18.12.2020 / Moda / por

Supernova FFW: os 20 melhores discos nacionais e internacionais de 2020

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Por Isadora Almeida @almeidadora

Na reta final de 2020 trago listas, que tanto adoramos. Nesta semana elegemos, eu e a redação do FFW, depois de muitas trocas de mensagens e tentativas de convencimento mútuo, os nossos 20 eleitos para melhores discos de 2020, uma listona juntando tudo o que amamos mais entre os lançamentos brasileiros e internacionais.

São eles:

 

Fiona Apple – Fetch The Bolt Cutters 

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Fetch The Bolt Cutters saiu de surpresa, no meio de Abril em um mundo que vivia o sentimento de “Como serão os próximos meses?” o álbum não trouxe a resposta, mas foi uma ótima distração para esquecermos a loucura que 2020 estava se organizando para ser. Um trabalho quase todo feito somente por Fiona, que mais uma vez se prova uma das melhores letristas de sua geração. Menção honrosa aos latidos dos cachorros de Fiona que aparecem na faixa Fetch The Bolt Cutters e que deixam o álbum ainda mais humano.

 

Luedji Luna – Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água

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Um Corpo no Mundo, álbum de estreia de Luedji Luna, um dos melhores lançamentos de 2017, colocou a cantora baiana em destaque na cena musical brasileira. Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água Luedji é meu álbum favorito do cenário nacional em 2020. Misturando ritmos africanos, jazz e um pouco de MPB ao longo das 12 faixas, Luedji Luna confirma a excelência do trabalho que vem criando nos últimos anos.  

Parcerias engrandecem ainda mais o trabalho de Luedji, são os casos de Ain’t Got No que traz trechos de um poema de Conceição Evaristo e Lençóis que traz participação da poeta Tatiana Nascimento. O álbum foi produzido por Luedji e pelo guitarrista queniano Kato Change e teve como cenário o Brasil e o Quênia. Um alento para 2020.


Sault – Untitled (Rise)

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Desde 2019 o misterioso coletivo Sault vem lançando álbum bom atrás de álbum melhor ainda. Ano passado foram dois registros 5 que saiu sem aviso e quatro meses depois 7 apareceu da mesma maneira, de surpresa. Ninguém sabe ao certo quem são os músicos envolvidos nos trabalhos, mas o produtor britânico Inflo é nome certo no coletivo. Soul, funk, pop e um pouco de disco music são as principais referências nos dois primeiros trabalhos. Em 2020 novamente sem aviso saiu o poderoso Untitled (Black Is)trabalho mais que necessário para esse ano. Mas o escolhido para a lista é o segundo álbum lançado esse ano, Untitled (Rise) que flerta até com percussão de samba e tem como faixa de encerramento uma das músicas mais bonitas do ano, Little Boy. Letras poderosas e muita musicalidade é o que você encontra neste trabalho. 

Fontaines D.C. – A Hero’s Death 188287

A Hero’s Death (2020) o segundo álbum da banda irlandesa Fontaines D.C. chegou pouco mais de um ano depois do lançamento do trabalho de estreia, o excelente Dogrel. Há quem diga que foi um lançamento precipitado ou até mesmo estranho, mas que bom que a banda só pensou no que eles queriam e precisavam dizer e lançaram o segundo trabalho em um ano pandêmico. Como o nome diz, “a morte do herói” é sobre a própria banda “matar” de certa forma a “devoção” que foi criada sobre o jovem grupo em 2019, quando o álbum de estreia virou a cabeça de muitos críticos e fãs, principalmente no Reino Unido. Era preciso seguir em frente e para a sanidade da própria banda eles mudaram os ares criando um trabalho muito menos urgente, cheio de canções e baladas românticas que não conversam muito com a energia punk de Dogrel (2019). Por serem honestos e seguirem a intuição A Hero’s Death soa ainda melhor e fez com que a banda recebesse uma indicação ao Grammy Awards 2021 na categoria “Melhores Álbuns de Rock”. A coroação de que o herói pode até ter morrido, mas agora ganha um status ainda maior na história.

 

Dua lipa – Future Nostalgia 

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Para contemplar os excelentes lançamentos que homenageiam a disco music em 2020, Dua Lipa com seu Future Nostalgia é um ótimo escolhido. A cantora traz novos nomes da música para trabalharem no álbum como o produtor SG Lewis (que lançou uma das melhores músicas de pista de 2020 – Impact). Já para o Club Future Nostalgia, o álbum remix, traz a “velha guarda” da dance music, nomes que vão de The Blessed Madonna até Joe Goddard. A estética que Dua trouxe para esse projeto tem referências super interessantes, um exemplo delas é a do filme Austin Powers. Em resumo, o álbum é uma mistura da cultura pop britânica jogada em uma pista dos anos 2020. Músicas para dançar sem medo de ser feliz.

