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    Preço de marcas de luxo estão afastando até os mais ricos

    A Consultoria Bain analisou o setor de luxo e percebeu que os valores não estão valendo a pena nem para os ricos

    Preço de marcas de luxo estão afastando até os mais ricos

    A Consultoria Bain analisou o setor de luxo e percebeu que os valores não estão valendo a pena nem para os ricos

    POR Gabriel Fusari

    Em 2015, Val Marchiori chamou a atenção nos corredores do SPFW não por seu look todo grifado, mas por conta de um depoimento um tanto inesperado ao site Ego: “Agora compro três bolsas Chanel em vez de seis”. Quase dez anos depois, a fala dela se tornou realidade para mais pessoas consumidores de luxo. 

    Recentemente, a consultoria Bain & Company discutiu com a Bloomberg como os aumentos vertiginosos nos preços dos itens de luxo estão levando muitos clientes ricos a reduzir suas compras ou optar por marcas premium mais acessíveis. Claudia D’Arpizio, sócia da Bain, afirmou que “não está valendo a pena” e que há uma diminuição dos principais clientes de luxo, incluindo os muito ricos. Ela destacou que, com os produtos permanecendo os mesmos e os preços subindo, esses consumidores não veem mais sentido em gastar tanto nesses itens. Como resultado disso, o setor poderá ver mais fechamentos de lojas este ano, à medida que as marcas buscam reduzir custos.

    D’Arpizio prevê que as empresas do setor devem revisar suas estratégias de preços e focar em produtos mais acessíveis para fisgar a classe média: “você não pode crescer sem a classe média e as gerações mais jovens”, comentou. A incerteza política durante as próximas eleições presidenciais e o impacto da inflação em 2024 também têm impactado o consumo de luxo, segundo um outro relatório da Bain. A previsão de vendas globais estáveis de luxo para 2024 reflete essa mudança. 

    Na China, país foco das ações das marcas de luxo, isso também tem sido notado. A incerteza econômica resultante da crise imobiliária fez com que os potenciais clientes deixassem de consumir. Como se não bastasse, devido à “vergonha do luxo,” um termo criado para descrever o sentimento dos ricos em evitar compras caras diante de crises econômicas, as compras caíram drasticamente. Como as marcas reagiram? Grifes como Balenciaga, Versace e Burberry voltaram a fazer liquidações com descontos de até 50%, de em e-commerces como o Tmall. A Saint Laurent, por exemplo, reduziu os preços de algumas bolsas recentemente, indicando uma avaliação incorreta do que os clientes estão dispostos a pagar.

    No início deste ano, a Chanel foi motivio de críticas na internet por uma possível queda na qualidade de suas peças ao mesmo tempo que fez manchetes quando sua bolsa clássica de tamanho médio ultrapassou 10.000 euros (aproximadamente 60 mil reais) na França, o maior preço registrado em toda a história da marca. No mês passado, a marca se pronunciou dizendo que apesar do crescimento nos lucros, o cenário está mais desafiador e o crescimento da demanda observado pós a pandemia já não é mais o mesmo. Além disso, muitas grandes casas de moda estão passando por uma “crise de criatividade”, com trocas de diretores criativos e foco nos clientes super-ricos, desfocando da classe média rica e da Geração Z, que impulsionaram as vendas antes da pandemia. 

    Esse foco é percebido na ascensão do “quiet luxury”, em que a assinatura criativa das marcas é pautada no minimalismo e não mais no branding exuberante. Como disse D’Arpizio, “há uma falta de clareza para muitas dessas marcas. Elas estão tentando recuperar o foco.” Nesse meio tempo, a Gucci, Moschino e Valentino lançaram novas coleções assinadas por novos designers, enquanto a Chanel está no processo de escolha de um novo diretor criativo. 

    A Bain espera que o setor de bens de luxo pessoal permaneça estável ou cresça até 4% em 2024, embora isso represente uma desaceleração em comparação com os crescimentos de 8% e 13% em 2023 e 2022, respectivamente. As compras de luxo são influenciadas por normas culturais, com mais asiáticos e pessoas do Oriente Médio comprando itens de luxo em comparação com consumidores dos EUA e da UE, que preferem produtos de alta qualidade a preços acessíveis. A questão que fica é: se a classe média está sendo preterida e os ricos não querem mais consumir com a mesma frequência de antes, para quem essas marcas de luxo venderão?

    O que dizem os clientes?

    Para entender como o cenário do consumo de luxo no Brasil se encontra, o FFW perguntou para alguns clientes de marcas de luxo sobre suas práticas de compras. Luciana Dias*, de 37 anos, consome luxo desde os 12 anos, mas hoje vê a forma de consumo nem aumentar nem diminuir, apenas fluir de um jeito diferente. “Procuro hoje fazer escolhas mais assertivas de peças atemporais, que não vão ser modismos, pois sinto que o valor está aumentando cada vez mais para um produto que não mudou”, comentou.  Outro exemplo dela é fugir de itens populares no mercado de falsificados, optando por marcas mais discretas. Outro ponto que faz com que ela consuma um pouco menos é a qualidade dos produtos de hoje, enquanto peças vintage costumam ter maior durabilidade que peças mais novas. “Sinto que a qualidade da roupa, mesmo no mercado de luxo, do acabamento ao corte de maneira geral não caiu, mas noto que os tecidos sim muitas vezes perderam alguma qualidade. Mas vejo pouquíssima criatividade mesmo pra revisitar tendências sob novo olhar!”.

     

    O aumento do dólar foi um dos motivos que levou Frederico Gasparian* de 27 anos a deixar de comprar com frequência. Estimulado desde novo pela mãe a comprar peças de qualidade, ele cresceu com ela nos corredores da Daslu vivendo o luxo de perto. Hoje, pela queda da exclusividade e distinção que as marcas traziam, o tesão pelo consumo diminuiu. “A filosofia de como consumir mudou por aqui. Antes era muito guiado por tendência, ou guiado pela cor, ou guiado pelo novo modelo, e do nada eu comecei a perceber que o que eu comprava, que era mais perene, mais clássico, era o que de fato ficava”, comenta. A durabilidade também foi um ponto crucial. “Muitas vezes as coisas novas que eu comprava acabavam estragando muito mais rápido do que as coisas muito antigas que eu tinha, tipo coisas vintage dos anos 80, dos anos 90 que passaram na família”. 

    *Depoimento dado em condição de anonimato. Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados.

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