10.11.2017 / Models / por

That 70’s Show: com visual marcante típico da década, o modelo Alton Mason é nome quente pra ficar de olho

Alton Mason no look book para o Verão 18 da Telfar / Reprodução
Alton Mason no look book para o Verão 18 da Telfar / Reprodução

Por Guilherme Meneghetti

O modelo americano Alton Mason, 20 anos, mal começou a carreira e já está trabalhando com alguns dos principais nomes da moda. Com um visual marcante à la 1970’s, só neste ano, o segundo de sua carreira, cruzou a passarela da Gucci, Fenty Puma, Versus, Hugo (linha mais jovem da Hugo Boss), entre outras; estrelou editoriais de revistas como Interview, Another Man, CR Fashion Book e Document Journal, além de campanhas para Gucci,Opening Ceremony e  Telfar, marca recém-vencedora do CFDA/Vogue Fashion Fund de Telfar Clemens.

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Ser modelo foi algo que surgiu repentinamente em sua vida. Antes, ele queria mesmo era ser dançarino, sua verdadeira paixão. Depois de viver em 11 países ao longo da infância (seu pai foi jogador de basquete e por isso precisava viajar constantemente), aos 17 anos foi para Los Angeles. Estabeleceu-se, chegou a fazer teatro, mas logo quis estudar dança e, em pouco tempo, já estava bem encaminhado: sua madrinha na dança é ninguém menos que Laurieann Gibson, famosa coreógrafa norte-americana que já trabalhou com nomes de peso do mainstream, como Lady Gaga e Nicki Minaj.

Certa vez ele estava ensaiando com ela para uma performance de P. Diddy no BET Awards, premiação da emissora americana Black Enterteinment Television, até que recebeu um direct no Instagram da equipe de Kanye West. Os responsáveis pelo casting do desfile Season 3 da Yeezy, que aconteceu ano passado com Naomi Campbell no Madison Square Garden, em NY, haviam se interessado pelo seu perfil.

Foi natural achar que aquilo não passava de uma brincadeira. “E então o agente me mandou um e-mail. Vi toda aquela coisa de confidencialidade e aí sim pude perceber que era real!”, conta. “Fiquei muitíssimo feliz. Foi muito mais do que um contrato; pra mim, foi a oportunidade de construir uma plataforma e compartilhar meu dom com o mundo”.

Gasp, editorial da Interview de setembro deste ano / Reprodução
Gasp, editorial da Interview de setembro deste ano / Reprodução

Além da Yeezy, ano passado também desfilou para outras marcas “jovens” da semana nova-iorquina, como Eckhaus Latta, Libertine e a própria Telfar. Então, logo no começo deste ano surgiu o convite para o desfile Inverno 18 da Gucci, marca com a qual tem uma ligação maior.

E isto não só pelo universo criativo que Alessandro Michele vem destrinchando na grife, esse com o qual tanto se identifica no que concerne ao seu próprio estilo, que, segundo ele, reflete o tempo: todos os dias quando acorda, logo imagina que está em sua própria “máquina do tempo”.  “Seja lá o que eu estiver vestindo, sempre representará o passado, o presente e o futuro. E a Gucci correlaciona, complementa e aprimora tudo no meu armário”. Suas referências de estilo pertencem em grande parte à década de 1970, sua favorita, com ícones como Michael Jackson e os Jackson 5, Soultrain, James Brown, Prince e até Dr. J (Julius Erving), um dos principais jogadores de basquete da década.

Dois meses depois de seu primeiro desfile na Gucci, Alton estrelou a campanha Pre-Fall 17 da marca, uma das mais impactantes da era Michele – essa mesma que reuniu modelos e dançarinos num casting 100% negro e que, para ele, foi o ponto alto de sua carreira. Isto porque foi muito além de estrelar a campanha de uma marca de prestígio do tamanho da Gucci; foi também, de quebra, uma forma de demonstrar sua verdadeira paixão: a dança.

Campanha Gucci pre-fall 17 / Reprodução
Campanha Gucci pre-fall 17 / Reprodução

“Parece que nem foi um trabalho – foi uma celebração, isso sim. E não estamos celebrando a perspectiva de que somos sortudos por estar aqui. Na verdade, estamos celebrando o fato de que merecemos estar aqui! É um brinde à representatividade e ao reconhecimento”, pontua ele sobre a campanha. Ainda que tenha apenas 20 anos, Alton tem plena consciência do que hoje representa. “Tornei-me evidente para os jovens”, aponta. “E isso foi um lembrete para todos os jovens negros e negras que não importa de onde você vem ou como foi criado. Você pode conseguir o que quiser, mesmo quando as probabilidades são sistematicamente contra você”.

Editorial da Document Journal de junho 17 / Reprodução
Editorial da Document Journal de junho 17 / Reprodução

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