26.07.2019 / Moda / por

Slow Market Beauty: fundadora do evento fala sobre o mercado de beleza consciente no Brasil

Foto: Cortesia
Foto: Cortesia

Acontece neste fim de semana a segunda edição do Slow Market.Beauty, voltado para beleza natural, orgânica, vegana e cruelty free. O evento é gratuito e ocupa o Espaço Natividade, em São Paulo (veja serviço completo ao final da matéria).

Para quem está acompanhando a efervescência desse mercado, com o surgimento recente de centenas de marcas conscientes de cosméticos, a feira é uma ótima oportunidade de conhecer melhor esse movimento e conhecer as marcas de perto. 

Quem organiza o evento é a Melissa Volk, da Slow Market Brasil, que desde 2016 fomenta o movimento slow no Brasil. Ex-publicitária, ela passou a vida  em agências de publicidade como DPZ e Isobar, mas mudou seu caminho por uma série de questões pessoais. “Estava sem propósito, trabalhando numa empresa tantas horas por dia. Meus pais tiveram cancer e me fizeram pensar bem o que faço com meu tempo”, conta.

Assim surgiu Slow Market Brasil, à princípio um mercado de marcas sustentáveis e conscientes com ofertas de praticamente tudo, de pet à gastronomia e moda, aliado a conteúdo e informações sobre o movimento slow. Na moda, ela acabou se aliando ao pessoal do Eco Fashion Week, onde hoje faz parte do time de curadores e ajuda com os desfiles, showroom e relacionamento das marcas.

Melissa Volk, idealizadora do Slow Market Brasil / Cortesia
Melissa Volk, idealizadora do Slow Market Brasil / Cortesia

O Slow Market.Beauty é um evento é lixo zero e que terá a participação de 37 marcas como Goodessence, AhoAloe, Face It Vegan Beauty, Choix Cosméticos e a americana Lafe’s. Melissa espera receber em torno de mil pessoas nos dois dias de evento.

No meio da montagem do evento, ela parou para conversar com o FFW sobre o mercado de cosméticos naturais no Brasil.

Qual é o conceito do slow beauty?

Conscientização, respeito a diversidade, à suas características e às do outro, se cultivar e se cuidar como um todo e o cosmético é apenas uma parte disso.

Você tem alguma ideia do tamanho desse mercado no Brasil, em número de marcas e faturamento?

Olha, eu tenho um mailing com mais de 400 marcas com apelo consciente aqui no país. E esse mercado movimentou R$ 3 bilhões em 2018 e a  perspectiva de crescimento é de 20% ao ano, ou seja, é uma taxa alta de crescimento. Já o mercado global do negócio de beleza natural, a perspectiva é que deve dobrar nos próximos cinco anos para atingir US$ 22 bi em 2024.

O Slow Market.Beauty reúne marcas veganas, cruelty free, naturais e orgânicas. Muitas vezes o consumidor se sente confuso porque uma marca que é vegana pode conter química, mas ela aparece dentro do “mesmo pacote”. Você pode falar o diferencial de cada uma?

Natural é aquela que é feita só com ingredientes naturais. Há produtos naturais que têm ingredientes sintéticos, mas de origem de algo natural. O orgânico segue a mesma coisa da alimentação, não tem agrotóxico. O supra-sumo do cosmético é ser orgânico. E o vegano não usa nada de origem animal, por exemplo, um balm com cera de abelha pode ser orgânico e natural, mas não é vegano. O veganismo é um movimento muito forte e só de falar que é vegana já parece que é totalmente consciente, mas a preocupação é que não tenha nada animal. Tem produto que é vegano, mas pode ter petróleo. Dove é um produto vegano, Fanta Laranja é vegano, mas ambos completamente químicos. E cruelty free não leva ingrediente testado em animal nem o produto em si faz testes desse tipo.

Essa escalada da beleza consciente dá também abertura para o greenwashing…

Sim, as áreas de marketing sabes que o veganismo e os cosméticos naturais estão muito fortes. Muitos produtos falam que são feitos com ingredientes naturais e orgânicos, mas se você for ver na composição, ele até tem a planta, mas em quantidade pequena, e todo o resto da composição é química e nociva.

Mas existe um grande trabalho de conscientização e os consumidores estão mais atentos. Nós postamos um comparativo de um shampoo normal e um natural, com os ingredientes e nomenclaturas porque é difícil o consumidor final saber o que é tudo isso, é hiper técnico. Por isso o trabalho de comunicação é fundamental e as certificações também.

Os batons da Face It / Reprodução
Os batons da Face It / Reprodução

Quais os ingredientes proibidos que temos que prestar atenção nas embalagens?

São muitos e para cada tipo de produto há uma série deles. Basicamente, parabenos, silicones, derivados de petróleo (veja a relação nas imagens abaixo). Os produtos naturais são isentos de ingredientes etoxilados processos de sulfonação fosfatação, alquilação e polimerização, corantes e fragrâncias sintéticas, conservantes sintéticos e quaternários de amônio.

Essa informação normalmente aparece de forma muito técnica na embalagem. Por quais certificados podemos buscar na hora de escolher um produto natural?

Aqui no Brasil, os principais são o IBD Certificações e o EcoCert.

Nós acabamos vendo essas marcas somente em feiras e eventos como o seu. Quais os principais desafios desse mercado?

Distribuição é o grande inibidor desse movimento. O evento acaba sendo importante pra isso porque recebemos gente de outras partes do Brasil e as pessoas vão ampliando o repertório e começando a conhecer e comprar as marcas direto de seus sites.

Você vê um futuro em que as marcas naturais irão substituir as químicas?

Substituir é um longo caminho, mas conviver é muito possível e já esta acontecendo. Por exemplo, aqui no Brasil a Sephora e a farmácia Onofre vendem os produtos da Quintal Dermocosméticos. O Pão de Açúcar está vendendo a linha do salão Laces and Hair e a pasta de dente da Orgânico Natural, que pra mim é a melhor que existe. O Carrefour patrocina o Slow Beauty Summit, que é um congresso internacional, e tem uma área bem grande de sustentabilidade. Então tem um movimento acontecendo, mas muitos desses produtores não têm essa quantidade pra entregar.

Óleo multifuncional da Choix / Rerodução
Óleo multifuncional da Choix / Rerodução

Com um mailing de 400 marcas, como é feita a sua curadoria para trazer quase 40 para dentro do evento?

Eu pesquiso muito e hoje já tem algumas marcas com quem venho desenvolvendo um relacionamento mais pessoal através de workshops e também de uso de produtos. E também depende do momento de cada empresa. Não está fácil pra ninguém e no Brasil temos feiras que são muito forte nessa área, como a Natural Tech e a BioBrasil, que têm cada vez mais cosméticos. E o investimento em uma feira dessas é mil vezes maior do que num evento como meu, então há marcas que depositam seu investimento nessas feiras e fica difícil para elas participarem de outras. Mas fico feliz de ver que esse mercado está crescendo.

E você, como ex-publicitária, consegue trabalhar vários aspectos de uma marca, não?

Sim, eu criei o nome, o logo e a estratégia do Slow Market e acabo aplicando isso em algumas marcas, ajudando também na comunicação. Percebi que várias marcas precisam de mentoria, ajuda com certificações, entre outras necessidades e acabamos abrindo a Slow Market Pró, para dar essas consultorias e workshop específicos pra indústria de cosméticos.

Abaixo, comparativos cedidos pelo Slow Market.Beauty entre produtos convencionais e naturais:

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