 

Brime! – CESRV 

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CESRV é o nome artístico de César Augusto Pierre, DJ e produtor paulistano que está por trás de três excelentes EPs, lançados esse ano, Bela Vista/ Twenny Twenny/ The Underground. Em março, CESRV ao lado de Febem e Fleezus, soltaram o brabo BRIME! que mistura o rap paulistano com o grime, algo como o “rap uk” que é derivado do UK Garage. Pra quem curte jungle, drum’n’ bass e rap nacional vai fundo no Brime! e dedique um tempo para ouvir os três lançamentos solo de CESRV, você não vai se arrepender. Destaque para a faixa Soho do Brime! e Onda do Bela Vista.

 

Phoebe Bridgers – Punisher

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Com seu disco Punisher, a californiana Phoebe Bridgers conseguiu sintetizar como poucos o momento que o mundo atravessa. 2020 foi o ano que nos mais forçou a pensar sobre a morte e sobre o que significa de verdade estar vivo e o que tem de verdade importância. Em canções como Chinese Satellite, I Know The End e Kyoto, a menina de roupa de esqueleto toca fundo em questões como solidão, rompimentos, busca por esperança em melodias que casam perfeitamente com o tédio do isolamento social e as previsões um tanto apocalípticas para o que ainda devemos enfrentar. 

 

HAIM – Women In Music Pt. III

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Women In Music Pt. III o terceiro álbum das irmãs HAIM vem como um sopro de liberdade e confiança de três jovens mulheres que finalmente encontraram a segurança que precisavam para lançar um trabalho impecável. Acreditar no que falam e não terem vergonha disso é o que o álbum propõe com lindas canções como Gasoline, The Steps e Summer Girl.
O álbum está indicado ao Grammy Awards 2021 na categoria “Álbum do Ano”.



Zé Manoel – Do Meu Coração Nu unnamed-2

Zé Manoel é um músico nascido em Petrolina que vive em Recife há um bom tempo. Do Meu Coração Nu (2020) é o trabalho que apresenta o Zé a um grande público que talvez não conhecesse trabalhos como Canção e Silêncio (2015) e Delírio de um Romance a Céu Aberto (2016). “História Antiga” a faixa de abertura do álbum lançado em outubro traz um personagem que relembra um mundo do passado, de políticas ultrapassadas, onde o estado genocida mata o povo negro simplesmente pela cor. A canção é de uma sensibilidade que emociona desde a primeira audição. Uma das melhores faixas do ano. Não estranhe se você se emocionar várias vezes ao longo desses 37 minutos.

 


Fleet Foxes – Shore

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Shore é o quarto álbum da banda Fleet Foxes, que apareceu em 2008, causando comoção mundial com seu folk e temas campestres. Agora em 2020 o novo trabalho, que é o mais ensolarado até agora traz várias participações começando com a faixa Wading In Waist High Water que é cantada pela jovem Uwade Akhere cantora que Robin Pecknold, líder da banda, encontrou no instagram e convidou para participar do álbum. Já na faixa Going-to-the Sun Road a participação é do nosso Tim Bernardes cantando em português no fim da faixa. Fica claro ao longo das 15 faixas que esse é um trabalho sobre amar música, o que fica muito claro na faixa Sunblind em que o vocalista homenageia artistas que já deixaram esse mundo e que são importantes para ele. Se libertar de inseguranças e tormentos e seguir com o coração, é sobre isso. 



Jup do Bairro –  Corpo Sem Juízo

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Não espere um trabalho óbvio. Corpo Sem Juízo (2020) é o primeiro trabalho da multiartista paulistana Jup do Bairro, e que já chega como um dos melhores registros do ano. Pop, eletrônico, rock, MPB e R&B são os estilos musicais que você encontra no registro de (apenas) sete faixas, que conta com participações brilhantes de Mulambo, Rico Dalasam, Linn da Quebrada e Deize Tigrona. Luta Por Mim e All You Need Is Love são um sinal desse tempo, mas com certeza extrapolam no sentimento e se tornam eternas.

 

Taco de Golfe – Nó sem ponto II

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Nó Sem Ponto II (2020) marca a volta do trio de Aracaju (PE) formado por Alexandre Damasceno (bateria), Filipe Williams (baixo) e Gabriel Galvão (guitarras). São dez faixas, todas instrumentais, que trazem um misto de math rock e jazz, mas sem seguirem à risca esses estilos eles constroem músicas cheias de camadas que são pequenos universos e que sim se dialogam ao longo do registro. José e Nó Sem Ponto II são alguns dos pontos altos do trabalho.


