25.07.2016 / Cultura / por

Stranger Things: o casting, o estilo, as referências, a trilha e mais sobre a série que vem conquistando fãs

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Aviso: contém spoiler

A primeira temporada de “Stranger Things” foi lançada dia 15 de julho pela Netflix e já é conversa quente no meio pop. De fato, ela rende muito assunto, pois é passada nos anos 80 e traz referências claras de diversos filmes cults da década (veja abaixo), misturando romance adolescente, aventura, ficção científica e terror. A cada episódio, vamos nos lembrando de filmes que marcaram nossa infância e adolescência (dos nascidos nos anos 70 até 1980), com trilha sonora igualmente nostálgica. Para a geração que hoje tem entre 35 e 45 anos, “Stranger Things” é um deleite, uma volta aos filmes sem muita computação gráfica e que despertam tantas memórias dessa década particular. Para os mais jovens, a série pode ter outro sabor e talvez não seja tão interessante (vocês me falam nos comentários).

Sem entregar muito, é a história sobre o desaparecimento de um menino e o impacto que isso gera, envolvendo as pessoas da cidade, um grupo de crianças, criaturas bizarras, um laboratório secreto do governo, uma menina super poderosa e uma dimensão paralela conhecida como Upside Down, onde certamente, você jamais gostaria de ir.

Assista ao trailer abaixo:

Elementos dos 80’s no estilo

Os adolescentes de Stranger Things, com Steven, Nancy e Barb ©Reprodução

O figurino assinado por Malgosia Turzanska e Kimberly Adams-Galligan é bem fiel a uma porção dos anos 80. Não é o lado Madonna, passa longe dos new romantics e da melancolia poética dos darks para focar no estilo de “pessoas comuns” da pequena cidade Hawkins, em Indiana. Os cabelos, especialmente o do adolescente Steven, com topete volumoso, e o da mãe de Nancy, são bem característicos da década. Para compor a mãe desesperada Joyce, Winona Ryder olhou para o corte de cabelo de Meryl Streep em “Silkwood” (1983), de Mike Nichols. Já as roupas trazem códigos como calças de cintura mais elevada, jaquetas mais amplas, polos, Nancy e Barb com looks de meninas corretas e suas blusas com gola de babados.

Os diretores gêmeos

Os gêmeos Matt e Ross Duffer ©Reprodução

Os Duffer Brothers, que assinam a criação e direção de “Stranger Things”, são os irmãos gêmeos Matt e Ross, de 32 anos. Fãs de terror e ficção científica, essa série é seu turning point na carreira. Antes, haviam feito “Hidden”, um thriller de 2015 sem muita repercussão.

As referências

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Os meninos de bicicleta, como em Goonies, ET e Stand by Me ©Reprodução

As primeiras lembranças que vêm à mente são “ET”, “Goonies” e “Stand by Me”, filmes de meninos pré-adolescentes, andando em turma com suas bicicletas – sempre buscando por algo – por suas pequenas cidades. Aliás, no teste para o casting, os meninos tinham que interpretar cenas de “Stand by Me”, que tem similaridades com a história de “Stranger Things”: um grupo de amigos em busca de um garoto perdido. Outro ponto em comum é que “Stand by Me” é baseado em uma história de Stephen King, que é uma grande referência para os irmãos Duffer. King já tuitou que adorou o seriado e que é como ver seus “greatest hits”, mas como um elogio.

Vemos muito de ET na relação entre Michael e Eleven, até mesmo uma cena em que ele a esconde no guarda-roupa. “Alien”, de Ridley Scott, “Hellraiser”, de Clive Barker, “A Coisa”, de John Carpenter’, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” e “Tubarão”, ambos de Steven Spielberg, são outras inspirações. No caso de “Tubarão”, os diretores pegaram a forma como o suspense é feito em torno do surgimento do tubarão. “Dá um pouco e tira. Sem entregar tudo de cara, você tem como seguir em frente sem perder a tensão”, disseram. E na parte dos adolescente, lembramos dos filmes de John Hughes, como “A Garota de Rosa Choque” (Pretty in Pink).

Trilha

O duo Survive, responsável pela trilha da série ©Reprodução
O duo Survive, responsável pela trilha da série ©Reprodução

Outro ponto alto da série, a trilha é assinada pela dupla Kyle Dixon e Michael Stein, da dupla Survive. Como Survive, eles assinam a faixa da abertura, bem climática, um abre alas pra atmosfera da série. Ao longo dos episódios, ouvimos “Should I Stay or Should I Go” (tem uma cena muito boa com essa música), do The Clash, “Nocturnal Me”, doEcho and the Bunnymen, as atmosféricas “Elegia”, de New Order, e “Atmosphere”, do Joy Division, passando por Bangles, Dolly Parton e “Africa”, hit do Toto, que faz fundo para uma cena de amor paralela a uma cena de horror. Clímax e anti-clímax, on & off.

Os diretores queriam que a música fosse uma parte grande da série. A principal coisa passada para eles no briefing foi sobre a personagem Eleven. “Eles queriam algo especial para ela. Fizemos algumas versões de temas para Eleven e partimos daí para o resto da série. Tínhamos que cobrir uma variedade grande de momentos e personagens, de horror a romance, de aliens a infância”, disse Stein.

