio à tona em 2020, com pedidos para que ela se demitisse. Anna simplesmente pediu desculpas e continuou.

É uma mulher complicada ou diabólica? Fria ou exigente e determinada? Como ela é na intimidade? Como se sente na própria pele? A sensação que eu tive ao ler os reviews da obra no New York Times, The Cut, The Guardian e Washington Post, é que o livro parece extremamente saboroso para o público que gosta do mito e das histórias que giram em torno dele. Mas para os insiders da moda, que gostariam de saber quem se esconde ali atrás dos óculos Chanel, ele deixa a desejar.  “A biografia de Amy Odell tenta nos mostrar a pessoa por trás do arquétipo, mas talvez o mito seja mais interessante que a realidade. Odell vasculhou arquivos, entrevistou ex-assistentes, conversou com uma frota de amigos, conhecidos e colegas de Wintour, além de ex-namorados. No entanto, as descobertas finais parecem bastante mundanas”, escreve Robin Givhan no Washington Post. “A versão de Anna que vive no imaginário popular é muito mais intrigante do que a realidade de carne e osso”.

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Curiosidades wintourianas

Ela chorou em um discurso para a equipe quando Hillary Clinton perdeu a eleição.

Perdeu um irmão mais velho num acidente de carro. Ele tinha 10 anos.

Foi demitida da Harper’s Bazaar no início de sua carreira por ser muito teimosa.

Quando trabalhava na New York Magazine, levou sua própria mesa e cadeira porque não gostava dos móveis da redação da revista. Parece que ela não era muito querida por lá.

Proibiu cebolinha, cebola e alho nas comidas do jantar do Met Gala.

Ela deixa bilhetes aprovando ou não os trabalhos da equipe. Quando está aprovado, a sigla é A.W.O.K (Anna Wintour okay). Mas a pessoa também pode receber um bilhetinho escrito “keep trying”, “no” ou “boring”.

Certa vez pediu ao departamento de fotografia para retocar a “gordura” ao redor do pescoço de um bebê.

Antes de trocar Londres por Nova York, Anna queria ir para São Francisco. Imagina como a moda americana teria sido caso ela tivesse ido pra SF.

Incentivou Serena Williams em um momento difícil no tênis. “Eu não estava bem, conversei com ela e venci em Wimbledon”, conta a tenista.

Ela gosta de comer salada caprese – só que sem os tomates.

Colocou Madonna na capa da Vogue porque um cara que conheceu no avião disse que a revista jamais faria isso.


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