PROFISSÃO SET DESIGNER:

HUGO S. TEIXEIRA

 

Cenários de Hugo S. Teixeira para Angela Brito, Harpers Bazaar e FFW. fotos: cortesia
Cenários de Hugo S. Teixeira para Angela Brito, Harpers Bazaar e FFW. fotos: cortesia
Angela Brito, verão 2021 por Hugo teixeira (Foto: Divulgação)
Angela Brito, verão 2021 por Hugo teixeira (Foto: Divulgação)

Nesta segunda entrevista da nossa série sobre a profissão de set designer, convidamos Hugo Teixeira, nome em ascensão e responsável pelo set da impressionante apresentação digital de Angela Brito, além de colaborar com os títulos Harper’s Bazaar e Glamour Brasil.

Hugo, qual sua formação? E quando você começou a também assinar como set designer?

Sou formado em Comunicação Visual e Design de Produto pela ESDI – Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ e também em Design de Moda pelo IED Rio. Comecei em 2017, logo que terminei o curso no IED. Saí com a certeza de que queria trabalhar com produção de imagem, mas não como stylist e também não como fotógrafo. Foi assim que descobri e comecei  a me aventurar nas estradas da direção de arte e, consequentemente, do set design. Me juntei com amigos e começamos a produzir editoriais autorais, submetendo-os para revistas internacionais independentes. Nesse processo eu passei a projetar essas imagens conceitualmente  como também a produzir os cenários e os objetos. Meus primeiros trabalhos foram campanhas para a Ahlma e o clipe do Heavy Baile com Luisa Sonza.

Hugo Teixeira (Foto: Divulgação)
Hugo Teixeira (Foto: Divulgação)

Sinto que esse foi um crédito que passou a aparecer nas revistas e sites não só nacionais, como internacionais, com mais frequência. Porque você acredita que isso aconteceu? 

Acredito que seja em função do aumento da demanda e valorização desse profissional no mercado e pela necessidade de construção de narrativas visuais mais atraentes. Set design é a materialização do conceito pensado pela direção criativa ou de arte, através de qualquer elemento dentro de uma cena – que não seja a modelo, a roupa e a beleza. Podem ser salas, ambientes ou paisagens inteiras. Simples objetos, escolhas e modificações de locações, animais, veículos, vento, chuva ou só um fundo fotográfico. Como hoje em dia somos estimulados visualmente o tempo todo, o diferencial vem através da capacidade de construir universos imagéticos criativos, bem construídos, mais elaborados, coerentes e impactantes. É preciso se destacar diante de tanta concorrência. Então esses profissionais que vão pensar, construir esses cenários e produzir os objetos ganham importância. E que bom que os créditos passam a aparecer e nos incluir mais. É muito importante para os profissionais esse reconhecimento, já que a grande maioria são profissionais autônomos e dependem dessa visibilidade para divulgar o trabalho. E convenhamos, a realidade é que todos os profissionais participantes de um projeto deveriam ser creditados. Dos diretores criativos até os assistentes e técnicos, porque é como dizem: “quem vê close, não vê corre.” E é muito corre.

Quais os maiores desafios?

Acho que é a viabilização de projetos complexos dentro de orçamentos quase inexistentes. Às vezes as ideias são lindas, mas caras e complexas de se executar. E a grande maioria das pessoas não faz ideia dos valores e logísticas de produção necessárias para tal. Então muitas vezes o desafio é trazer as ideias mais ambiciosas para uma realidade viável que possibilite sua execução. É produzir todos os componentes cenográficos da melhor forma possível e ainda chegar no resultado final esperado. Outro desafio é o planejamento da pré-produção e antecipar imprevistos. Gosto de estar sempre preparado para qualquer possível eventualidade. Tento sempre pensar o que pode dar errado no dia e que solução já terei para apresentar.

Como um elemento visual, o design do set dialoga também com o styling, a estética do fotógrafo, etc… Como se dá essa troca com os outros profissionais? Ou acaba sendo algo independente? 

O set design ajuda a contar melhor a história pretendida, adicionando significados, detalhes, materiais, texturas as imagens. Então esse diálogo é fundamental. O set design precisa estar alinhado com todos os outros setores. Quanto mais alinhada a equipe estiver, melhor o processo no dia e resultado final. Nos trabalhos, os meus maiores diálogos se dão com os fotógrafos – pensando nas composições, e entendendo como a luz vai funcionar nos materiais do cenário; com os stylists – os looks precisam funcionar no cenário e vice-versa. Cores, materiais, texturas e volumes que precisam dialogar; e com os próprios modelos – entendendo a interação deles com o cenário. É a construção conjunta da cena: acting – roupa – cenário – luz. Assim o trabalho de todo mundo se complementa e se potencializa.

Pode citar alguns trabalhos por quem sente um carinho especial?

O editorial da Títi pra Bazaar Kids (minhas primeiras capas), a apresentação digital mais recente da Angela Brito apresentada na SPFW (em novembro) e o editorial especial também para Angela Brito para o FFW. Meus autorais também sempre terão um lugar especial justamente por ter aprendido grande parte do que sei experimentando neles e por ter conquistado tudo o que venho conquistando graças a eles. Inclusive muito animado pra soltar dois projetos que estão em pós-edição, mas que logo saem [risos]. titi_bazaarkids_1

@hugstex


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