23.10.2019 / Moda / por

Qual é o papel do desfile hoje? Jornalistas, designers e especialistas respondem

Apartamento 03 - SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE
Apartamento 03 - SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE

Por Pedro João

Durante a minha infância, em Itapetininga, no interior de São Paulo, eu não tinha muito com quem conversar quando descobri uma das principais paixões da minha vida: a moda. Ninguém dentro daquele contexto se importava muito com o assunto que, por muitos, ainda era considerado fútil, banal e, nos piores casos, “coisa de viado”. Apesar da realidade ao meu redor ter sido pouco convidativa aos meus devaneios fashionistas, insisti em tentar responder uma pergunta que, em certa medida, até hoje, me persegue: para que serve um desfile?

Antes, a dúvida despontava ao perceber a incongruência da roupa que era apresentada dentro daquele espaço e o que majoritariamente se considera “chic”, “elegante” ou “refinado”. Na passarela, as cores e volumes absurdos da Amapô, por exemplo, me intrigavam. As formas complexas e a imagem estranha dos desfiles do Alexandre Herchcovitch também. Os desfiles lúdicos e orgulhosamente brasileiros do Ronaldo Fraga me emocionavam… Foi acompanhando o São Paulo Fashion Week que eu imaginei ter chegado a uma conclusão: o desfile serve para sonhar. Serve para tirar a gente do lugar, para abrir-nos para o novo, para trazer questionamentos, para desafiar o olhar, para estimular o cérebro, para esquentar o coração.

Minha ingenuidade naquela época me fez ignorar o óbvio: o desfile também precisa ajudar um estilista a vender suas peças. Seja injetando capital simbólico em sua marca (celebrada, então, por fazer parte de uma semana de moda) ou gerando desejo pela roupa que está sendo apresentada ali. No entanto, os anos foram se passando, a internet chegou, o sistema da moda ensaiou uma mudança radical (“see-now-buy-now”) que acabou não vingando e esse embate entre o comercial e o conceitual na passarela foi se tornando cada vez mais complexo.

Na expectativa de tentar atingir alguma clareza a respeito dessa questão, aproveitei a cobertura do SPFW N48 para sair pelos corredores conversando com os experts que perambulavam por entre um ou outro desfile ou estavam trabalhando na produção das apresentações do evento. Foram entrevistados Costanza Pascolato, Adriana Bozon (diretora criativa da Ellus e Bobstore), André Boffano (que se divide entre seu trabalho como estilista na Bobstore e seu exercício mais autoral na Modem), Paulo Borges (idealizador do SPFW), Reinaldo Lourenço (estilista veterano que, há anos, desfila no evento), Marcio Banfi (stylist e professor), Marina Dalgalarrodo (estilista newcomer da Ão, pertencente ao Projeto Estufa), Luanda Vieira (editora de moda da Glamour Brasil), Fabiana Milazzo (estilista mineira especializada em moda festa), Lilian Pacce, Susana Barbosa (ex-diretora de redação da extinta ELLE Brasil), Renata Corrêa (stylist), Bill Macintyre (diretor de desfiles), Ângela Brito (estilista estreante), Suyane Ynaya (stylist), Glória Coelho (estilista clássica e fiel ao SPFW), Carô Gold (estilista da Amapô), Vivian Whiteman (ex-editora sênior da extinta ELLE Brasil), Luiz Claudio Silva (estilista da Apartamento 03), Isaac Silva (estilista estreante) e Luiza Brasil (jornalista, produtora de conteúdo, @mequetrefismos no Instagram).

Atualmente, qual é o papel do desfile?

Reinaldo Lourenço: “Acho que o desfile tem a magia. O momento mágico em que as luzes se acendem, a música começa. É a imagem que mais ilustra realmente o produto, ao mesmo tempo. Então, acho que a gente precisa proporcionar, principalmente nos dias de hoje, algo que tenha mais poesia, mais relevância como imagem. Fazer um desfile que tenha conteúdo. Isso, para sempre, vai funcionar e vai ser bem visto. As pessoas estão precisando de coisas bonitas.”

