15.01.2019 / Moda / por

Uma conversa com Leo Neves, a mente criativa da marca de bolsas Waiwai

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O que Beyoncé, Dua Lipa e Florence têm em comum – além de serem estrelas pop? Elas são fãs da Waiwai, marca de bolsas do stylist carioca Leo Neves, 35. O sucesso da Waiwai foi meteórico, mas ao contrário do que diz o ditado (quanto mais alto é o salto, maior é a queda), a Waiwai está construindo uma história natural e baseada um produto real, consistente, único, ético e altamente desejável.

Leo lançou sua marca há quatro anos, após duas colaborações bem sucedidas com as amigas e designers Marcela Virzi e Betina de Luca, que na época tinham a Virzi + De Luca. “Fizemos uma linha de Carnaval com bijoux, roupas, bolsas e deu super certo. Aí elas me chamaram pra fazer outra coleção, que era O Sertão Vai Virar Mar”. Foi depois desta última que ele criou a Balaio, sua primeira bolsa, quando ainda mal poderia imaginar que um dia ela estaria nos braços de Queen B.

 

‘FIQUEI PROCURANDO UMA PALAVRA QUE TIVESSE UMA SONORIDADE BRASILEIRA E WAIWAI É O NOME DE UMA TRIBO INDÍGENA. MAS TAMBÉM TEM UMA SONORIDADE QUE PARECE WHY, TEM O UAI MINEIRO”

 

Feitas à mão no Brasil com matéria prima brasileira, as bolsas custam a partir de R$ 1.800. A forma como as cores são aplicadas nos produtos certamente têm sua parte no sucesso da marca. Leo e sua equipe fazem um trabalho notável, esmerado e com muita atenção aos pequenos detalhes – cada peça tem uma beleza única.

Em uma conversa por telefone, Leo fala sobre o começo, o presente e o futuro da Waiwai.

 


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Como você começou a Waiwai? 

Eu era stylist e fui assistente do Rogerio S e do Felipe Veloso, então sempre me interessei pelo universo. Depois das colaborações com a Virzi + De Luca, fiz minha primeira bolsa, a Balaio, e dei para uma amiga usar, a Alix Duvernoy. Ela levou pra um verão em Ibiza e as amigas começaram a perguntar de onde era a bolsa. A Alyx conhecia a Lauren Santo Domingo, do Moda Operandi,  e através dessa conexão, começamos a vender lá.

Então você começou a vender antes mesmo da marca existir oficialmente?

Tudo isso foi bem no começo, a gente não tinha exposto ou vendido em lugar nenhum antes. Eles fizeram uma pré-encomenda e me deram uma janela de entrega, mas com essa exposição eu comecei a receber muitos pedidos, então tive que criar uma coleção mesmo. Foi quando encontrei o meu propósito. O segundo modelo que lancei leva o nome Alyx.

E onde mais você vende hoje fora do Brasil?

Matches Fashion, Harrods, Bergdorf Goodman, Harvey Nichols… Hoje em dia faço showroom em Paris e em Nova York para facilitar essas operações.

Como são os tamanhos dos pedidos para uma loja do tamanho de uma Bergdorf Goodman, por exemplo?

Para essas grandes lojas nós temos um mínimo de venda por modelo. É uma compra de 150 bolsas para lojas de departamento. Já para as boutiques, nós vendemos menos pois elas são bem menores, e também é superimportante estar lá pelo posicionamento.

 

“NOSSO PRODUTO É 100% ARTESANAL E PRODUZIMOS TUDO NO BRASIL COM MATERIA PRIMA 100% BRASILEIRA”

 

Como sua bolsa chegou até as mãos da Beyoncé?

Um dia eu abri o Instagram e tinha fotos dela com a bolsa naqueles perfis que desvendam os looks das celebridades. E eles marcaram a gente na foto. Quase tive um ataque (risos)! Ela – ou o stylist – comprou na loja Just One Eye, em Los Angeles.

Beyoncé com o modelo Balaio da Waiwai em julho do ano passado / Reprodução
Beyoncé com o modelo Balaio da Waiwai em julho do ano passado / Reprodução

Quantas coleções você faz por ano?

Duas coleções por ano, Resort e Summer. Esse ano vamos começar a fazer uma coleção menor para o inverno, também usando vime e couro. Minha bolsa é de palha, mas transita super bem em um ambiente urbano.

Sua produção é inteira feita no Brasil?

Nosso produto é 100% artesanal e produzimos tudo no Brasil com matéria prima 100% brasileira. O couro vem do sul e temos uma produção pequena de vime no sul da Bahia com um artesão local que trabalha com a família. Daí todos os acabamentos são feitos no meu ateliê no Rio onde tenho uma pequena equipe de 8 pessoas.

E como foi a escolha do nome WaiWai?

Fiquei procurando uma palavra que tivesse uma sonoridade brasileira e waiwai é o nome de uma tribo indígena. Mas também tem uma coisa que parece why, tem o uai mineiro, então tem essas brincadeiras. Além disso, também tem uma grafia linda.

Onde busca inspiração para criar suas bolsas?

Estar no Rio já me inspira muito. A praia, a mata atlântica, essa cidade me inspira diariamente. Eu olho pra beleza natural. Mesmo quando era stylist, tinha muita referência da moda praia, surf, esportes da praia, sempre gostei muito disso.

Foto: Cortesia
Foto: Cortesia

 

Como você acha que o mercado está hoje para marcas pequenas e independentes?

Nós estávamos numa crise quando comecei. Mas isso fez com que o mercado se renovasse um pouco e pessoas novas surgiram. Eu venho dessa safra de renovação do mercado, apresentando uma ideia nova. Não é fácil, mas a gente consegue crescer na crise, cavar oportunidades.

O Rio de Janeiro sempre foi um polo criativo de moda. Como está essa cena atual no Rio?

Tem muitas marcas bacanas surgindo. A Haight é uma marca super próxima da gente, tem a Handred também. O Rio tem um pouco essa coisa de ser um Estado que traz coisas novas pro mercado nacional. São Paulo economicamente é muito maior, mas as marcas cariocas têm essa pegada, essa identidade carioca que transita em qualquer lugar do mundo.

Você tem um business plan pra Waiwai? Como você pensa os próximos passos da marca?

Como somos super pequenos não tenho esse planejamento tão rigoroso. As coisas vão acontecendo e nós vamos abraçando. Eu tenho um showroom em Ipanema que funciona como loja, mas não tenho esse desejo de ficar abrindo loja em tudo quanto é lugar. Vou muito a São Paulo e outros estados fazer eventos de venda na casa de uma amiga, por exemplo. É mais o perfil da marca do que uma loja tradicional, pelo menos por enquanto. Tem sido muito orgânico o interesse das pessoas e estou feliz com esse formato.


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