10.08.2018 / Tecnologia / por

Impressão 3D: leia o especial sobre o assunto no FFW, dividido em três partes

Criação da holandesa Iris van Herpen / Reprodução
Criação da holandesa Iris van Herpen / Reprodução

Em 2013, o Goldman Sachs nomeou a impressão 3D como uma das oito tecnologias que irão acabar com a maneira como trabalhamos. Já existem áreas que estão completamente envolvidas com essa tecnologia, como a da saúde que, nos EUA por exemplo, produz mais de 90% de seus aparelhos auditivos via 3D, entre milhares de outros produtos. A arquitetura também está à frente desse novo fenômeno – no youtube, há vídeos com casas sendo impressas digitalmente.

Mas e na moda? Muito já está acontecendo nessa indústria e, com ainda mais sucesso, na de calçados. Marcas gigantes como Adidas já lançaram produtos que têm partes impressas digitalmente, como o Futurecraft 4D. Do outro lado, há jovens designers que têm se especializado nesta tecnologia, como Danit Peleg, que veio ao Brasil em 2015 para participar do festival de tecnologia e moda WeAr, e hoje uma das maiores especialistas mão na massa em impressão 3D na moda. Ela faz parte de um grupo que pensa e experimenta há alguns anos, produzindo em casa, vendendo e dando acesso a informações como criação e softers para criação de moldes. No meio do caminho há estilistas como Iris Van Herpen, que tem baseado o lado mais experimental de seu trabalho na impressão de roupas tridimensionais e escandalosamente lindas.

É um novo mundo que se abre e que vai causar muitas mudanças em todo o sistema de trabalho. A quantidade de coisas que já estão sendo construídas assim é enorme, assim como a quantidade de conteúdo útil e aberto para quem quer começar a experimentar com a impressão 3D ou simplesmente se informar – e há muitas iniciativas legais no Brasil.

Adidas Futurecraft 4D / Reprodução
Adidas Futurecraft 4D / Reprodução

Por isso, preparamos um especial que será dividido em três partes. Neste, que é o primeiro capítulo, vamos fazer uma introdução mais didática e resumida com os principais pontos sobre o assunto. No segundo (segunda-feira, 13.08) vamos trazer informações para quem quer colocar a mão na massa: os softwares abertos, as técnicas possíveis, os equipamentos e fios disponíveis, fornecedores de filamentos, possibilidades e um banco de artigos open source para você fazer download e imprimir. E na terceira parte (terça-feira, 14.08), vamos publicar uma lista com diversos links para você se informar, ver o que já está sendo feito, quem faz, os grupos de discussões e os sites especializados.

Este especial foi preparado com a colaboração de *Renan Serrano, expert em inovação na moda, CEO da startup visto.bio, onde parte é plugada no laboratório de inovações têxteis da USP e parte na comunidade pública de moda e tecnologia transparencia.me.

Pontos fortes x pontos fracos

Pontos fortes: Um dos melhores pontos é a contenção do desperdício, já que você injeta na máquina o material necessário para aquela quantidade de impressão, ou seja, é um super aliado a sustentabilidade. E não há limites quando pensamos em impressão 3D: tudo pode ser feito.Podemos ser tão complexos e detalhistas no tridimensional o quanto quisermos, e sem costuras. E com a tecnologia evoluindo cada vez mais, logo veremos sua adoção por empresas não só grandes, mas pequenas também. “Estamos vendo possibilidades de novos materiais, o custo das impressoras industriais estão baixando e sua velocidade aumentando”, diz Scott Paul, presidente da Alliance for American Manufacturing. “Você não irá substituir os maquinistas e operadores, apenas pedirá que eles aprendam uma habilidade diferente da que estão acostumados”.

No futuro, as marcas não precisarão de estoques grandes e não haverá a necessidade de todos aqueles produtos que ficam meses nas prateleiras esperando que alguém os leve pra casa. Quem já não foi em loja e não encontrou uma roupa ou um sapato no nosso número? Daí a vendedora logo pergunta: quer que eu veja se tem em outra unidade? Pois a loja terá uma impressora lá mesmo que vai imprimir o item na hora para você. Ou ainda, vender um molde online para você imprimir em casa (isso já acontece).

Pontos fracos: o que ainda segura a evolução da impressão 3D na moda é que as máquinas só aceitam materiais que, no final do processo, saem como formas sólidas, então, por enquanto, você não vai conseguir imprimir uma camiseta de algodão em casa. Por conta disso, as peças que estão surgindo produzidas inteiramente numa impressora digital têm uma estética similar: os tecidos parecem duros, sem muita maleabilidade ou conforto e as roupas são quase sempre vazadas.

