14.12.2018 / Música / por

Rosalía: a nova estrela da música e sua interpretação moderna do flamenco

Foto: Reprodução
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O novo fenômeno da música pop surgiu esse ano e vem da Espanha. Rosalía, 25, nasceu na Catalunha e tem ganhado prêmios, capas de jornais e revistas, elogios de outros artistas e bons reviews por sua fusão de flamenco com música pop, eletrônica, r&b e hip hop, resultando em uma sonoridade diferente e intrigante.

Sua interpretação moderna do flamenco chamou a atenção de artistas como Pharrell Williams e Arca – com ambos ela já gravou músicas que devem despontar por aí a qualquer momento. Grande parte de seu sucesso entre os jovens se deve ao fato de que ela olha para suas raízes e resgata um ícone da tradição espanhola, só que com uma sonoridade atual. “Eu respeito muito o flamenco e suas tradições. Mas tenho que ser transparente com como eu entendo o flamenco hoje e agora e com quem eu sou. Ser honesta com minhas referências, minha idade e com o momento que estou vivendo. A base clássica é muito importante pra mim. Mas a partir daí, eu quero liberdade”, disse em entrevista a Rolling Stone.

Rosalía começou a ficar conhecido em 2017 com seu álbum de estreia Los Ángeles. No mês passado, ela lançou seu segundo trabalho, El Mal Querer, que está no topo de diversas paradas, impulsionado pelos singles Malamente e Pienso En Tu Mirá.

Abaixo, um apanhado de curiosidades sobre essa estrela em ascensão.

Capa do novo álbum de Rosalía, El Mal Querer / Reprodução
Capa do novo álbum de Rosalía, El Mal Querer / Reprodução

Espanha

Ao trazer para o coração de seu trabalho referências icônicas da Espanha (flamenco, touradas, nazarenos), tanto nas músicas quanto nos videoclipes, Rosalía retoma o orgulho de ser espanhola e, mais ainda, o que significa ser espanhola hoje, como se apropriar de uma cultura tão rica e única com um olhar renovado. Tudo isso no caldeirão fervendo que o país vem há nos vivendo, não só com a crise que o assolou, mas também com a questão entre bascos e catalães.

Referências próprias

Caminhões e caminhoneiros estão em ao menos dois de seus clipes, Malamente e Pienso En Tu Mirá. Eles são uma referência a sua cidade natal, Sant Esteve Sesrovires, nos subúrbios de Barcelona, cheias de armazéns e fábricas de automóveis. Já os aparelhos de som vêm de quando ela era adolescente e passava as tardes no parque ouvindo música (flamenco na maior parte das vezes) que saia dos carros de seus amigos, com as portas abertas.

Flamenco

Rosalía canta desde pequena, mas quando ouviu o cantor de flamenco Camarón de la Isla pela primeira vez, foi como se tivesse sido enfeitiçada. “Ele soava como um animal. Para mim, não era possível cantar de uma forma mais honesta e visceral que ele”, disse ao Pitchfork. Ela então mergulhou de cabeça nesse universo, guiada por seu professor e mentor El Chiqui, com quem estudou por quase 10 anos. E na Espanha, Flamenco não é brincadeira: tem séculos de história e seu aprendizado é dificílimo. “Eu nasci num mundo em que tudo é instantâneo, mas no flamenco, você não sabe nada. Comece de novo. De novo. E não rola. De novo. Paciência, vai, de novo. Quatro anos e ainda não sei cantar. Cinco anos e… nada. E assim a gente vai continuando. E é incrível porque, no flamenco, a idade é uma coisa boa. os melhores cantores são os mais velhos”.

Sua geração voltou a apreciar o flamenco e não vêem o gênero como uma coisa velha e sim como o que há de mais cool. “Ninguém mais tem essa música. É um estilo que só existe aqui, é parte de como a gente se expressa”.

Debut

Rosalía lançou seu primeiro álbum em 2017, Los Ángeles, que já dava para reconhecer o tamanho de seu talento e sua coragem musical nas músicas que falam sobre amores tóxicos, exílio e pobreza. Com um rosto lindo e carismático, ela parece ter 16 anos e poderia facilmente fazer sucesso na televisão ou simplesmente cantando pop. Mas Los Ángeles tem momentos viscerais, em que ouvimos em sua voz sua paixão pela música. O disco chegou no número 9 das paradas espanholas.

Segundo álbum

El Mal Querer foi lançado dia 2 de novembro, e traz a fusão do flamenco com r&b, hip hop e eletrônica. E Rosalía está presente em todos os processos: ela compõe, produz, arranja, canta, toca teclado, baixo… Ele é número 1na Espanha e está no topo das paradas da Billboard, iTunes, Apple Music, Spotify Espanha, só para mencionar algumas.

Nesses dois álbuns, ela trabalhou com orçamentos apertados, trazendo familiares e amigos por perto para ajudar (a irmã, por exemplo, é sua stylist). Ainda assim, seus clipes e sua produção musical alcançaram ótimos resultados, mostrando que Rosalía é também um modelo de independência para sua geração, uma garota DIY que não espera acontecer, ao contrário, ela faz acontecer.

Números

O clipe de Malamente ganhou 20 milhões de visualizações em apenas três meses. O video seguinte, Pienso em Tu Mirá, alcançou 15 milhões em um terço do tempo e hoje está com 26 mi. Nada em sua página no YouTube tem menos de um milhão de views. O país onde ela é mais famosa (ainda) é a Espanha. Se pensar que o país tem uma população de 46 milhões de pessoas, dá para imaginar que Rosalía é um dos trendind topics do momento.

Prêmios e hypes

Além de levar dois Grammys esse ano, ela levou o prêmio de Melhor Video Pop (Internacional) no UK Music Video Awards. Também foi nomeada Artist on the Rise pelo Youtube e viu seu rosto aparecer nos outdoors da Broadway em Nova York e foi escolhida pela Apple para lançar o HomePod na Espanha ao lado deTim Cook.

 

Apoio de peso

Rosalía e Pharrell / Reprodução
Rosalía e Pharrell / Reprodução

Gorillaz, Dua Lipa e Pharrell têm apoiado a cantora – uma música com Pharrell vem logo aí. “Trabalhar com ele foi um sonho. Ele disse que ouviu minha música Aunque Es de Noche e ficou com vontade de trabalhar comigo. Fiquei em choque!”. Ela também esteve com Arca este mês no estúdio fazendo música juntos. “São em colaborações como essas que você consegue criar novas sonoridades que não seriam encontradas de outras maneiras”.

Cinema

A cantora estará no próximo filme de Pedro Almodóvar, Dolor y Gloria, ao lado de Penélope Cruz e Antonio Banderas. O diretor foi aos seus shows do álbum Los Ángeles e costumava chorar quando ela cantava La Hija de Juan Simon.


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