22.09.2020 / Lifestyle, Moda / por

Cottagecore: a tendência idealizada da vida simples no campo

Por Mariáh Cidral

O ambiente digital tem sido palco do surgimento de diversas tendências estéticas e comportamentais, e muitas delas acabam se tornando guias para o desenvolvimento de produtos alimentícios, de beleza, moda e design. Durante o primeiro trimestre de 2020, uma estética específica que ganhou vários adeptos pelo mundo foi a “Cottagecore”. Plataformas online como Tumblr, TikTok e Instagram têm visto um aumento de postagens associadas à estética, e desde então o termo ganhou destaque entre os assuntos mais buscados no Google Trends.

Idealizando a vida agrícola para acalmar os nervos hiperestimulados pela vida nas grandes metrópoles, a “Cottagecore” é uma estética baseada na idealização e romantização da vida simples e bucólica do campo e em elementos que envolvem sentimentos de nostalgia e acolhimento, especialmente vistos em livros infantis. A estética, que também pode ser identificada como Farmcore ou Countrycore, vem do inglês “cottage” –  cabana e “core”- núcleo, e os adeptos se interessam por um estilo de vida mais simples em harmonia com a natureza.

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Paula Sutton, do perfil @hillhousevintage. foto: reprodução

A “cottagecore”  não tem gênero ou sexualidade definida, mas as mulheres são ass principais influenciadoras, sempre com um olhar voltado para o cultivo, vida em casa ou no campo. O mais interessante desse novo movimento é a sua associação a soluções para problemas ambientais, pois propõe o cuidado com a natureza, os animais e as pessoas que nos cercam.

Como uma resposta a tempos difíceis, a “cottagecore” é também uma reação ao pós-minimalista que por vezes parece austero e frio, enquanto a nova estética incentiva cozinhar em casa, usar materiais naturais e rústicos, a intimidade, a jardinagem e trabalhos manuais. Assim como o movimento do “Downsizing”, que trata da busca por um estilo de vida mais simples fora das grandes cidades, e inspirado no movimento hippie que promovia a vida em comunidade, a “cottagecore” tem crescido de maneira acelerada por conta da pandemia de Covid-19 e o movimento é visto como uma saída para aqueles que buscam mais qualidade de vida, contato com a natureza e gastos financeiros menores. O oposto do que é oferecido por cidades como São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Tóquio entre outras.

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o jogador david beckham em sua fazenda no interior da Inglaterra. foto: reprodução

A moda “cottagecore” consiste principalmente em cores suaves, criando uma paleta de cores focada no bege,  brancos quentes, verdes, marrons e tons amarelados. As peças escolhidas pelos adeptos incluem macacões e cardigãs bem quentinhos e confortáveis. Outra peça muito usada e procurada no Google é o ‘vestido “cottagecore”, que nada mais é do que um vestido de algodão ou linho, geralmente branco, com  mangas bufantes e fluido. A silhueta mais marcante também é a cintura império, popular ao final do século 18, a qual mistura modéstia e conforto com um apelo nostálgico e as estampas mais usadas são as florais, o xadrez e os bordados. Dentro do cenário criativo da moda, as criações das irmãs Kate e Laura Mulleavy para a marca Rodarte são a tradução do estilo. A mais recente coleção da marca foi fotografada no interior da Califórnia, próximo a Los Angeles, onde elas vivem.

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looks da rodarte do verão 18, verão 19, inverno 20 e verão 21. fotos: cortesia

A tendência ganhou ainda mais força com Taylor Swift que acaba de lançar o álbum Folklore. Como primeiro single a cantora trouxe “Cardigan”, onde é possível ver a nítida influência tanto na letra quanto no vídeo clipe com elementos que retratam o movimento “Cottagecore”.


Para quem deseja entender e se inspirar ainda mais nesse universo, deve assistir a premiada série “Anne with an E”, “Outlander” ou “Downton Abbey”. Os cinéfilos podem assistir filmes como “O Jardim Secreto” e “Adoráveis Mulheres”, e para quem ama uma boa leitura há uma infinidade como “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll ou “O Vento nos Salgueiros” de Kenneth Grahame, “A vida secreta das abelhas” de Sue Monk Kidd ou  “Canto mais escuro da floresta” de Holly Black.


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