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    O papel dos stylists na indústria da moda hoje

    Como grandes influenciadores da moda, a profissão de stylist vem evoluindo e se torna cada vez mais indispensável na construção das mais diversas imagens.

    O papel dos stylists na indústria da moda hoje

    Como grandes influenciadores da moda, a profissão de stylist vem evoluindo e se torna cada vez mais indispensável na construção das mais diversas imagens.

    POR Julia Lange

    Por trás de desfiles, campanhas estreladas e aparições de famosos em grandes eventos, sempre há a atuação do stylist – profissional que se tornou chave na construção de uma imagem de impacto que corre a mídia, sendo capaz de influenciar o surgimento de tendências – mesmo que o muitos dos consumidores ainda não tenham uma noção tão clara disso.

    Como já falamos aqui no FFW, stylists são profissionais responsáveis por criar uma estética, um storytelling e disseminar imagens, influenciando e desafiando a indústria de forma provocativa e criativa ao captar novos estilos e jeitos de compor um look. Esse sensível e estratégico olhar profissional que é o responsável por boa parte do fascínio e desejo criado quando somos impactados por aparições de celebs ou um editorial.

    Ao longo das últimas duas décadas, a atuação do stylist evoluiu e seu papel é cada vez mais significativo. Buscando entender as principais mudanças da profissão no últimos anos, conversamos com alguns dos profissionais por trás de algumas das coleções desfiladas na última edição do São Paulo Fashion Week. O resultado você confere abaixo.

    Ander Oliveira – Stylist Foz

    Como você entrou no mercado?

    Eu comecei no mercado em Maceió, Alagoas. Eu sempre amei moda e acabei começando cursando arquitetura e trabalhando com um grande decorador, que sempre percebeu muito que eu tinha bastante senso estético e me ajudou bastante nisso. Ele também fazia desfiles e inclusive foi quem me trouxe para o meu primeiro SPFW.

    Como a profissão evoluiu nos últimos anos, especialmente considerando o pós-pandemia e a força das redes sociais?

    Eu acho isso especialmente algo muito curioso. Apesar de já ter muito tempo de trabalho, eu sou bem novo no mercado e acho que minha vida pessoal também é muito ativa. Isso me ajuda a mesclar muito e equilibrar como lidar com os clientes e as demandas. As redes sociais são boas para a nova geração, eu consegui mostrar muito minha identidade e mostrar meu trabalho de fato.

    Como você definiria o papel de um stylist hoje?

    Hoje o stylist ajuda em todos os aspectos. Ele opina na coleção, ajuda o estilista a construir as narrativas, ele realmente facilita o caminho de criação para o criador. Esse olhar “de fora” é muito importante e essencial.

    O stylist hoje é um profissional chave para a indústria da moda, música, entretenimento, etc. Ele faz muitas vezes a ponte entre marcas e quem as usa, influencia tendências, etc. Quais os principais desafios de se trabalhar especificamente com influenciadores e creators? E para editoriais de moda e desfiles?

    Quando você trabalha com um influencer, é algo muito pessoal e personal mesmo. Você precisa entender aquela pessoa a fundo, entender exatamente o que ela quer e onde ela quer chegar. É muito importante ter um stylist para se chegar a diversos objetivos, especialmente para os influenciadores que estão começando. Mas para isso, a pessoa realmente precisa se doar ao processo, não pode ter medo de testar e acreditar no papel do stylist. É particularmente uma área que eu considero mais desafiadora, mas fascinante.

    Felipe Velloso – Stylist Handred, Patricia Vieira e Caetano Veloso

    Como você entrou no mercado?

    Eu sou formado em odontologia, mas sempre tive muito interesse no “vestir a moda” e me expressar por meio das roupas. Isso sempre chamou a atenção na época e as pessoas começaram a me procurar para ser modelo, testar algumas peças, participar de coleções. Era engraçado, porque eu era um dentista que frequentava as festas de moda e foi nisso que começou o interesse e as oportunidades de produzir os editoriais para revistas. Um trabalho levou a outro e fiz uma capa com o Lulu Santos, depois com a Fernanda Abreu e as coisas deslancharam, acredito que muito porque as pessoas viam aquilo como muito natural para mim.

    Como a profissão evoluiu nos últimos anos, especialmente considerando o pós-pandemia e a força das redes sociais?

    Acho que houve um escalonamento e profissionalização maior do trabalho do stylist. Na época em que eu comecei, o stylist fazia tudo e isso foi se dividindo com o passar do tempo. Nesse sentido, acho que evoluímos muito e aprofundamos muito em termos de conhecimento.

    Como você definiria o papel de um stylist hoje?

