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    Projeto Traces
    Projeto Traces
    POR Augusto Mariotti

    Por Laura Artigas, em colaboração para o FFW

    Oskar Metsavaht durante mesa redonda no SPFW Verão 2012/2013 ©Agência Fotosite

    “Comprar muito não é contemporâneo”. “O luxo do Brasil é o novo luxo”. “A maioria das grandes marcas perdeu sua essência e sua história querendo vender muito”. “O governo precisa criar incentivos para iniciativas sustentáveis”. Com estas afirmações enfáticas, Oskar Metsavaht, diretor de criação da Osklen, arrancou aplausos dos jornalistas e dos convidados que compareceram à apresentação do Projeto Traces, na manhã da quinta-feira (14.06), quarto dia de São Paulo Fashion Week Verão 2012/2013.

    A iniciativa criativa e sustentável também foi abraçada pelo evento em sua 33ª edição. Além de Oskar (ele também acumula o cargo de presidente do Instituto-e), compunham a mesa de debates Conrado Clini, ministro do Meio Ambiente da Itália; Rafael Cervone, diretor do Programa TexBrasil, da ABIT; e Martina Hauser, coordenadora do projeto Traces no Ministério do Meio Ambiente da Itália. Paulo Borges, diretor criativo do SPFW, mediou a conversa. Imagens do projeto recebem os visitantes que entram no prédio da Bienal.

    A cooperação entre o Instituto-e, dirigido por Metsavaht, e o Ministério do Meio Ambiente da Itália surgiu de uma camiseta. Martina veio passar o ano novo no Brasil e se deparou com um modelo de algodão orgânico da Osklen no hotel Fasano, onde estava hospedada. “Perguntei ao atendente do lugar onde poderia encontrar aquela marca. E fui ao shopping visitar a loja”, relembra. De volta à Itália, contatou o Consulado Brasileiro. E começaram as conversas.

    Os italianos elegeram seis peças produzidas pela Osklen para rastrear a cadeia produtiva, medir a emissão de carbono e o impacto social. Os resultados estarão descritos em uma etiqueta anexada às peças. “O objetivo principal do projeto Traces não é proteger o meio ambiente. Trata-se de uma metodologia para mapear e garantir a qualidade da cadeia produtiva e um alerta para o consumidor”, explica o ministro do Meio Ambiente da Itália, Conrado Clini.

    Veja o exemplo:

    Mochila da Osklen exposta na entrada da Bienal ©Felipe Abe/FFW

    Detalhe da etiqueta com mapeamento da emissão de carbono e impacto social (clique para ampliar a imagem) ©Felipe Abe/FFW

    O investimento no Brasil não é aleatório. “Os BRICs representam a diversidade. E o Brasil é fundamental pelas riquezas ambientais”, constata Clini. “Hoje em dia estamos acostumados a produtos de baixa qualidade, cujo processo produtivo não é garantido no âmbito social”, continua. “Os produtos mapeados pelo Traces não podem ser produzidos em larga escala porque não têm demanda”, completa Metsavaht. Rafael Cervone, da ABIT, revelou que apesar das adversidades, os números comprovam que a indústria têxtil brasileira anda se preocupando com o meio ambiente. “Há um interesse da indústria em tecidos sustentáveis. Já há estudos da USP e da UNICAMP para desenvolver fibras a partir do bagaço da cana”, avisa o executivo. “Hoje o país está voltado para o consumo porque houve uma diminuição da pobreza. Precisamos correr atrás de preços mais baixos para tornar a sustentabilidade acessível”, observa.

    “Nós estamos em um momento de transição, temos que mudar o jogo do nosso lado, sem virar ‘eco chato’. É um trabalho muito árduo”, desabafa o diretor da Osklen, declarando que seu objetivo como designer é mudar o conceito do luxo, e torna-lo algo mais simples e antenado com as mudanças do planeta. “Estamos vivendo na era industrial há duzentos anos. O Brasil tem a chance de já começar sustentável”, comenta o designer. “Temos que dar o exemplo. O mundo está esperando o Brasil”, finalizou Paulo Borges.

    ***

    Em tempo: No próximo sábado, durante a Rio+20, acontece a entrega do primeiro Prêmio-e, parceria do Instituto-e e da UNESCO. O evento visa celebrar pessoas e projetos que fizeram a diferença para o planeta nos últimos 20 anos (desde a ECO 92).

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