24.10.2018 / Moda / por

Projeto Estufa: FFW conversa com Marina Dalgalarrondo, da Ão, que estreia no SPFW

Look da Ão | Fotografia: Alexandre Furcolin e Marcelo Mudou
Look da Ão | Fotografia: Alexandre Furcolin e Marcelo Mudou

Por Rodolfo Vieira

Nesta quarta, o segundo dia de Projeto Estufa apresenta o desfile de três marcas:  a partir das 14h30, a marca homônima de Helena Pontes desfila sua coleção, seguida pela Ão, de Marina Dalgalarrondo, e pela Korshi 01, de Pedro Korshi.

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Confira abaixo o nosso bate-papo com a Marina Dalgalarrondo sobre moda, política e sustentabilidade.

Qual a importância de integrar a programação do Projeto Estufa?

São muitas sensações! Principalmente para uma marca com dois anos de vida. É uma sensação de reconhecimento e realização em um ciclo inicial da Ão. Na verdade, é um divisor de águas, porque todo trabalho com moda e roupa que eu tenho desde 2011 é agora reconhecido. A marca tem dois anos, mas o trabalho e todo conhecimento relacionado a figurino e moda partem de uma construção que já existe faz um tempo.

O que a sua marca traz de novo para a moda?  

A Ão é uma marca muito jovem, acompanhada de um espírito jovem e autêntico. Eu acho que ela traz uma conexão com um movimento maior, conectada ao cenário artístico. Além disso, o pensamento e estudo profundo de cor sustentam a marca, trazendo algo que considero como novidade ao cenário da moda. Vejo muita estampa e muitas combinações de cores, mas sinto que a Ão traz um estudo de cor bastante novo ao mercado. Uma nova forma de utilizar a cor.

Muitas marcas da sua geração já nascem com posicionamento político e preocupações em relação a sustentabilidade e diversidade. Como você se encaixa nisso?

A Ão tem uma estética que julgo muito política. Dentro das minhas produções, costumo questionar o que é belo e acho que este pensamento estético em questionar as formas do corpo, entender a percepção, de que forma o padrão é imposto e apresentado a você é o que a Ão traz de novo em seu DNA. Acho que só pela estética, o viés é bastante político. A Ão não se reduz ao padrão estético imposto pela moda.

A marca traz a questão consciente na produção, uma vez que tenho conhecimento de todos os processos pelos quais passam a minha peça. Sei de onde o tecido vem, conheço todas as pessoas que trabalham comigo e o trabalho delas é reconhecido da melhor forma. Utilizo 100% algodão e fibra natural nas peças, para o menor impacto ao meio ambiente. Isso por si só, uma questão política e consciente. Trabalho com peças sob encomenda e só produzo o que será vendido.

De que forma, na sua visão, a moda pode se reinventar para se manter relevante?

Eu vejo muito, por exemplo, fora do Brasil, exposições de moda ou programas de incentivo de criação dentro de um contexto artístico, enquanto aqui isso é muito pouco discutido. Isso é uma reinvenção da moda. Moda, para mim, é arte. Modificar o olhar das pessoas e distanciar a moda como produto e possibilidade de olhar o mundo.  É como você ir na exposição da Comme des Garçons: a questão vai além da moda e acho que isso é algo que acredito ser uma das principais maneiras de reinventar este cenário.

Muito se fala hoje de sustentabilidade na moda, mas de que maneira você coloca esse discurso em prática?

Acredito que temos que ter consumo consciente. Como consumidor, você tem que saber o que você quer e de onde ele vem. É importante que a marca se posicione, porque é uma produção reduzida e com mais qualidade. Acredito que as pessoas podem comprar menos e melhor.

A Ão é caracterizada pela produção feita sob demanda, com uma escala de produção na qual tenho todo controle e, como dona da marca, conheço todas as pessoas que trabalham comigo, portanto, sei que está tudo em boas mãos e tratado com cuidado. Isso é importante.


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