18.08.2017 / Cultura / por

Espécie de sala de cinema online, Le Cinéma Club celebra curta-metragens raros e uma nova geração de cineastas

Pôster de Reely and Truly, de Tyrone Lebon ©Reprodução
Pôster de Reely and Truly, de Tyrone Lebon ©Reprodução

Por Luísa Graça

Terry Gilliam. Sofia Coppola. Paul Thomas Anderson. A grande maioria dos cineastas dá o primeiro passo na carreira dirigindo filmes em curta-metragem. São muitas vezes precários, mas já apontam para o potencial (ou até mesmo o, ahem, brilhantismo) dos seus autores. Embora tão cruciais como pontapé inicial para qualquer aspirante à direção, esses primeiros esforços são feitos num formato que não tem lá muito apelo comercial e logo caem no esquecimento. E por isso a gente agradece aos céus pela Internet, por possibilitar a existência de plataformas independentes como o incrível Short of the Week, o Japanese Animated Film Classics e o brasileiro Porta-Curtas que nos dão acesso a esses filmes pouco vistos, feitos por cineastas hoje renomados ou também por nomes desconhecidos, exibidos apenas em circuitos de festivais e olhe lá.

Fundada em 2015, a mais nova plataforma desse nicho é o Le Cinéma Club que funciona como uma versão online de uma sala de cinema às antigas em que a cada semana um novo filme é exibido. O conceito é simples e elegante – sem login, senha ou cartão de crédito. A curadoria, espertíssima, dedica-se ao cinema mundial contemporâneo, focando no trabalho de novos diretores, filmes raramente veiculados e documentários selecionados. Já passaram por lá curtas de Agnès Varda, Spike Jonze, Tyrone Lebon, Andrea Arnold, Yorgos Lanthimos, Kenneth Anger e Antonio Campos, além do site contar com uma seção especial em que nomes importantes da cultura popular, de Isabelle Huppert e Wes Anderson a Robert Pattinson e Olympia Le-Tan, dividem com os cinéfilos os seus 5 filmes favoritos.

©Reprodução
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Embora a maioria dos filmes exibidos seja em curta-metragem, a fundadora Marie-Louise Khondji não pretende restringir a plataforma a esse formato. “Tem sido cada vez mais difícil para cineastas independentes serem vistos. Há muita coisa sendo lançada e o cinema hoje compete com todo tipo de conteúdo. Embora haja plataformas de streaming incríveis, esses filmes são preteridos em favor da quantidade de opções e do apelo comercial”, comenta ela, produtora de cinema e filha do diretor de fotografia Darius Khondji (Meia-Noite em Paris, Amor, Se7en).

A programação do site é quase sempre orientada pela estreia de um novo filme em circuito comercial. Por exemplo: na semana de estreia do aclamadíssimo Good Time, indicado à Palma de Ouro em Cannes em 2017, o Le Cinéma Club exibiu um dos curtas dos irmãos Safdie Trophy Hunter; com o lançamento de outro hit indie do ano, The Ghost Story, o site disponibilizou o primeiro trabalho do diretor David Lowery; durante a retrospectiva do Gus Van Sant na Cinemateca Francesa, o primeiro e raríssimo curta dele, The Discipline of D.E., ficou em cartaz no site por uma semana; o lançamento do livro The Female Lead, da fotógrafa Brigitte Lacombe, tornou possível a veiculação do média-metragem de mesmo nome, documentado pela irmã de Brigitte, Marien Lacombe, com os retratos filmados/entrevistas de Meryl Streep, Tavi Gevinson e Christiane Amanpour, todas personagens do livro.

Cena de The Discipline of D.E., de Gus Van Sant ©Reprodução
Cena de The Discipline of D.E., de Gus Van Sant ©Reprodução

“Por enquanto, nosso modelo de negócios tem sido promocional: os detentores de direitos dos filmes, cineastas e produtores autorizam a exibição e promoção que fazemos de cada trabalho. Ainda estamos no começo, mas sabemos que não queremos virar um serviço de V.O.D., queremos ser uma experiência de cinema online com curadoria refinada”, explica Marie-Louise ao The New York Times. Alguns permanecem disponíveis no arquivo do site por mais tempo, mas a maioria limita-se ao período de exibição semanal, de domingo a sábado. Excepcionalmente por duas semanas (até 26.08), um curta inédito do diretor de fotografia Sean Price Williams (Good Time, Cala a Boca Philip), filmado nos Hamptons em 16mm, está atualmente em cartaz.

lecinemaclub.com


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