22.04.2020 / Moda / por

London Fashion Week fará semana de moda digital e sem gênero dominante para junho

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Após a experiência 100% digital testada pela Shanghai Fashion Week em março, o British Fashion Council e a London Fashion Week anunciaram em conjunto uma mudança na mesma direção para a semana de moda britânica.

Tudo ocorrerá de uma nova maneira, em uma plataforma digital e destinada tanto à buyers quanto ao consumidor. “É essencial olhar para o futuro e para a oportunidade de mudar, colaborar e inovar. Muitos de nossos negócios sempre adotaram a London Fashion Week como uma plataforma não apenas da moda, mas também de sua influência na sociedade, identidade e cultura. A atual pandemia leva todos nós a refletir mais pungentemente sobre a sociedade em que vivemos e como queremos viver nossas vidas e criar nossos negócios”, comentou Caroline Rush, CEO do BFC.

Durante a data em que a London Fashion Week Men ocorreria – a partir de 12 de junho – será realizado o evento digital, hospedado em londonfashionweek.co.uk, com desfiles, entrevistas, podcasts, diários dos designers, seminários online e showrooms digitais, tudo aberto para todos, profissionais, consumidores e fãs.

Nos próximos 12 meses, os desfiles femininos e masculinos se fundirão em uma plataforma de gênero neutro, permitindo maior flexibilidade às marcas e estilistas.

Muitas reflexões estão surgindo em torno das semanas de moda e, de fato, há a necessidade de mudanças práticas e efetivas em relação a isso. A Shanghai Fashion Week  foi a primeira a realizar um evento 100% digital, com mais de 150 designers fazendo livestream de suas coleções na plataforma de e-commerce Tmall, que pertence ao grupo Alibaba. Para enriquecer a experiência de visualização, alguns estilistas compartilharam suas inspirações com os fãs em tempo real, enquanto outros fizeram uso do formato see now buy now, permitindo ao público comprar peças da passarela com seus telefones. Os consumidores puderam comprar produtos da temporada atual ou encomendar novos looks das coleções de outono.

Segundo o evento, 2,5 milhões de espectadores acompanharam as primeiras três horas da transmissão.

Em Londres, a plataforma terá um viés colaborativo, reunindo conteúdo multimídia exclusivo de designers, criativos, artistas e parceiros de marca, reunindo moda, cultura e tecnologia. “Do outro lado desta crise, esperamos que seja sobre sustentabilidade, criatividade e produto que você valoriza, respeita e valoriza. Ao criar uma plataforma cultural da semana da moda, estamos adaptando a inovação digital para melhor atender às nossas necessidades hoje e desenvolver uma vitrine global para o futuro”, diz Caroline.

Porém, este evento digital que vai acontecer em junho, não significa o cancelamento da edição de setembro da semana de moda. Em vez disso, essa nova configuração surge como uma possibilidade de flexibilidade para as marcas designers dentro do calendário de moda.

Naturalmente, esta primeira edição será um experimento que deverá ir se ajustando conforme ele ocorre. Em Shangai, ocorreram falhas nas transmissões e os vídeos pré-gravados tinham uma resolução muito baixa, o que podia dar ao público uma ideia inadequada sobre a qualidade das roupas e do design. Outro ponto que se perde, e é um dos grandes trunfos do desfiles enquanto evento é a experiência emocional vivida em um desfile ao vivo. Este é um dos maiores desafios desse novo momento que pode encontrar um caminho através o uso da Realidade Aumentada.

Em termos de alcance de público, talvez esta seja a única maneira de realmente democratizar o acesso à moda mostrada nos desfiles. Em uma experiência digital, muito mais gente no mundo poderá ter acesso a exatamente o mesmo conteúdo.

Ainda não sabemos se, quando o período de isolamento terminar, as coisas voltarão ao normal de antes. Após virar digital, as marcas voltarão a realizar o desfile físico? Há muitos excessos na produção de um desfile: no circuito internacional, centenas de profissionais viajam de avião entre uma capital da moda e outra para ver ou trabalhar nas centenas de desfiles que compõem os calendários. Há quantidades enormes de lixo (orgânico ou não), cenários caríssimos construídos para durar apenas 20 minutos, etc. O mega diretor de desfiles Alexandre de Betak anunciou que, a partir deste ano, só vai produzir desfiles sustentáveis.

Tudo está em aberto, mas as plataformas digitais inovadoras como solução para apresentar as coleções são um passo significativo para a indústria da moda, acelerando uma mudança que já estava em andamento.


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