Tame Impala – The Slow Rush

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Groundhog Day, one more year, posthumus forgiveness…The Slow Rush é um álbum que fala sobre o tempo, como se relacionar com ele e entender como a vida acontece e a gente não tem poder nenhum sobre como ele passa. Esse é o assunto central de um álbum lançado um mês antes da maior pandemia dos últimos 100 anos atingir o mundo todo. Merece um espaço entre os melhores lançamentos de 2020 por ser um registro histórico mesmo sem a intenção de ser. Além de inovar com um tom bem mais pop e disco, Kevin Parker, líder do Tame Impala, mostra que sim ele é um dos maiores nomes dos últimos 10 anos na música trazendo versatilidade e não ficando “preso ao tempo”. Vale ressaltar também que na última década o músico também é responsável por ditar um estilo/jeito que 8 entre 10 bandas se inspiram para criarem suas próprias canções.

Carabobina – Carabobina

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Carabobina é o projeto paralelo de Raphael Vaz, conhecido como Fefel, baixista da banda goiana Boogarins, com a namorada, a engenheira de som e cantora venezuelana Alejandra Luciani. O álbum de estreia homônimo traz nove faixas cantadas em português, inglês e espanhol que se misturam entre psicodelia, rock alternativo (principalmente o dos anos 90) e pop. Os destaques do álbum são as faixas Em Dezembro e a maravilhosa Baja Del Altar em que Alejandra canta em espanhol. 

 

Laura Marling – Song For Our Daughter

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Song For Our Daughter é o sétimo álbum da carreira da britânica Laura Marling. A simplicidade alinhada a letras belíssimas soam como o trabalho mais maduro até agora na carreira da cantora. Ele apareceu de surpresa sem criar expectativa e pareceu correto quando saiu no começo de abril e ninguém sabia o que iria acontecer nos próximos meses. Ele foi uma ótima companhia para ajudar a manter uma boa saúde mental. Held Down o single que puxa o álbum é um exemplo perfeito da excelência do trabalho de Marling. 

Fabiano do Nascimento – Prelúdio

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Préludio, lançado em junho, é o terceiro trabalho do carioca Fabiano do Nascimento. O registro de dez faixas deixa claro que não são necessárias palavras para se contar uma história. Com o violão o músico cria lindas paisagens sonoras que criam pequenas tensões, já que você não sabe muito bem para onde o som vai te levar. Se deixar levar é o convite que o músico faz logo no início do trabalho com a belíssima faixa Rio Tapajós. Se permita ouvir com calma esse trabalho.


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Um dos álbuns favoritos de nossa lista saiu logo no começo do ano. Os londrinos do Sorry lançaram no começo da pandemia o 925 cheio de guitarras, mas ao mesmo tempo traz um sax e programações que deixam o som deles bem mais fresh e interessante. Perfect é um ótimo rock dos anos 90, When The Sun Sets é bem mais climática e exemplifica os universos que Asha e Louis se propõem a desbravar. 

Perfume Genius – Set My Heart on Fire Immediately

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O quinto álbum de Mike Hadreas do projeto Perfume Genius chegou chegando após o aclamado No Shape (2017). O disco que não saiu do repeat por aqui esse ano, oscila entre dois extremos: melodias sublimes quase minimalistas e fortemente intimista e de outro lado dissonância suja e gutural, cheia de reverb e orquestração, envolvendo as alegrias e fardos do corpo humano e seus inúmeros anseios intangíveis. Destaques para as faixas Moonbend, Describe e Your Body Changes Everything

 

Kiko Dinucci – Rastilho

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A frase “Quem canta é a madeira“, retirada do texto de apresentação do disco Rastilho, segundo álbum do guitarrista do Meta Meta em carreira solo, serve como um indicação clara do que iríamos ouvir nas faixas que compõem essa obra. A instrumental Exu Odara abre logo o disco, atmosférica, passeando por paisagens sertanejas levada pelo violão solitário de Kiko. Além de ser um dos nossos discos favoritos do ano, a capa, fotografada por Pablo Saborido é das mais lindas obras.


Vários Intérpretes – Blue Note Re:Imagened

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Blue Note Re:imagened é uma homenagem ao selo Blue Note, um dos mais importantes da história do jazz. Novos artistas britânicos como Ezra Collective, Jorja Smith, Nubya Garcia e Jordan Rakei reimaginam clássicos da jazz music de artistas como Donald Byrd, Wayne Shorter e Herbie Hancock. É um álbum para ouvir com tempo, relaxar e para você dedicar toda sua atenção nessa experiência.








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