06.02.2018 / Cultura pop / por

Conheça o Clube Lambada, estúdio criativo que mistura Nordeste, cultura gay e fenômenos da internet

O trio de por trás do clube lambada: Herbert Loureiro, Matheus Sandes e Pedro Nekoi fundaram a plataforma em 2016 ©Divulgação
O trio de por trás do clube lambada: Herbert Loureiro, Matheus Sandes e Pedro Nekoi fundaram a plataforma em 2016 ©Divulgação

Por Patrick Vidal

Foi pelas mãos dos artistas Herbert Loureiro, Matheus Sandes e Pedro Nekoi que surgiu em 2016 o projeto Lambada. Todos gays e de origem nordestina, os amigos decidiram levar suas referências de vida, arte e expressão para a tela do computador, de onde passaram a produzir interessantes peças gráficas e trabalhos que vão de direção de arte à criação de objetos e acessórios, sempre com um viés colorido e bem humorado.

Altamente influenciados pela internet, que transforma ídolos do passado e vídeos engraçados em fenômenos instantâneos, criando novas expressões e até modos de agir, o trio já fez trabalhos para marcas como Lush, Avon e Melissa, com quem lançou uma linha de acessórios em edição super limita e que está à venda nas flagships da marca emSão Paulo, Nova York, Londres. “A Melissa entrou como uma plataforma gigante, um trampolim para a difusão desse nosso mood, que fala sobre o nordeste, sobre a cultura e o imagético gay”.

No papo abaixo, eles contam melhor sobre seus projetos e processos criativos:

Colagem de fim de ano do Clube Lambada ©Reprodução Instagram
Colagem de fim de ano do Clube Lambada ©Reprodução Instagram

Como surgiu a Lambada?

A ideia de criar a Lambada surgiu em 2016. Nós já desenvolvíamos nossas produções criativas separadamente e percebemos que tínhamos temas e estéticas que se comunicavam entre si, apesar de cada um ter seu estilo e sua área de atuação. E daí achamos que juntos poderíamos explorar novas ideias e levar nossos trabalhos para diversos caminhos. O estúdio nasceu e, inicialmente, começamos a participar de feiras independentes e, paralelamente, começamos a desenvolver produção e direção criativa para projetos de marcas como Bed Head, Lush, Avon e, mais recentemente, a parceria com a Melissa.

Vocês se conheceram no Nordeste?

Nossa, a timeline da Lambada é bem doida! O Matheus e o Herbert já se conheciam de quando moravam em Maceió, desde 2006, mais ou menos. E eu, que na época morava em Recife, era amigo virtual deles. Como vários jovens que viveram pós a virada do milênio, a internet foi nosso ponto de encontro pré-Lambada. E aí que em 2016, nós três já estávamos residindo em São Paulo e veio a ideia de nos unirmos pra explorar esse nosso lado loucurinha nordestina gay criativa. haha Como cada um tinha uma estética própria (ilustrações, fotografia e colagens) achamos que seria uma boa combinação. Além disso, nossas produções giravam em torno de temáticas bastante parecidas: moda, orgulho gay, muitas cores e umas loucuras tropicais.

No mundo da internet, como os memes, referências, notícias, piadas e práticas linguísticas influenciam a arte de vocês?

Influenciam muito! De 10 palavras faladas por nós, 11 são falas icônicas de nossas referências. Viemos de um lugar onde o nosso sotaque arrastado chama atenção e de uma parte do Brasil mais atrevida, mais quente. Por isso, somos 100% afetados pela nossa cultura nordestina e por todos esses ídolos que a internet criou.

Apesar do pouco tempo de estrada, vocês já participaram de boas feiras independentes. 

As feiras são ambientes muito inspiradores: além da gente poder apresentar nosso trabalho para os visitantes, há esse contato especial com um monte de gente incrível e talentosa (e que a gente acaba virando amigo). Na maioria das feiras também, há um senso de comunidade entre os expositores que é muito importante, já que de certa forma apoiamos uns aos outros. É muito interessante estar em contato com esses pequenos produtores, pessoas que vivem experiências parecidas com as nossas. As feiras na real também são um motivo para a gente continuar produzindo. Somos consumidos por nossos trabalhos fixos, que nos tomam a maior parte do tempo, mas entendemos que é necessário materializar nossos desejos e ideias para manter a mente ativa e fresca.

O que é importante comunicar nos seus projetos?

Acreditamos no diálogo como forma de construção para qualquer coisa. Sempre pensamos em algo que possa criar sensações em quem vê nosso trabalho. Queremos que as pessoas se divirtam, se surpreendam ou até mesmo fiquem um pouco confusas com o que elas estão vendo. O diálogo que criamos no projeto da Melissa foi muito especial. Fizemos o que costumamos fazer com os nossos projetos e a Melissa entrou como uma plataforma gigante, um trampolim pra difusão desse nosso mood, que fala sobre o Nordeste, sobre a cultura e o imagético gay. Mas é tudo de uma forma muito simples, direta e natural. A gente fala sobre essas coisas por que é isso que nós somos e isso que queremos comunicar: o que a gente é exatamente.

Quais os planos futuros do grupo?

A gente tá a todo momento pensando em um milhão de coisas novas! Desde criar um livro a lançar um single! Bem megalomaníacos. Mas é exatamente esse nosso plano futuro: poder explorar nossa criatividade em campos que nunca exploramos. Vamos ver no que isso aí pode dar.

Quais e quantos objetos o grupo desenhou para a colaboração com a Melissa? 

Para a Melissa, desenvolvemos uma coleção com três acessórios: um cinto longo dupla face (um lado com degradê e “Lambada” e o outro com várias frases engraçadas que amamos tipo “Choque de Monstro” e “Nordestiny’s Child”); um lenço com três estampas (cada estampa feita por um de nós da Lambada); e um penduricalho multiuso feito com placas de acrílico cortadas a laser e cordas diversas. É uma produção limitada, com cerca de 5 a 15 unidades de cada acessório, produzida toda no Brasil e com venda nas Melissa de São Paulo, Londres e Nova York.

Como o público pode adquirir trabalhos do Lambada?

A gente vê a Lambada como o nosso momento de explorar a criatividade e poder produzir coisas sem muita pressão. Nossos produtos refletem esse nosso ponto, por isso geralmente são únicos ou com tiragem limitada. A nossa principal maneira de vender ainda é no tete-a-tete: nas feiras, onde a gente mesmo explica o produto e sai da nossa mão pra de quem compra. A gente quer muito conseguir fazer um pequeno estoque de produtos pra poder vender numa loja online. É um dos nossos planos pra 2018! Além disso, nosso Instagram é uma ótima plataforma de vendas pra gente também. A pessoa manda mensagem pra gente e, se o produto ainda estiver disponível, a gente consegue enviar.


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