Costanza Pascolato: “A gente já sabe que, a não ser nos grandes mercados internacionais, existe só um grupinho pequeno de fashionistas que usam aquelas coisas mais exóticas. Hoje, não tem nem mais lugar para vestir tudo isso. É mais difícil. Criativamente, o que acontece de mais interessante são alguns muito ‘fora da caixa’ que a proposta nem é usar. Mas, é interessante perceber que eles acabam influenciando os outros. Talvez, o mais importante hoje seja o timing. Adivinhar qual é o grupo com o qual você está falando. A maneira de viver deles: onde vão, o que fazem, etc.”

Marcio Banfi: “Acho que, hoje em dia, não faz mais tanto sentido desfilar a mesma coisa que vai para a loja. Tenho a sensação que estamos voltando para um tipo de pensamento que foi muito comum nos anos 1990 – com Martin Margiela, com John Galliano – que é um desejo de um desfile-espetáculo. A ideia de usar a passarela para mostrar muito mais do que uma roupa possível. O que é um grande desafio para as marcas mais comerciais. Acho que uma coisa que elas têm que se questionar é: como fazer essa apresentação virar uma festa, contar uma história? Só mostrar roupa é pouco, honestamente.”

André Boffano: “Essa coisa de desfile 100% institucional, que não tem nenhuma repercussão em loja, não me parece uma realidade viável. Óbvio que, quando estou pensando em um desfile, as vendas não são a primeira coisa em que eu penso. O que eu acho extremamente necessário é atingir uma coerência. Tanto na Modem quanto na Bobstore, eu faço desfiles para impulsionar a gente a fazer coisas mais bacanas, sempre. É o balanço entre nossas vontades de design e o desejo de quem vai vestir essa roupa. É uma linha tênue, mas ainda resta a missão de desafiar a cliente. Ali na coleção, com styling, ela pode achar a imagem complexa demais para o dia a dia, mas olhando cada peça, talvez ela encontre algo que faça sentido na sua vida. Claro que não queremos fazer um desfile só de styling, com peças que, quando desmontadas, perdem a vida. Tudo precisa ter desenho, detalhe, cuidado, mas temos que encontrar um equilíbrio. É aí que eu acho que está a maior inteligência.”

Marina Dalgalarrodo: “Eu sempre disse, desde a criação da ÃO, que nós somos uma marca feita para o espetáculo. Isso porque ela engloba várias linguagens diferentes e o desfile me dá a possibilidade de usar todas elas. É onde eu consigo colocar uma trilha, pensar um ‘acting’, tem o styling… O desfile é o lugar da ÃO e a ÃO precisa disso por ser mais conceitual. Sou uma pessoa muito interessada em artes visuais, em cinema, em música e é assim que eu consigo conciliar todos esses universos no meu trabalho.”

 

“Acho que este é um lugar de privilégio e sempre que se está em um lugar de privilégio é preciso propor novas coisas.” Ângela Brito

Ângela Brito: “Acho que se eu fui convidada, é porque eu tenho algo a mostrar. E se não tivesse, talvez não aceitaria o convite. Acho que este é um lugar de privilégio e sempre que se está em um lugar de privilégio é preciso propor novas coisas. Tentar mexer, de alguma forma, na estrutura. É uma ferramenta de questionamento, de provocação. É sobre conceituar algo para que as pessoas entendam um ponto de vista. E você tem alcance, tem visibilidade. Hoje, mais gente conhece a minha marca. Deixou de ser uma coisa local para funcionar nacionalmente.”

Ao - Projeto Estufa SPFW N48 Fotos: Gabriel Cappelletti/ FOTOSITE
fila final do desfile da Ao no Projeto Estufa dentro do SPFW N48 / Foto Fotosite

Como criar MENSAGENS relevantes Na passarela?

