17.11.2016 / Gente / por

Direto da FFWMAG 42: Trouble Andrew fala sobre seu trabalho com a Gucci

Alessandro Michele, da Gucci, e Trouble Andrew ©Cortesia Gucci
Alessandro Michele, da Gucci, e Trouble Andrew ©Cortesia Gucci

Trouble Andrew parecia estar no lugar certo no momento certo. Mais conhecido como Gucci Ghost, o artista chamou a atenção de Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, ao pintar suas interpretações do logo da marca em muros e paredes Nova York afora e as postando no Instagram com a hashtag #guccighost.

Os dois foram apresentados por um amigo em comum, o fotógrafo Ari Marcopoulos. Michele poderia achar que Andrew estava plagiando a Gucci, mas não. Chamou-o para colaborar em uma linha lançada com o desfile de Inverno 17, com jaquetas, vestidos, camisetas e bolsas customizadas com os desenhos feitos pelo artista.

Há apenas três anos, o canadense praticava snowboard profissionalmente e chegou até a representar seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno em 2002, em que conquistou o nono lugar. Mas foi sem querer, em uma noite de Halloween, que tudo mudou para Andrew.

Casado com a cantora Santigold, ele também divide seu tempo fazendo música e filmes, como você pode ler na conversa que tivemos com ele:

Uma das estampas criadas por Trouble Andy ©Cortesia Gucci
Uma das estampas criadas por Trouble Andy ©Cortesia Gucci

Você sempre foi obcecado pela Gucci? De onde surgiu a ideia do Gucci Ghost?

A Gucci representa sucesso, grandeza e qualidade para mim. É muito além do que uma grande empresa, é uma marca de moda que até penetrou na língua inglesa. A gente fala: “What’s Gucci?”, ou então, “everything Gucci“, que significa que está tudo bem. Um Dia das Bruxas, há cinco anos, eu peguei um lençol, coloquei logos da Gucci nele e cortei dois buracos para os olhos. As pessoas começaram a me chamar de Gucci Ghost enquanto eu andava por Nova York. Foi incrível ver essa reação, que alimentou ainda mais o meu desejo de desenhar e pintar esse símbolo, porque ele parece ter uma força maior, que me animava. E, a partir daí, comecei a criar meu próprio universo Gucci em tudo e qualquer coisa que eu tinha ou achava na rua.

Como funcionou a colaboração? Você teve liberdade ou foi mais um processo a quatro mãos?

Quando eu estava trabalhando para eles, eles me deram um estúdio para eu fazer as coisas, então o pintei como se fosse o meu ateliê no Brooklyn e comecei a pintar tecidos, jaquetas e bolsas. Eu também levei várias amostras e ideias que eu já tinha. Foi um processo confortável, nunca me disseram o que fazer. Simplesmente me deixaram fazer o que eu faço normalmente.

Aí eu levava o Alessandro pra ver e ele falava: “Belíssimo!”. Ele realmente confiou em mim, o que mostra o quanto foi destemido e teve habilidade para acreditar em uma ideia. Foi muito divertido também ver como ele adicionava e construía no que eu havia começado. Às vezes, quando você colabora com alguém, você sente que precisa abrir mão de algumas coisas, mas nunca senti isso lá. Quando ele colocava as ideias dele, era uma coisa: “OMG, você só tornou melhor!”.

Essa parceria vai continuar? O que mais você está fazendo?

Com a Gucci, estamos planejando alguns eventos ao redor do mundo para celebrar nossa colaboração. E será legal ver como as pessoas respondem ao que fizemos. Eu também estou trabalhando em umas pinturas e um novo projeto de música. Gosto de criar meus sons sem a pressão da indústria. Vou fazendo a coisas no meu tempo, sem saber quando será lançado, pois detesto a sensação de ficar parado, de me sentir entediado, ou que não estou aproveitando meu tempo de maneira inteligente, então estou constantemente criando. Se não estou pintando, estou fazendo música, filmes ou ajudando alguém com ideias para um projeto. Fico indo de um lado para o outro em projetos criativos diferentes, e é isso o que me deixa feliz.

+ Direto da FFWMAG

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*A FFWMAG é uma publicação semestral e a edição de número 42 com 4 capas especiais já está à venda nas principais bancas do Brasil, na rede da Livraria Cultura e loja online (www.livrariacultura.com.br)


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