    Acho que o stylist é quem tem o olhar externo. Para mim, a moda está entre a arte e a publicidade. Nós somos artistas, mas no fim do dia, temos um compromisso de venda, de mercado. Então o stylist é o mediador dessas duas frentes.

    O stylist hoje é um profissional chave para a indústria da moda, música, entretenimento, etc. Ele faz muitas vezes a ponte entre marcas e quem as usa, influencia tendências, etc. Quais os principais desafios de se trabalhar especificamente com influenciadores e creators? E para editoriais de moda e desfiles?

    Eu sou muito crítico em relação ao pensamento de que precisamos montar looks e colocar numa “geladeira” para a pessoa usar. Hoje com as influencers, sinto que temos uma inversão dos papéis. A pessoa se diz influenciadora de moda, mas é vestida por alguém que pensa a moda para ela. Eu acho isso eticamente um pouco questionável e é uma discussão muito maior, que envolve todo o universo da internet, dos filtros, das aparências, etc. Mas como posso chamar de influenciadora de moda se ela é sempre montada por alguém que pensa nisso para ela? Acho que é uma discussão muito válida e que levanta muitos desafios para a atuação do stylist.

    Acho que cada trabalho se relaciona com o mercado de um jeito muito único. Quando eu visto um ator, eu sinto que estou realmente entrando no mundo da pessoa. Quando eu trabalho com modelos, com publicidades, isso já se inverte. O importante é respeitar essa flexibilização e saber realmente se inserir em cada um desses meios.

    Cacau Francisco – Stylist David Lee, Martins e figurinista

    Como você entrou no mercado?

    Eu comecei a desenvolver o papel de produtor de moda e stylist quando eu entrei no mestrado na USP e como professor no SENAC. Eu queria realmente entender melhor o mercado e ter uma expertise, principalmente sob uma perspectiva de São Paulo. Então eu comecei a desenvolver esse trabalho com meu namorado, que inclusive assinou a direção de moda desse desfile junto comigo, a partir da minha necessidade e desejo de levar um pouco mais do mercado para a sala de aula e da sala de aula para o mercado.

    Como a profissão evoluiu nos últimos anos, especialmente considerando o pós-pandemia e a força das redes sociais?

    Eu acredito que a pandemia mostrou que nós precisávamos ser ainda mais criativos, mas teve o lado negativo de que algumas campanhas acabaram diminuindo equipes, etc. Sobre as redes sociais, acredito que hoje a imagem é muito mais pensada exatamente para as redes, para como ela vai aparecer online ali. Nós só fomos decidir as imagens em vídeo para a coleção ontem, para você ter uma ideia de como realmente as ideias surgem mais inesperadamente.

    Como você definiria o papel de um stylist hoje?

    Eu acredito que para além do resultado e imagem final, o papel do stylist é estar junto com o estilista durante todo o processo de desenvolvimento da coleção. A gente também gosta de produto, nos interessamos pela definição da estamparia, tecidos, cores… Nós acompanhamos visitas de fornecedores, então nosso papel é pensar em toda a história, desde o conceito até a estética. Não é apenas chegar no dia das fotos e montar looks, é uma construção muito mais complexa.

    O stylist hoje é um profissional chave para a indústria da moda, música, entretenimento, etc. Ele faz muitas vezes a ponte entre marcas e quem as usa, influencia tendências, etc. Quais os principais desafios de se trabalhar especificamente para editoriais de moda e desfiles?

    Eu acredito que o principal desafio de vestir alguém que não é uma marca, é entender o momento em que aquela pessoa está, em todos os sentidos. Eu sinto que muitas vezes personagens são criados para celebridades e o resultado final não casa, algo não dá um match. Hoje sinto que é mais desafiador lidar com pessoas do que com marcas e editoriais para coleções.

    Renata Corrêa – Stylist João Maraschin, Animale, Manu Gavassi

    Como você entrou no mercado?

    Eu já trabalho com moda desde sempre, mas no mercado de SP faz 20 anos que eu entrei, porque sou de BH. Eu comecei trabalhando com o Dani Ueda e fui aprendendo aos poucos. No início da minha carreira o importante foi que eu tinha uma agência de design em BH e eu sempre acreditei que a imagem é um conjunto. O stylist faz uma parte do trabalho, mas se você tiver um domínio maior de fotografia, de cenografia, de finalização de tratamento, você entrega muito mais. Então eu comecei a adicionar isso no meu trabalho e fui crescendo no mercado.

    Como a profissão evoluiu nos últimos anos, especialmente considerando o pós-pandemia e a força das redes sociais?