Além dessa questão, se você é um jovem designer ou uma marca pequena, não é fácil ou barato trabalhar com impressão digital. A jaqueta que Danit Peleg faz e vende online, leva 100 horas para ser impressa. Muitas vezes você precisa de mais de uma máquina para conseguir trabalhar direito.

Algumas iniciativas de marcas/designers pequenos

Andreia Chavesandreia-chaves

Designer brasileira de sapatos baseada em Londres e uma das pioneiras em impressão 3D. Bjork, Lady gaga e Rihanna já usaram suas criações. Em 2011 ela criou uma série chamada Invisible Shoes em parceria com o estúdio de Amsterdam Freedom of Creation. Aqui tem uma entrevista que fizemos com ela em 2013.

WE.ME

Startup da brasileira Bia Barbosa de bijuterias impressas em 3D. A ideia surgiu do princípio de criar peças singulares gerando pouco resíduo. @weme3d

Danit Peleg:danit-peleg

Outra pioneira no assunto, a israelense não só faz as roupas, mas também ensina em workshops, faz muitas palestras pelo mundo e vende um modelo de jaqueta impressa tridimensionalmente por US$ 1.500. No site, você acompanha todo o processo, escolhe as cores, pode escolher um nome ou palavra para ser impresso na peça, é muito legal. Além de participar do festival aqui, ela também veio para a abertura dos Jogos Paraolímpicos do Rio para vestir a atleta Amy Purdy.

Anouk Wipprechtanouk-2

Designer hi-tech holandesa, Anouk combina ciência, tecnologia e moda para criar peças que vão muito além da tecnologia 3D. Suas peças podem vir com sensores corporais que checam níveis de stress e ansiedade, com uma extensa pesquisa sobre como podemos interagir com o mundo ao nosso redor através de nosso guarda-roupa. Entre seus clientes estão marcas como Adidas, Swarovski e corporações como Google e Microsoft.

Iris van Herpen:iris-2

Também holandesa, Iris está entre as mais brilhantes estilistas de sua geração, também pioneira no uso da impressão 3D, colaborando com grupos de arquitetos, cientistas e estudiosos na construção de cada coleção. Ela desfila na semana de Alta Costura em Paris, o lugar perfeito para suas criações complexas e que empurram a moda para frente.

ZER Collectionzer

Marca espanhola da dupla Ane Castro Sudupe e Núria Costa Ginjaume. Tem produção 3D feita em Barcelona usando como principal material o Filaflex. Até o zíper é produzido digitalmente.

Flyprintfkyprint

Sneaker da Nike feito por uma impressora customizada para a Nike. Através de uma impressão de alto desempenho, a Nike é capaz de se mover com precisão ainda mais rápido: a prototipagem é 16 vezes mais rápida do que em qualquer método de fabricação anterior. Veja abaixo um vídeo que mostra parte do processo:

Suzanne Oude Hengelsuzanne-2

Suzanne se posiciona como “knit researcher e footwear innovator”, unindo a sabedoria do 3D com o tricô feito em máquinas. Vale seguir seu perfil no Instagram, com fotos lindas cobrindo todo seu processo.

Quanto custa uma impressora 3D?

Uma das impressoras de impressão doméstica com qualidade profissional é a Witbox 2, que custa € 1.770. A Amazon já tem uma área que vende impressoras de preços variados e peças específicas. Aqui vai apenas um teaser de como funciona, mas na terceira e última parte deste especial sobre impressão 3D nós vamos fornecer muitos links e informações sobre as impressoras.

Fique de olho!

O site 3Dprint.com, especializado no assunto, está por trás dos eventos Inside 3D Printing, um dos maiores do mundo. Eles têm uma edição marcada para acontecer em São Paulo em junho de 2019 e irão abordar todas as áreas de impressão 3D, como arquitetura, medicina, joalheria e moda.

 

*Renan Serrano é formado em moda e abriu mão da carreira de estilista na marca Trendt.co após identificar que a maior parte do impacto ambiental de uma roupa está nas mãos do usuário. Hoje está por trás da startup visto.bio, onde parte é plugada no laboratório de inovações têxteis da USP e parte na comunidade pública de moda e tecnologia transparencia.me

Agradecimento especial à Joy Pires e à comunidade do transparencia.me, que inspirou e informou sobre muitas iniciativas bacanas para este artigo.


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