21.02.2017 / Música / por

FFW entrevista Anna Calvi, a voz que embalou o desfile da Burberry

Anna Calvi por Jean Baptiste Mondino ©Reprodução
Anna Calvi por Jean Baptiste Mondino ©Reprodução

Por Luísa Graça

Anna Calvi conversa com uma voz baixinha, suave, quase um sussurro. Mas quando canta, essa mesma voz tem outra dimensão. É forte, cheia, dinâmica. Ao vivo, é mais forte ainda. Não apenas a voz, mas a música toda se enche de cor e textura com as performances emotivas de Anna e sua aparência marcante: maquiagem dramática, sempre com batom vermelho, e cabelo preso num coque baixo. Essa estética sonora adequou-se bem à proposta da February Collection 2017 da Burberry, cheia de peças esculturais, apresentada ontem em Londres, com trilha ao vivo da cantora.

Num balcão acima da passarela, ela dividiu espaço com a orquestra e o coral Heritage para cantar duas músicas inéditas, um cover da banda Christine and the Queens e Desire e Eliza, faixas essenciais da sua breve discografia. O set ao vivo já virou um EP, Live for Burberry, que soma-se ao debut Anna Calvi e ao segundo disco One Breath, ambos indicados ao Prêmio Mercury. “Eu gosto muito de tocar ao vivo. É muito mais fácil do que gravar um disco, porque é um momento que acontece naturalmente e, então, se perde. Há algo de libertador nisso”, conta a britânica de 36 anos, em entrevista exclusiva ao FFW. “É quando eu me sinto destemida e forte simplesmente por tocar música e me liberto da ansiedade. Eu exploro um lado meu que não consigo acessar em nenhuma outra ocasião”.

Apesar de ser a primeira vez que toca durante um desfile, Calvi não é estranha a eventos de moda. Já se apresentou em festas da Fendi, Chloé, Colette e Gucci, marca que, ainda sob os cuidados de Frida Giannini, assinou os looks da tournée de 2011 da cantora. Ela tem ainda Karl Lagerfeld na lista de fãs – que já conta com Brian Eno, que chamou a cantora de “a melhor desde Patti Smith”, e David Byrne, com quem Anna gravou duas faixas para o EP de covers Strange Weather, de 2014.

“É importante me produzir para subir no palco. Com isso você faz uma afirmação de que esta é uma linguagem diferente da vida real, que é algo especial. Você cria um novo espaço”, nos explica. “Quando busquei encontrar uma representação visual para a minha música, me inspirei em homens dançarinos de flamenco, pois eles refletem a paixão pelo momento e pela música, algo que eu queria expressar. Busco encontrar equilíbrio entre masculino e feminino, força e fragilidade”.

Seu interesse por moda, entretanto, tem a ver apenas com usá-la como ferramenta para a sua arte. “Gosto de brincar com roupas dessa maneira, mas limito-me a isso. Gosto do efeito das blusas de seda, uso bastante as da Gucci e da Chanel. Às vezes, simplesmente compro um par de calças normal e levo para ajustar; os acessórios sempre encontro na Portobello Road”.

O EP Live for Burberry está à venda no iTunes e disponível para streaming na Apple Music.


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