17.08.2017 / Design / por

Manifestações de ativismo e protesto são tema comum entre os indicados ao Beazley Designs of the Year 2017

A bandeira dos refugiados olímpicos, da designer Yara Said para a Amnesty International
A bandeira dos refugiados olímpicos, da designer Yara Said para a Amnesty International

Foram anunciados nesta semana os indicados ao prêmio Beazley Designs of the Year 2017, organizado pelo Design Museum, em Londres. Dividido entre seis categorias: arquitetura, digital, moda, gráfico, produto e transporte, o prêmio comemora as ideias de design mais preponderantes do ano com uma exposição que engloba mais de 60 projetos diferentes.

Num período em que vimos o Reino Unido votar a favor do Brexit, Donald Trump tornar-se eleito como o presidente dos EUA e uma tensão política agravar globalmente, muitos dos indicados, inevitavelmente, compartilham trabalhos com teor político e questões humanitárias, especialmente na categoria de design gráfico. A começar pela campanha Remain que o artista visual Wolfgang Tillmans desenvolveu contra o Brexit, divulgada em redes sociais e pelas ruas no mês que antecedeu o plebiscito. O resultado da votação impulsionou o projeto de cartões postais Me & EU, dos britânicos Nathan Smith e Sam T. Smith, que tem o intuito de evocar um senso de união e de manter as pessoas conectadas. Ainda nesta categoria, a bandeira dos refugiados olímpicos, criada por Yara Said para a Amnesty International; a série de 40 pôsteres criada por Michael Oswell em apoio ao candidato Jeremy Corbyn; e a campanha da ONU Mulheres Egito, assinada pelos ilustradores do estúdio japonês IC4 Design, que chama a atenção para a ausência de mulheres na política, ciência e tecnologia no Egito.

Da série Remain, de Wolfgang Tillmans ©Reprodução
Da série Remain, de Wolfgang Tillmans ©Reprodução

Também trazendo à luz a temática da igualdade de gêneros, um grupo de designers do Google (Augustin Fonts, Rachel Been, Mark Davis, Nicole Bleuel e Chang Yang) está indicado na categoria digital, junto com Pokémon GO e o serviço de apoio à refugiados Refugee Text, pelo projeto Professional Women Emoji, uma série de Emojis focada na representatividade da mulher em diversos campos de trabalho nos principais setores da economia. O pussyhat, gorrinho rosa inspirado pela frase grotesca de Trump “grab them by the pussy” que tornou-se símbolo de resistência política e solidariedade aos direitos da mulher, também faz seu splash entre os indicados a melhor design de moda do ano, assim como hijab esportivo lançado pela Nike, que abre um mar de possibilidades para a mulher muçulmana no esporte.

Professional Women Emoji ©Reprodução
Professional Women Emoji ©Reprodução

Kanye West também garantiu uma indicação no quesito moda com o merchandise da torne Life of Pablo e suas 21 pop-up stores. Ele compete ainda com Aitor Throup, pelo desfile da sua coleção Rite of Passage em que usou esculturas fantoche como modelos; a jaqueta interativa Commuter, criada pela Levi’s em parceria com o Google; e o projeto Ecoalf, que transforma o lixo encontrado no fundo do Mar Mediterrâneo em material 100% reciclado para confecção de tecidos.

Outros destaques incluem o The Calais Builds Project, realizado pelo designer Grannie em conjunto com migrantes vivendo em Calais e estudantes de arquitetura da Universidade de Limerick; a extensão de vidro criada sobre uma estação de bombeiros na Antuérpia, do estúdio da arquiteta Zaha Hadid; o Avy Search and Rescue Drone, desenhado para detectar e auxiliar barcos de refugiados em perigo, oferecendo coletes salva-vidas, mantimentos e possibilidade de comunicação; a primeira tinta feita com emissão de carbono a ser comercializada, a Air-ink; e mais projetos incríveis de arquitetura e criações assinadas por IKEA, OMA, David Adjaie, entre outros. Conheça todos os indicados aqui.

Os indicados ao Beazley Designs of the Year 2017 ficam em exibição no Design Museum, em Londres, de 18 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018, quando serão anunciados os 10 vencedores.


Relacionadas


Veja Também