20.01.2017 / Moda / por

O que está por trás do fenômeno da Supreme?

Um dos acessórios da Louis Vuitton em parceria com a Supreme ©Agência Fotosite
Um dos acessórios da Louis Vuitton em parceria com a Supreme ©Agência Fotosite

Quinta-feira, 19 de janeiro. Na moda, não se falou em outra coisa além da colaboração entre Louis Vuitton e Supreme, desvendada no desfile masculino de Inverno 18 da marca francesa em Paris.

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O alvoroço começou alguns dias antes quando Kim Jones, diretor criativo da Vuitton desde 2011, postou uma montagem dos logos das duas marcas em seu perfil no Instagram – e apagou em seguida.

Assim que o primeiro modelo entra na passarela, com uma bolsa vermelha com o logo da Supreme, sites de moda e redes sociais entram em frenesi. “Você não pode falar sobre moda masculina em Nova York sem citar a Supreme; é um fenômeno global gigante”, diz Jones em entrevista ao WWD.

O INÍCIO DE TUDO EM NOVA IORQUE

documentário de 1995 “a love supreme” de thomas campbell sobre a marca

De fato, a Supreme é um acontecimento. Fundada por James Jebbia em 1994 em Nova York, e com apenas 5 lojas ela está avaliada em US$ 40 milhões, segundo dados do ano passado. O logo, uma caixa vermelha com a marca escrita em branco na fonte Futura Heavy Oblique, foi inspirado na arte de Barbara Kruger.

A marca abriu sua primeira loja em 94 quando vendedores, consumidores, staff e criadores misturavam-se, já que todos faziam parte de uma mesma cena. A Supreme também cresceu muito ao longo dos anos por meio de suas parcerias com artistas, fotógrafos, designers e estilistas como Raekwon, Undercover, Comme des Garçons, Jeff Koons, Richard Prince, Damien Hirst, Takashi Murakami, Peter Saville, Lou Reed, Neil Young, Lady Gaga e Kate Moss. O rosto de Morrissey também já estampou as camisetas, em um lançamento polêmico. Vegetariano, Morrissey renunciou à campanha após saber de uma parceria entre a Supreme e a White Castle, rede americana de hambúrguer. “Peço muitas desculpas por essa associação. Vergonha é o nome disso”, escreveu o cantor em seu site.

Foto da campanha da Supreme com Morrissey ©Reprodução
Foto da campanha da Supreme com Morrissey ©Reprodução

BAIXA OFERTA ALTA DEMANDA = HYPE

Mas o que faz da Supreme um fenômeno do streetwear vem muito antes disso: o trabalho começou na construção de uma marca original. “O fato de que trouxeram outros designers para colaborar é irrelevante”, diz Jonathan Gabayautor, autor de Brand Psychology: Consumer Perceptions, Corporate Reputations, à Vice. “Ela começou com skatistas no lugar certo em Nova York, usada por pessoas autênticas que não buscavam hype”.

Começou lançando camisetas em baixa escala, depois moletons e suéteres. Então vieram os sapatos em colab com a Nike, jaquetas com North Face e os hoodies com a Comme des Garçons. Manter a oferta baixa é uma maneira efetiva de criar demanda e desejo. Assim, a Supreme se transformou de um ponto de skatistas em uma das marcas mais cultuadas do mundo. O convite da Louis Vuitton, principal grife de luxo no globo, dá ainda mais força a esse status. O buzz em torno da marca, por si só, já a mantém o negócio.

A Supreme hoje é mais do que uma marca com algumas lojas. Ela virou uma comunidade e subcultura. Há grupos fechados no Facebook, como o Sup Talk, com mais de 60 mil membros que compram, vendem e trocam peças da marca.

Há colecionadores que mantém peças em galpões, cuidando do envelhecimento das roupas como se fossem vinho, para depois vender aos novos colecionadores.

E claro, há cada vez mais obcecados por qualquer coisa que a marca lance, que acampam na porta das lojas em Los Angeles, Nova York, Londres, Paris ou Tóquio. Na véspera do lançamento da camiseta estampada com o rosto de Morrissey, cerca de 300 pessoas chegaram bem antes da loja abrir em Londres. O primeiro da fila estava lá há 23 HORAS. Já o último vinha direto do aeroporto, mais especificamente direto da Finlândia para o Soho londrino. “Eu ainda estou na escola, mas trabalho aos fins de semana para gastar todo meu dinheiro em roupas da Supreme”, diz um adolescente ao site _Shift.

fila na Supreme, da Fairfax em Los Angeles
fila na Supreme da Lafayette Street em Nova Iorque

TODOS QUEREM SER SUPREME

É dessa energia que a Louis Vuitton hoje se apropria. Juntar forças com a Supreme coloca a Vuitton no radar dos consumidores millennials que as marcas têm tanto corrido atrás para conquistar. “A juventude é a chave, especialmente na China”, diz Kim Jones ao WWD. “Estive lá semana passada e vi que nosso consumidor mudou completamente em três anos. Costumavam ser homens bem mais velhos e agora são meninos de 20 e poucos anos, então é importante mantê-los animados”.

E bota ânimo nisso. Segundo veículos especializados, as bolsas não devem custar menos de 1000 euros. As peças, que incluem jaquetas, camisetas, óculos de sol, bolsas, pochetes, tags de mala, chaveiros e até shape de skate, serão produzidas em várias cores e terão distribuição calculada (afinal  estamos falando de Supreme), estarão à venda a partir de 17 de julho somente em lojas selecionadas da Louis Vuitton.

E pensar que em 2000, a LV processou a Supreme por usar seu logo monograma sem autorização em shapes de skate. Que bom que o mundo dá voltas.

Abaixo, veja mais fotos da coleção com a Louis Vuitton e outras parcerias da marca:


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