Radar FFW: 5 marcas autorais de calçados para ficar de olho

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Por Gabriel Fusari 

O Brasil é o 5º maior produtor de calçados no mundo, atrás apenas de países como Índia e China. Porém esse setor foi profundamente impactado pela pandemia, fazendo com que o mercado retrocedesse 10 anos de avanços, segundo o Relatório Setorial da Indústria de Calçados da Abicalçados. Mesmo diante da crise que abalou essa indústria, uma nova onda de designers têm surgido com um produto autoral e de qualidade, confirmando que, além de uma indústria calçadista forte, somos um celeiro fértil de novas marcas de qualidade. 

Aqui selecionamos alguns exemplos de marcas novas e não tão novas assim, mas que conseguiram atravessar a pandemia com um trabalho autoral e feito à mão de designers brasileiros que vale a pena ficar de olho.

Luiza Perea

Foto: Cortesia
Foto: Cortesia

Inspirações:

Motivada pela curiosidade e imaginação, a marca de Luiza Perea usa do poder da transformação para descobrir em seu cotidiano as formas que ela vai aplicar em seus calçados. Buscando por desenhos, combinações de cores e referências de seu universo chique e atemporal.

Diferenciais:

Durante uma década, Luiza Perea conseguiu desenvolver harmonia entre as transparências, linhas, tons e técnicas aplicadas ao couro. Apesar do foco nos sapatos baixos, a designer não deixa de se aventurar entre os saltos médios e altos.

Quais os principais desafios de produzir no Brasil?

Para Luiza, a inflação e a falta de insumos são os maiores entraves para a para os criadores autorais e independentes.

Ticket médio: R$1.200

Canais de venda: 

@luizaperea

www.luizaperea.com.br

(11)98774-0563

Le Borô

Foto: Cortesia
Foto: Cortesia

Inspirações:

Gabriela Nascimento gosta de olhar para a natureza e em objetos para desenvolver os sapatos de sua marca Le Bordô. Os insights vêm de coisas aleatórias que cruzam o caminho da designer.  Um exemplo disso é a Mule bananeira, inspirada  em um terreno baldio ao lado de sua casa e o salto que ela fez baseado em um tabuleiro de xadrez. 

Diferenciais:

Mesmo tendo um astral irreverente e uma narrativa lúdica, os calçados de Le Bordô são pensados para  o dia a dia e de fácil combinação. Para além do design pop, Gabriela pontua que o grande diferencial de seus sapatos é a procedência e qualidade da matéria prima, que fazem o acabamento dos calçados serem impecáveis.  

Quais os principais desafios de produzir no Brasil?:

Para Gabriela, o custo da mão de obra qualificada tem um preço alto e é importante ser paga de forma digna, isso impacta no preço final da peça, e muitas vezes  torna o calçado um produto inacessível para a grande maioria das pessoas. Entretanto, ela acredita que há pontos positivos  em produzir no Brasil: “eu sei quem está no ciclo de produção, conheço cada parte e é um produto feliz, feito por pessoas felizes;  A pessoalidade de produzir com materiais nacionais criam laços afetivos que refletem na qualidade do produto; E a valorização da economia nacional, lógico!”.

Ticket médio: R$900

Canais de venda:

Próprio e-commerce, shop2gether e 40 multimarcas físicas espalhadas pelo Brasil.

A Aurora

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Inspirações:

As inspirações de Aurora germinam no campo da história da arte e da moda, tentando olhar para diferentes campos multidisciplinares, com o intuito de criar diferentes pontos de vista sobre o luxo. Outro ponto que inspira o desenvolvimento criativo da marca são as histórias de diáspora que se funde com as homenagens feitas às mulheres em que se baseiam as criações das peças de acordo com cada pesquisa de desenvolvimento de coleção. 

