Skater Girl, da Netflix, é sobre skate e liberdade para jovens da zona rural na Índia

Filme sobre como o esporte mudou a vida desses adolescentes é o primeiro trabalho de Manjari Makijany como diretora

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Por Luiz Henrique Costa

Certas traduções de título podem enganar quem procura aleatoriamente por um filme nas plataformas de streaming e essa nova produção indiana-americana da Netflix é certamente um desses casos. 

Em Uma Skatista Radical, em título original Skater Girl, não espere por cenas de jovens skatistas dando saltos fantásticos pelos ares em manobras complexas como quarter ou corrimão, nem por um trabalho ao estilo de Paranoid Park de Gus Van Sant, mas por uma sensível história sobre uma adolescente indiana de família simples na região do Rajastão e que, apesar de todas as adversidades e do olhar sempre cabisbaixo, sonha. Prerna (Rachel Gupta) sonha em estudar, sonha com oportunidades, sonha com o futuro, mas se vê cada vez mais tragada pela dura realidade de ter nascido em uma das regiões mais pobres do mundo e dominada por pensamentos culturais muito conservadores que incluem um casamento precoce que obviamente não passariam pelos planos de uma jovem sonhadora. Ainda hoje muitas jovens indianas são obrigadas a se submeter a casamentos forçados e arranjados pela família ainda na adolescência. 

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Uma maré de esperança parece surgir com a chegada de Jessica (Amy Maghera), uma mulher de origem indiana cuja família migrou para a Inglaterra e com isso teve acesso a todas as oportunidades que parecem tão distantes para Prerna. A jovem vê a visitante com admiração e um exemplo em que se espelhar. Jessica procura se reencontrar com o passado desconhecido na região rural em que o pai nasceu, antes de ser adotado e migrar para a Inglaterra, e em que Prerna vive. O encontro resulta em cenas emocionantes e que nos trazem questionamentos sobre desigualdade, privilégios e injustiças. 

A visitante é responsável por apresentar as crianças do vilarejo ao skate após auxílio de um amigo de Los Angeles – Não por coincidência a cidade de berço do skate, nascido pela necessidade de surfistas deslizarem no asfalto na ausência de ondas no mar. 

Jessica é envolvida pela paixão imediata que o esporte despertou entre as crianças e, disposta a ajudar a seu modo a melhorar a qualidade de vida na comunidade, decide construir uma pista de skate na região. Os desafios são inúmeros e especialmente para Prerna, que fascinada pela descoberta ainda tem que lidar com o machismo e a pobreza que a cerca. Esporte ou lazer se chocam com destino assombroso. 

Esse é o primeiro trabalho da indiana Manjari Makijany como diretora, mas ela já carrega na bagagem uma vasta experiência como produtora e assistente de direção em mega produções como Batman – O Cavaleiro das Trevas e no recente Mulher-Maravilha. Essa experiência pode ser sentida no rumo certeiro do desenvolvimento do filme e uma das belíssimas surpresas é sem dúvida a fotografia e os jogos de câmera que reforçam as sutilezas da descoberta da protagonista e o sentimento de libertação experimentado pela protagonista. A trilha do filme foi escolhida a dedo e é um espetáculo à parte com destaque para a dupla indiana Salim Sulaiman, é ela que garante o embalo aos movimentos da protagonista. 

O skate passa a ser oficialmente das modalidades olímpicas nos Jogos em Tokyo esse ano e é fascinante perceber o quanto esse é um esporte emocionante e que pode trazer luz aos sonhos de tantos jovens, até mesmo àqueles que nem sabiam que ele existia.


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