A atmosfera de suspense é constante. Se há conforto, ele dura pouco. Aqui, nunca sabemos o que irá acontecer. A música pode dar uma dica, mas podemos ser surpreendidos. Os arranjos e sons de ambientação também são muito bem construídos.

A dupla é baseada em Austin, Texas, e trabalha junto desde 2008. Em 2014, uma produtora de Hollywood comprou duas músicas deles para o thriller “The Guest”. Stein é obcecado por cinema e cresceu ouvindo trilhas de filmes. Gostam de Tangerine Dream, que fizeram trilhas que os inspiraram, como “Thief” e “Sorcerer”. Suas redes sociais já podem ser divididas entre antes e depois de Stranger Things.

Ela está completa no Spotify.

Casting

Lucas, Dustin, Mike e Eleven ©Reprodução
Lucas, Dustin, Mike e Eleven ©Reprodução

Winona Ryder está de volta no papel de Joyce, mãe de Will, o garoto desaparecido. Estrela do início dos 90, ela é fã do cinema dos anos 80 e ajudou os diretores com várias referências. Winona está ótima, mas são as crianças que roubam a cena. O grupo de garotos Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin), Will (Noah Schnapp) e o maravilhoso Dustin (Gaten Matarazo), mais a super poderosa Eleven (Millie Brown), provoca risadas, torcida e fazem a gente sentir o medo que eles sentem. O casting das crianças foi a primeira coisa a ser feita assim que a Netflix deu ok pra série. Os diretores sabiam que muito da história estava em cima delas e que poderiam representar o sucesso ou a morte do seriado. Viram mais de 1000 crianças e de todas elas, tiraram essas cinco. “Não era como se houvesse duas opções para Eleven ou para Lucas. Não tinha. Eram essas cinco que foram muito bem e só. O nível geral é muito baixo. As crianças aprenderam a fazer carinha bonita pra câmera e só”, disseram ao site da Variety.

Millie Brown

Millie Brown como Eleven ©Reprodução
Millie Brown como Eleven ©Reprodução

Impossível não se apaixonar por Eleven, interpretada pela britânica Millie Bobby Brown, 12 anos. Com o cabelo raspado e olhar forte e triste, ela é a personagem mais misteriosa de “Stranger Things”. El fala pouco, mas seus olhares expressam tristeza, medo ou poder, certamente mais difícil de ser construída, especialmente para uma menina tão nova. Fora da série, ela é extrovertida, usou uma camiseta do Brasil para agradecer a audiência brasileira e ainda canta bem, como podemos ver no vídeo abaixo, postado em seu canal no You Tube, fazendo uma homenagem a Amy Winehouse, por quem é obcecada. Millie tinha cabelos longos e raspou tudo para o papel. “Foi difícil pros meus pais. Eles ficaram chateados, mas eu consegui convence-los no final”. Os diretores mostraram a ela uma foto de Charlize Theron em “Mad Max”, em que a atriz está com os cabelos raspados – e linda.

O monstro

Era um sonho para os diretores criar um monstro no cinema. “Nós crescemos com os filmes de terror antes da computação gráfica e quisemos voltar a isso. Colocamos uma pessoa em um traje com elementos animatrônicos para que a gente pudesse filmar em tempo real com nossos atores”, disseram ao site Vulture. Eles olharam para Guillermo del Toro, Clive Barker e H.R. Giger, buscando entender os itens que faziam seus monstros funcionar tão bem. Normalmente eles pareciam humanóides, mas com uma característica que o tornavam bem bizarros.

Os Duffer entraram em contato com a Spectral Motion, a empresa que cria os monstros para del Toro. “Eles têm um ótimo engenheiro de robótica, que construiu aquela cabeça em forma de pétalas, que eram programadas para abrir de forma randômica, dando a sensação de algo orgânico e vivo”, diz Ross.

Já para criar o mundo Upside Down, eles buscaram referências no videogame Silent Hill e em “Alien”. “Upside Down é a sombra do nosso próprio mundo”, disseram. E é assim mesmo que eles constroem essa dimensão paralela, tão longe, mas tão perto.

Temporada 2

Will... ©Reprodução
Will… ©Reprodução

Segundo o ator Matthew Modine, o Dr. Martin Brenner, haverá uma segunda temporada, ainda não confirmada oficialmente pela Netflix. O último episódio deixa algumas pistas sobre o paradeiro de Eleven e as consequências da experiência vivida por Will. O que esperar? Os diretores querem preservar essa sensação de que ninguém está seguro e tudo pode acontecer. “Will passou uma semana em Upside Down e isso teve um efeito nele, emocional e quem sabe, físico”, conta Ross. “A ideia é que ele escapou esse lugar de pesadelo, mas será que escapou mesmo? Esse é um lugar que queremos explorar na segunda temporada. Qual efeito ficar lá por uma semana tem em Will? E o que isso fez com ele? Obviamente, não é nada bom”.


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