Diferenciais:

Para a designer Izabela Aurora, a marca precisa ter história, produto e preço. Dentro do processo de pesquisa e do conceito, a designer tenta refletir seus ideias na escolha de materiais de alta qualidade, no processo de produção  voltado ao mercado nacional e internacional. Os produtos feitos em couro, pele de salmão, materiais sintéticos, e madeira recebem um certificado de procedência e de qualidade, como forma de marcar seu espaço pela responsabilidade social e com o mundo. Outro ponto importante é a participação na cadeia slow fashion, prezando por um design atemporal e autoral. 

Quais as principais dificuldades de produzir no Brasil?:

A pandemia  ainda  impacta de forma grave a produção dos produtos com fornecedores que precisam  se desdobrar para atender um modelo de negócios que tenta se encaixar com a nova demanda de mercado. Ultimamente, A Aurora busca encaixar datas de produção com os materiais disponíveis no Brasil e reconhece que devido a logística global que está se ajustando devido a alta nos preços de matéria prima e produção, é impossível não haver ajustes nos preços, o que acaba sendo a maior reclamação do consumidor de moda no país. 

Ticket médio: 

R$270,00 a R$900,00

Canais de venda:

 No próprio showroom da marca, no Rio de Janeiro.

Rua: Fernandes Guimarães, 91 – Botafogo. e no Shop2gether

Akemi

Foto: Cortesia
Foto: Cortesia

 

Inspirações:

Buscando inspiração por meio de linhas, curvas, formas e saltos, a criadora da marca Rebeca Ikeda traz referências japonesas que ela encontrou em viagens, arquiteturas e alimentos – como exemplo um salto que foi feito baseado no formato de um doce. 

Diferenciais:

Akemi se preocupa com a cadeia de produção e o material utilizado em cada calçado. Por conta disso, a marca se compromete com a valorização de todos os  profissionais presentes no processo de desenvolvimento de cada produto.  Em termos de materiais, Rebeca Ikeda busca produzir um sapato feito 100% em couro animal, desde o cabedal, passando pela palmilha e sola, sem se esquecer do acabamento detalhado. Confeccionados manualmente, a vida útil do sapato tem maior durabilidade assim diminuindo o impacto no meio ambiente. Um outro ponto importante é a cooperação com empresas de cunho social, que produzem ecobags produzidas por ex-detentas, empregando e preparando-as para o mercado de trabalho como costureiras.

Quais as principais dificuldades de produzir no Brasil?:

Para Rebeca, a pouca mão de obra qualificada para produzir sapatos com design diferenciado de forma manual é uma das grandes dificuldades de se produzir autoralmente no Brasil. Por conta da pandemia, muitas empresas acabaram fechando e isso fez com que gerasse uma escassez de matéria prima de qualidade. 

Ticket médio: R$850

Canais de venda:

E-commerce da marca www.lojaakemi.com.br, Shop2gether e no CJ Fashion

Lucas Regal Boots N’Belts 

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Inspirações:

A marca tem uma forte ligação ao universo da música, especialmente dos anos 60 a 80, revisitando obras de Mick Jagger, David Bowie e Elton John. Lucas Regal, nome por trás da marca, tem como musa inspiradora mulheres fortes, sexy e rebeldes como Joan Jett, que acabou inspirando o modelo da bota Runaway. 

Diferenciais:

O grande diferencial da marca é fazer peças que se encaixam em contextos artísticos como shows, figurinos para peças, musicais e filmes, bem como no dia a dia e para as noitadas. As roupas e acessórios são feitos sob medida e de forma exclusiva, o que é o forte da marca. 

Quais as principais dificuldades de produzir no Brasil?:

Para o designer responsável pela marca, a principal dificuldade de produção no Brasil é a captação de incentivos e recursos para crescimento e treinamento de novos profissionais, além dos impostos elevados e a inflação. 

Ticket médio: 

R$600,00

Canais de venda:

E-commerce  www.lucasregal.com, através do Instagram ou Whatsapp da marca +55 11 98399-2819 e no ateliê nos Jardins na Rua Peixoto Gomide N. 1014 em SP.


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