    Eu acredito que todas as profissões ligadas à moda já seguem um calendário mais insano que o normal, por conta da sazonalidade da área. Com a pandemia eu acho que houve uma mudança no mercado de realmente o stylist se acostumar a trabalhar de maneira mais distante do estilista da marca, por conta das diversas restrições. Eu também acredito que quanto mais tempo e contato você tem com o estilista, mais é possível que se criem elos, mais você entra no processo em si. Apesar de o mundo estar indo para um esquema de velocidade insana, eu gosto de trabalhar de maneira mais lenta, pensada, calma. Eu acredito que qualquer cadeira de design boa precisa de tempo. Um impacto positivo foi que muitas pessoas novas puderam entrar no mercado, gerando realmente um equilíbrio e um mix muito bom. Eu acho que temos que ouvir as novas gerações.

    Como você definiria o papel de um stylist hoje?

    O papel do stylist hoje é o papel do stylist de sempre, na minha opinião. O profissional criativo precisa desenvolver um jeito de trabalhar próprio e como eu já disse, o meu requer tempo e muito envolvimento direto. Eu acredito que o stylist é hoje o grande companheiro do estilista, ele trabalha quase como um diretor criativo e ajuda a pensar verdadeiramente na identidade da marca.

    O stylist hoje é um profissional chave para a indústria da moda, música, entretenimento, etc. Ele faz muitas vezes a ponte entre marcas e quem as usa, influencia tendências, etc. Quais os principais desafios de se trabalhar especificamente com influenciadores e creators? E para editoriais de moda e desfiles?

    Hoje em dia o atuar do stylist tem muitas possibilidades. O mais novo e potente na minha opinião hoje em dia é o dressing, realmente trabalhar com a imagem de pessoas. O stylist precisa pensar, não só fazer uma reprodução fácil. A pessoa é pessoa, mas também é um produto, então tem que haver a inteligência de fazer uma ideia verdadeira, não uma cópia. Precisa haver verdade ali, o stylist precisa entender o que a pessoa genuinamente quer. Mas acho que hoje a demanda e velocidade estão tão insanas que tudo é muito corrido, o que tem complicado bastante. Mas é um fato que quem trabalha com bons stylists tem crescimentos muito significativos, porque a pessoa realmente trabalha na própria imagem.

    Marcell Maia – Stylist Rocio Canvas, Sophie Charlotte, Pedro Sampaio

    Como você entrou no mercado?

    Eu comecei como assistente da Renata Corrêa e acho que isso faz muita diferença. Ter um mestre que te ensina realmente abrange sua visão profissional e eu vejo que isso foi exatamente o que aconteceu comigo. É claro que existem muitos auto didatas maravilhosos, mas ter um outro olhar realmente abre outros horizontes. Depois de 4 anos eu fui trabalhar com a Elle e ali foi minha virada de carreira, onde eu comecei a assinar meu próprio trabalho.

    Como a profissão evoluiu nos últimos anos, especialmente considerando o pós-pandemia e a força das redes sociais?

    Mudou bastante, principalmente graças à internet. Eu acho que a rede social deixa tudo literalmente nas mãos das pessoas, então muita gente se auto intitula stylist nas redes sociais e minha impressão é que isso fica um pouco raso, sem referência. Curiosamente hoje em dia é tudo sobre imagens rápidas, então basicamente todo mundo consegue criar uma imagem, mas até que ponto ela traz profundidade? São pontos que me chamam muito a atenção.

    Como você definiria o papel de um stylist hoje?

    Com a questão das redes sociais, esse papel ficou muito mais plural, existem muitas ferramentas de comunicação que permitem n caminhos diferentes. Hoje o stylist tem que pensar no TikTok, algo que não existia há poucos anos atrás. Antigamente não existia tanta divisão, existiam as pessoas que vestiam celebridades e as que faziam moda e não vestiam celebridades. Foi nisso inclusive que eu vi que eu queria fazer de tudo um pouco, eu amava fazer desfiles, mas eu sabia que eu adoraria vestir alguém também, pessoalmente falando. O stylist hoje, na minha opinião, é mais plural.

    O stylist hoje é um profissional chave para a indústria da moda, música, entretenimento, etc. Ele faz muitas vezes a ponte entre marcas e quem as usa, influencia tendências, etc. Quais os principais desafios de se trabalhar especificamente com influenciadores e creators? E para editoriais de moda e desfiles?

    Eu amo desafios! Então tudo que me desafia, me move, me fascina. Eu gosto de lidar com áreas que eu não necessariamente já tenha lidado, então isso de criar todo dia algo novo, trabalhar com uma marca nova, com uma celebridade nova, eu amo isso. Vestir um corpo que eu nunca vesti, trabalhar numa marca que eu nunca me imaginei trabalhando, fazer um desfile de uma maneira que eu nunca fiz… eu amo isso! Então não acho que eu sequer consiga nomear os desafios, porque gosto de todos eles. Acho que são coisas que temos que enfrentar enquanto profissionais e stylists e que só nos trazem coisas boas.

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