Suyane Ynaya: “O mais importante, neste momento, é ter um discurso genuíno a respeito de representatividade que vá desde a co-criação até a seleção das modelos. Isso sem falar na questão material, do produto. Fala-se muito de sustentabilidade atualmente e essa é uma pauta crucial principalmente porque nós não precisamos de mais roupas. Precisamos ressignificá-las”.

Susana Barbosa: “Nem sempre é preciso levantar uma bandeira para criar uma imagem de impacto. Para quem não tem um discurso bem alinhado em toda a cadeia produtiva da marca, isso é uma armadilha. Vale mais a pena fazer uma roupa bem executada, com qualidade no corte, na tradição da costura, do que emprestar causas que não pertencem verdadeiramente ao seu DNA de marca. Acho que os estilistas precisam falar de suas verdades, independente do formato. Assim, as causas, quando aparecem, ressoam, fazem sentido. O sucesso de um desfile depende muito de coerência, de estratégia.”

 

“(o desfile) É a melhor expressão que eu encontrei para dizer as coisas que eu não sei colocar em palavras. Eu posso dizer com esse movimento, com todo esse conjunto de elementos.” Luiz Claudio Silva

Luiz Claudio: “Para mim, moda ainda é poesia. É por isso que eu faço. Acho importante essa forma clássica. Eu tenho uma alma velha. Ainda gosto da Alta Costura e das histórias por trás de Chanel, Saint Laurent, Balenciaga… É a melhor expressão que eu encontrei para dizer as coisas que eu não sei colocar em palavras. Eu posso dizer com esse movimento, com todo esse conjunto de elementos.”

Carô Gold: “A gente entende que, para nós, o SPFW é um espaço para manifestar a nossa arte. Precisamos passar alguma mensagem. A gente pulou duas temporadas por isso. Não tínhamos muito o que dizer. O que a gente quer falar? Nesta temporada, é sobre valorizar a cultura brasileira. É um grande espetáculo para fazer com que as pessoas olhem para a nossa cultura, para que os jovens se interessem por ela, para que a gente consiga mantê-la viva. Sem deixar isso se perder.”

Luiza Brasil: “Acho que talvez uma das ferramentas mais poderosas na moda de hoje é a colaboração. Para o mercado realmente se adequar aos novos tempos e conseguir fazer uma moda identitária sem soar oportunista é preciso dar espaço para novas pessoas. As marcas menores vem com um discurso já naturalizado. Elas já entendem todas essas questões. Mas, as grandes, que querem fazer parte desse futuro, precisam contar com o colaborativo. Quando a gente se pluga no que acredita de verdade, a gente vai longe.”

E, então, por que fazer um desfile?

Isaac Silva: “No meu caso, a proposta é trazer pessoas que nunca tiveram a oportunidade de estar aqui. Acredito que se eu estou aqui hoje foi para trazer todo esse pessoal comigo. Foi uma longa caminhada até aqui. Até me perguntei: será que eu devo aceitar esse convite? Parecia um contra senso para mim. Eu não abri a minha marca porque eu quis, abri porque ninguém me dava espaço nas marcas que já existiam. Hoje, eu tenho contato com várias pessoas que estão no topo desse mercado e eu me pergunto: até quando a moda vai continuar assim? Quem é que você está trazendo junto com você?”

Costanza Pascolato: “O desfile funciona muito para as empresas como as marcas de luxo. Principalmente porque eles têm outros veículos em que aquele conteúdo pode render e ser melhor aproveitado. Eles têm mil estratégias e tem mais é que ter mesmo. Temos que contar com eles para desbravar essas novidades. Para empresas grandes, talvez sirva ser celebrada dentro do circuito porque se você desaparece totalmente para essas pessoas, dá a impressão de que a marca não existe mais. A questão é que as pessoas precisam se modernizar para entender as demandas do que vêm com a nova geração. Em breve, as pessoas vão alugar roupa. Isso é uma coisa que já existe. O usado, o vintage está mais forte do que nunca. É preciso olhar para tudo isso.”

