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    O que é o bracketing e os problemas que ele esconde

    Fenômeno de ‘comprar roupas idênticas para depois devolver’ causa prejuízo de milhões e faz marcas e redes de departamentos repensarem sua política de troca e entrega.

    O que é o bracketing e os problemas que ele esconde

    Fenômeno de ‘comprar roupas idênticas para depois devolver’ causa prejuízo de milhões e faz marcas e redes de departamentos repensarem sua política de troca e entrega.

    POR Julia Lange

    Especialmente durante a pandemia, vídeos com a hashtag “keep it or return it” (em tradução livre “manter ou devolver”), se tornaram virais, com milhões de visualizações e interações. O conteúdo é bem simples: alguém mostra as compras de roupas mais recentes, em muitos casos o mesmo item em várias cores e tamanhos, experimenta as opções e pergunta aos seguidores: “será que fico com essa ou devolvo?”. O que parecia inofensivo num primeiro momento – afinal, quem nunca devolveu ou quis trocar alguma peça? – ganhou proporções gigantescas devido à facilidade das devoluções gratuitas.

    Essa cultura de compras e devoluções constantes, especificamente de itens em que só se muda o tamanho e cor, ganhou o nome de bracketing. Febre no TikTok, é difícil resistir a essa interação com muitos dos influenciadores mais famosos, que fazem todo o processo ser até mesmo divertido. “Lembro que no primeiro ano da pandemia, eu nem sabia ainda que podia devolver tantas peças sem ter que pagar por isso. Quando vi uma influencer falando sobre quantas roupas ela ia devolver numa live do Instagram, não teve mais uma compra online que eu não tenha devolvido pelo menos uma peça. É quase viciante poder provar em casa e só aí decidir se quero aquilo ou não”, contou Luiza*, uma estudante de 23 anos que preferiu não se identificar.

    Afinal, quem faz bracketing?

    De tiktokers com milhões de seguidores a jovens que levam uma vida longe das câmeras, o perfil de quem faz bracketing tem muitas facetas. Inúmeras influenciadoras de moda do TikTok do país viralizaram na pandemia exatamente com vídeos no formato “conversando” com seus seguidores sobre ficar com uma peça ou devolvê-la para a loja.

    Já aconteceu de eu comprar algumas peças iguais, só em cores diferentes e usar algumas vezes e depois devolver. Como eu ia saber se ia ficar bom em mim? Essa facilidade é muito boa e me faz querer comprar online toda vez”, disse outra estudante, de 19 anos, que também preferiu não se identificar.

    Os prejuízos para as marcas

    De benefício, a garantia da devolução gratuita passou a ser uma das maiores dores de cabeça para as marcas. Em 2021, dados da National Retail Federation dos EUA mostram que os consumidores devolveram cerca de 218 bilhões – sim, bilhões – de dólares em mercadorias que compraram online. Dados de 2023 já provam que 60% dos que compram online no país praticam o bracketing. Causando prejuízos que vão desde os custos altos de logística até o produto “morto” (que não podem ser revendidos) nos depósitos, os grandes nomes do mercado já começaram a mudar suas políticas de devolução.

    No início de 2023, a gigante Zara passou a cobrar 1,95 euro (quase R$ 11 na cotação atual) por peça devolvida na Espanha, com o objetivo de “diminuir os custos das suas operações”, conforme nota oficial. A medida já havia sido implementada em 2022 em outros países como Reino Unido, França e EUA. Outras marcas como H&M e Uniqlo também passaram a cobrar por devoluções de compras online nos mesmos mercados. No caso do Brasil, a Zara ainda não aplica as cobranças, desde que as peças sejam devolvidas seguindo algumas diretrizes básicas, que vão de tempo de compra até estado do item.

    A Amazon anunciou na semana passada o uso e implantação de um sistema de Inteligência Artificial em seu site que auxilie os consumidores a visualizar o tamanho e cor das peças em seu corpo, visando diminuir o número de devoluções.

    O impacto ambiental de tantas devoluções

    É claro que além dos custos para as empresas em si, o meio ambiente sofre – e muito! – com as devoluções desenfreadas. Isso significa mais embalagens, mais transportes desnecessários e uma produção cada vez maior de peças. “Muitos varejistas acabam jogando fora mais de 25% de suas devoluções”, disse Tobin Moore, CEO da Optoro, à CNBC em 2019. “Isso acaba representando mais de 5 bilhões de libras (o que equivale a quase R$ 31 bilhões) de mercadorias que acabam em aterros um ano após as devoluções.”.

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