07.11.2018 / Cultura pop / por

As curiosidades por trás do figurino do filme Bohemian Rhapsody

Croqui do figurinista Julian Day / Reprodução
Croqui do figurinista Julian Day / Reprodução

Quem já assistiu a Bohemian Rhapsody, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros, não tem como não se impressionar com a atuação Rami Malek no papel de Freddie Mercury.

Tão importante quanto a música do Queen e o vocal potente de Mercury, o figurino de Freddie no palco era um show a parte e virou uma porção da identidade da banda. O cantor costumava dizer: “o que você está vendo não é um show e sim um desfile”. Fã de moda, ele tinha uma lojinha no Kensington Market, em Londres, nos anos 70, junto com sua amiga Mary Austin, que depois viria a ser o rosto da Biba, marca britânica influente nas décadas de 60 e 70.

Para reconstruir os looks icônicos do cantor e de seus parceiros Brian May, Roger Taylor e John Deacon, o figurinista Julian Day mergulhou nos arquivos do Queen, pegou peças emprestadas do próprio Brian May e foi atrás das marcas originais que Mercury usava para reconstruir algumas das peças mais importantes.

Brian May ainda tem muitas peças originais de Zandra Rhodes, inclusive o top plissado branco (veja abaixo). Mas ele não pode ser usado no filme porque já está bem envelhecido e em um tom creme.

Julian assinou o figurino de Control, filme que retrata outra banda icônica, o Joy Division, e também está por trás das roupas de Rocketman, sobre Elton John.

Abaixo, algumas curiosidades sobre a reconstrução do figurino de Freddie Mercury, que brinca com o flamboyant e o “macho man”.

Mary Austin e Freddie Mercury / Reprodução
Mary Austin e Freddie Mercury / Reprodução

Mary Austin influenciou Freddie Mercury em relação à moda. Super estilosa, ela trabalhava na loja Biba, era praticamente o rosto da marca devido ao seu bom gosto e senso se moda. Foi ela quem o levou até a Biba e introduziu um look mais flamboyant, com blazers e calças de veludo, blusas inspiradas nos anos 30 e peles. É dessa época que vem as grandes mangas, as sedas e os tecidos luxuosos que ele usou e que, além da estética, tinham também a delicadeza do movimento. E Freddie, desde o início, era puro movimento.

Rami male como Freddie Mercury usando o top de Zandra Rhodes / Reprodução
Rami male como Freddie Mercury usando o top de Zandra Rhodes / Reprodução

É da estilista britânica Zandra Rhodes o top branco plissado que Freddie usa em um show de 1974. Diz a lenda que ele foi ao seu ateliê e a viu fazendo um vestido de noiva. Na hora disse que precisava ter aquela peça e que gostaria de ficar com a parte de cima. Zandra então cortou a saia e deu a ele o top. Para o filme, o figurinista pediu para a estilista reproduzi-lo em um tecido mais leve.

Croqui de Julian Day para o filme Boheman Rapsodhy / Reprodução
Croqui de Julian Day para o filme Bohemian Rhapsody / Reprodução

Mercury adorava os jumpsuits de spandex, que davam a ele liberdade para se movimentar à vontade e a interagir com o público. Day recriou o body que foi vendido em um leilão em 2012 por £ 22 mil. O trabalho foi complexo: cada micro diamante tinha que ser cortado e costurado junto. Só para essa peça, foram necessárias 30 provas de roupa. Seu efeito no palco é glorioso pois ele “responde” quando as luzes se acendem. A Adidas também reproduziu os modelos dos tênis da marca que Freddie usava.

Croqui do look do Live Aid, em 1985 / Reprodução
Croqui do look do Live Aid, em 1985 / Reprodução

Para reconstruir o look do show histórico do Live Aid, em 1985, Julian pediu a Wrangler que fizesse a calça no estilo original que Mercury usou no show. Ele ainda descobriu a loja onde Freddie comprou o cinto e o bracelete de tachas. E a regata branca ele fez em atelier – fez 30 testes até chegar no caimento e modelagem certos.

Obra de Tom of Finland / Reprodução
Obra de Tom of Finland / Reprodução

Nos anos 80, já abertamente gay, seu look mudou para jaquetas de couro com inspiração BDSM (bondage, disciplina, sadismo e masoquismo), jeans justos e regatas inspiradas no trabalho de Tom of Finland (1920 – 1991), artista finlandês conhecido por sua obra homoerótica. “Hoje em dia essa estética fetichista está em todos os lugares e é fácil esquecer como era radical se vestir dessa forma no palco e em público naquela época”, diz Julian Day. Outra influência dessa época foi o Mineshaft, o clube noturno gay no Meatpacking District, em Nova York. Lá havia uma placa na frente que dizia que você não podia usar roupas esportivas. “Então era um lugar escuro onde havia muita coisa de couro e cravejado de tachas. E ele entrou nisso”, lembra o figurinista.

Para ouvir enquanto lê a matéria, para dar vontade de ver o filme ou simplesmente rever um dos momentos históricos do Queen no Live Aid 1985:


Relacionadas


Veja Também