 

“Eu acho que essa discussão – se o formato do desfile funciona ou não – nem é muito relevante porque, tudo o que é bom, funciona.” Renata Corrêa

Renata Corrêa: “Eu acho que essa discussão – se o formato do desfile funciona ou não – nem é muito relevante porque, tudo o que é bom, funciona. O que não pode acontecer é fazer as coisas no automático. Quanto tem amor de verdade envolvido, é extraordinário e nunca vai acabar.”

Luanda Vieira: “Acho que sem o desfile a gente deixa de fomentar o nosso mercado brasileiro de moda. Precisa ter. Agora, para ele ser relevante, é preciso juntar cada vez mais a moda aos assuntos atuais que estão acontecendo no nosso país e no mundo. Trazer a diversidade e trazer a sustentabilidade ao lado de medidas ativas para além de levantar uma bandeira.”

Glória Coelho: “Na verdade, é um luxo. Terminar uma coleção, montar os looks e chamar a imprensa para mostrar o resultado do seu trabalho e o que vai estar no mercado pelos próximos seis meses é um luxo. Devem existir coisas mais econômicas para se fazer. No futuro, a gente vai filmar tudo e colocar hologramas na sala, mas, por hora, esse formato ainda funciona para mim.”

Fabiana Milazzo: “Eu adoro fazer desfile. É um momento importante em que se conta uma história que vem sendo desenvolvida durante seis meses. É o conjunto da obra, ali, condensado naqueles poucos minutos. E, hoje, o desfile te dá muita visibilidade porque na sala tem 450 pessoas, mas todas elas, ou pelo menos a maioria, está com seu celular na mão. Assim, os números aumentam exponencialmente. Inclusive as clientes se interessam muito. Tenho muitas clientes que viajam pra cá só para ver o desfile.”

passarela da Cavalera no SPFW N48 / foto: Fotosite
passarela da Cavalera no SPFW N48 / foto: Fotosite

O que mais mudou na passarela com as redes sociais e a tecnologia?

Paulo Borges: “Para mim, os desfiles continuam sendo o epicentro da criação, do desejo, do discurso, da alma de uma marca ou de um estilista. Eu acho que, hoje, você tem várias possibilidades e uma plataforma, uma ferramenta de tecnologia na mão onde você pode expandir a visão e a história do desfile. O desfile não é mais aquele momento em que o jornalista senta na sala e em 10 minutos o show acabou. Ele nem é mais para aquela sala. É o resultado de toda uma história sendo preparada anteriormente: o mood da passarela, da beleza, do comportamento, a inspiração. E isso tudo gera conteúdo. É um branded content gigantesco e maravilhoso que cada marca pode trabalhar a sua maneira.”

Reinaldo Lourenço: “Cinco minutos depois do desfile acontecer, ele já está no mundo inteiro, não é? É ótimo para quem não pode vir ao desfile. Aqui só cabem 450 pessoas, então, nesse sentido, é muito democrático. Acho que cada designer tem que fazer o que acredita. O comercial hoje é encantar o cliente, hipnotizar o cliente, independente de qualquer coisa.”

 

“Quem pensa só nelas (redes sociais) e no efeito que se pode causar lá, está deixando de pensar no real e isso é um problema. A gente tem que pensar no que se quer comunicar com um desfile.” Lilian Pacce

Lilian Pacce: “Olha, o que acontece é que quem faz desfile para correr atrás de tendência, sem dúvida, está fazendo desfile para as redes sociais. Para ter essa absorção rápida. Quem, de fato, é fiel a sua história, não mudou. E é isso que vai fazer com que eles ultrapassem mais uma fase da vida. Porque hoje a moda está nas redes, amanhã outra coisa vai ser maior do que isso. Quem pensa só nelas e no efeito que se pode causar lá, está deixando de pensar no real e isso é um problema. A gente tem que pensar no que se quer comunicar com um desfile. Acho que antes de ir pro digital, a gente tem que ter o real bem resolvido.”

Bill Macintyre: “Hoje em dia, o segredo é entender o seu público e a melhor maneira de se comunicar diretamente com ele. O desfile pode até ser uma plataforma de compra com as novas tecnologias. Você clica no look que quer comprar e já era. Tudo está mudando a todo momento, então acho que progressivamente, vamos entender como o mercado vai se adaptar a todas essas mudanças.”

