14.10.2019 / Cultura / por

Conheça Majur, a cantora-estrela que brilhou no desfile da Ellus

A cantora baiana Majur no desfile da Ellus Gabriel Cappelletti/Agência Fotosite
A cantora baiana Majur no desfile da Ellus Gabriel Cappelletti/Agência Fotosite

Dentro do coreto da praça que fica em frente ao Farol Santander (antigo “Banespão” e cartão-postal da cidade de São Paulo), Majur cantou “Sampa”, de Caetano Veloso, e “Não existe amor em SP”, de Criolo, sobre as batidas do DJ Ubnto durante o desfile da Ellus, que aconteceu no domingo (13.8), abrindo o SPFW N48. Enquanto os modelos passeavam por entre as mesinhas e cadeiras distribuídas pelo ambiente, a cantora adaptou as duas canções de modo a explorar a sua potência vocal que impressionou quem estava ali para ver as propostas da etiqueta para a próxima temporada. “Já fui modelo fotográfica”, diz a baiana. “Mas, nunca tinha chegado à passarela. Curiosamente, era o meu grande sonho desfilar no SPFW e hoje estou aqui para cantar. O mundo dá voltas, mas parece que sempre coloca a gente onde temos que estar, né?”

Animada, ela conversou com o FFW poucos minutos antes de sua performance enérgica acontecer. “Sempre fui apaixonada por moda. Há sete ou oito anos, venho pesquisando e assistindo desfiles. Aliás, quem me acompanha nessas aventuras é minha mãe, que também gosta do assunto”, contou no backstage, enquanto a equipe de beleza da Ellus retocava a sua maquiagem. Se o mundo das passarelas chegou mais tarde para a artista, a música está no seu radar desde o berço. Aos 5 anos, ela já cantava na Orquestra Sinfônica da Juventude de Salvador e, dali por diante, cresceu para fazer de sua voz instrumento de auto-entendimento e afirmação da sua identidade. 

A moda, por sua vez, veio para reforçar sua ancestralidade. “Quando fazia faculdade de design, tinha uma matéria focada em moda. Foi aí que isso começou. Passei a estudar as minhas características ancestrais para trazer até mim referências de como eu poderia me comportar esteticamente. Então, depois de muito estudo, adotei o visual que você vê hoje: uma mistura entre o afro e o indígena, que recupera um pouco das minhas raízes.”

Seu EP Colorir, lançado no ano passado, é exemplo disso. Na música que abre o registro, a jovem artista apadrinhada por Caetano Veloso e Paula Lavigne canta vigorosamente: “Eu sou Majur, de Salvador/ Terra do Pelô/ Berço da escravização ancestral/ Libertação geral/ Represento as cores, dores/ De um Brasil de Preto, branco, pardo, índio/ Todos a igualdade racial”, diz a letra da faixa “Africaniei”. Para o futuro, no entanto, são as relações diretas com pessoas, seus encontros com o outro, que inspiram suas canções. “Ainda não posso falar muita coisa, mas tem, sim, um disco vindo por aí”, revela, antes de correr para a passarela. Vale lembrar que, neste ano, ela participou da icônica música e do clipe “AmarElo”, ao lado de Emicida e Pabllo Vittar, cantando sobre o sample de “Sujeito de Sorte” de Belchior.

 Sobre o que ela espera da moda, contudo, a palavra-chave é representatividade. “E quando a gente fala disso, a gente fala de todos os tipos de pessoas, corpos, cores… Quando me comporto dessa forma, e apareço em qualquer espaço de destaque, acabo sendo referência para muitas outras pessoas que, antes disso, talvez não imaginassem que poderiam estar nesses lugares fazendo essas coisas. Tenho certeza de que, hoje, traremos um pouco disso para a passarela.” (POR PEDRO JOÃO)


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