13.10.2017 / Verde / por

Depois da Armani, Gucci também anuncia fim de uso de pele animal sinalizando novos tempos na moda

Gucci Milao - Verao 2018 foto: FOTOSITE
Gucci Milao - Verao 2018 foto: FOTOSITE

O CEO e Presidente da Gucci, Marco Bizzarri, revelou duas importantes ações que pautarão a agenda da marca a partir de agora. O que eles estão chamando de Culture of Purpose é um plano de sustentabilidade para os próximos 10 anos com dois compromissos principais: a Gucci adere à Fur Free Alliance, eliminando toda pele animal a partir da coleção de Verão 18, recém desfilada em Milão. O trabalho da FFA olha para a privação e crueldade sofrida por animais, tanto em armadilhas naturais e selvagens quando na indústria da pele.

A empresa também está doando 1 milhão de euros para a Girls’ Empowerment Initiative, da Unicef. Esse valor vai ajudar a Unicef a atingir 50 mil meninas diretamente e mais 150 mil indiretamente através de programas de empoderamento.

O anúncio aconteceu no London College of Fashion em uma conversa entre Bizzarri e Livia Firth, fundadora e diretora da Eco-Age, que vem fazendo um longo trabalho com a Gucci em direção a um negócio mais responsável. “O anúncio de que a Gucci se uniu a Fur Free Alliance e se tornou um membro e sócio da Girls’ Empowerment Initiative da Unesco demonstra nosso compromisso absoluto para tornar a sustentabilidade uma parte intrínseca do nosso negócio”, diz Bizzarri.

Seguindo o quadro de sustentabilidade da Kering, o plano está baseado em três pilares:

Meio ambiente: a Gucci está comprometida em reduzir seu impacto ambiental e está se colocando objetivos ambiciosos para criar um novo standard no varejo de luxo, garantindo a rastreabilidade de 95% de seus materiais naturais.

Humanidade: a Gucci reconhece o valor de seus funcionários e se dedica a melhorar a vida das pessoas que fazem seus produtos, bem como as comunidades de apoio, igualdade de gênero (59% mulheres sênior, campanhas de apoio às mulheres e empoderamento das mulheres), diversidade e inclusão.

Novos Modelos: a Gucci está desenvolvendo novas soluções aplicando inovações técnicas para melhorar a eficiência em sua produção e logística. Por exemplo, criando uma incubadora e um ambiente de start-up para fomentar a inovação dentro da empresa.

Segundo o CEO, as mudanças dinâmicas foram atribuídas a uma visão única que ele compartilha com o diretor criativo Alessandro Michele. “Queria achar alguém com os mesmos valores e senti isso imediatamente ao encontrar com Alessandro pela primeira vez”.

A decisão de banir o uso de peles é uma jogada ousada por parte de uma empresa tão tradicional na área de luxo. Tão ousada quanto necessária e certamente irá mexer com o mercado, uma vez que outras marcas devem aderir, especialmente as que integram o Grupo Kering, detentor da Gucci.

Claro que essa não é uma novidade. Stella McCartney vem fazendo um trabalho primoroso na produção e criação de novos materiais que substituem pele e couro de animais – ela aboliu o uso de suprimentos animais em 2001. O Grupo Armani anunciou no ano passado que também não usaria mais pele animal em suas coleções. “Processos tecnológicos surgidos nos últimos anos nos permitem ótimas alternativas”, diz Armani.

Por ser uma marca extremamente influente, a mensagem da Gucci se faz muito importante e deve fazer pensar seus concorrentes diretos, como Vuitton, Prada e Dior. O que será que Silvia Venturini, da Fendi, está pensando disso? A Fendi construiu seu império muito baseado em suas peles, principal expertise da marca. Até na loja de São Paulo há um departamento especial e climatizado para elas.

Há grupos pesquisando e trabalhando há anos com o objetivo de substituir totalmente pele e couro animais de qualquer produto. Quem está na ponta é o Modern Meadow, que reúne biólogos, designers, engenheiros e cientistas na criação de novos couros. “Nós passamos o século 20 aprendendo a tornar óleo em materiais de alta performance. Aprendemos a sequenciar nosso genoma, a ler e escrever com DNA. Agora, estamos usando todas essas ferramentas para construir os materiais biológicos de alto desempenho do século 21.  Estamos usando o poder coletivo do design, biologia e engenharia para entrar em uma nova era material”.

E após cinco anos de pesquisa, eles lançaram neste semestre o Zoa, primeiro couro biofabricado, produzido com colágeno e totalmente sem nenhum derivado animal. O material é durável e flexível e será lançado no mercado em 2018.

Há alternativas no mercado e no futuro, surgirão ainda muitas outras. O que precisa para uma grande virada é uma mudança de mentalidade e hábito do consumidor.

 


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