Adriana Bozon: “No caso da Ellus, não mudou muita coisa. Acho que, para mim, nós nos esmeramos em fazer um trabalho muito profissional e sério. Essa preocupação continua. É a mesma responsabilidade. De modo que não são todas as marcas que têm coragem de fazer um desfile.”

Qual o papel do desfile para uma nova marca ou jovem designer?


Susana Barbosa: “É uma questão de coerência. Você tem algo a dizer dentro desse formato? Se sim, faça um desfile para dizer isso. Tem muitos exemplos que deram certo nesse sentido. No entanto, não é porque você chegou agora e tem uma argumento que ele precisa ser expresso ali. Há muitas marcas que, com uma conta bem resolvida no Instagram, já passam a sua mensagem. Precisa avaliar se todas as pontas da sua marca estão conectadas com essa estratégia. Até porque, é um desafio: não se comunica moda com a mesma facilidade que se fazia isso há anos atrás. O importante é você saber que a sua criatividade, a sua verdade é o principal de qualquer história. Depois disso, você arranja um jeito de contá-la da melhor maneira.”

Luiza Brasil: “Acho que as marcas pequenas têm a possibilidade de mostrar para o mercado como pensar o futuro. Elas já chegam com todos esses discursos naturalizados. Elas já entendem que para uma imagem afetar alguém, esse alguém precisa se identificar com essa imagem. É preciso afetar o nosso público de um jeito sentimental. Para as novas gerações, isso é fundamental.”

 

“O desfile tem que ser uma cena. Se não tiver isso, gaste seu dinheiro com outra coisa” Vivian Whiteman

Vivian Whiteman: “Quando falamos de desfile, a não ser que seja do varejo, a coisa toda se resume a um grande ponto: a moda precisa de gente inspirada e inspiradora na criação. Isso desde sempre, não mudou porque é disso que se trata. Não existe o ‘criativo’ faz-tudo. Só os gênios e, na boa, tem pouco gênio disponível. As marcas brasileiras nunca aprenderam a trabalhar com estilista. Ou o cara é dono da marca dele e tem que fazer tudo pequeno porque não tem dinheiro ou se submete a uma direção de criação gestora. Não existe uma visão de desfile, o universo de criação é massacrado, a pessoa tem que se virar em um espaço cada vez menor embaixo de uma chuva de dados cruzados e da voracidade do marketing. O estilista não tem voz. Não estou falando de estrelismo nem de gente sem noção que não sabe entender onde está, mas de autonomia de trabalho criativo naquilo que a pessoa sabe fazer de melhor. Tem um limite para a objetivização da criação. O desfile tem a natureza de um excesso, um ‘a mais’, uma extravagância. Seja correto na sua empresa o ano inteiro, todo dia, respeite os direitos dos seus empregados, abrace causas a longo prazo, construa aos poucos. No dia do desfile, apenas vá lá e dê o nome da sua grife com um conceito bem desenvolvido, estilo, pose, música boa e atmosfera. O desfile tem que ser uma cena. Se não tiver isso, gaste seu dinheiro com outra coisa”

Marcio Banfi: “A marca jovem precisa de ajuda. Na verdade, seria uma grande sacanagem colocá-la no mesmo patamar de avaliação que uma marca grande que tenha grana para fazer um desfile com tranquilidade. Tem casting, tem comida, tem passarela, tem um monte de coisa envolvida que custa dinheiro. Vejo muitos dos meus ex-alunos endividados porque investiram tudo o que tinham para entrar em uma semana de moda e não precisa ser assim. Dá para ir com calma e construir o seu caminho até um desfile pensando em novos modelos de negócio que o mercado está sedento por ver e ninguém dá tanta bola. Até porque, o desfile sobrevive. Felizmente, ele vai sobreviver porque é uma forma de resistência criativa às grandes potências e a gente sempre vai precisar disso.”


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