06.09.2016 / Cultura / por

10 destaques da 32ª Bienal de Arte de São Paulo, entre jovens artistas, representatividade feminina e mais

Fotograma de HEAVEN [Paraíso], 2016, do gaúcho Luiz Roque, um dos jovens artistas (nasceu em 1979) desta edição da Bienal ©Reprodução
Fotograma de HEAVEN [Paraíso], 2016, do gaúcho Luiz Roque, um dos jovens artistas (nasceu em 1979) desta edição da Bienal ©Reprodução

O feriado da Independência do Brasil vai ser mais artsy este ano. É que a 32ª edição da Bienal de Arte de São Paulo abre para o público nesta quarta (07.07), com seleção de 90 artistas de dezenas de países, num recorte do que está acontecendo de mais relevante nas artes visuais no País e no mundo.

Entre performances, jovens talentos nacionais e internacionais e a importante representatividade de artistas mulheres, veja a seguir 10 destaques do evento, e não deixe de visitar a exposição, que vai até 11 de dezembro. Vale muito a pena!

1. O tema

Um dos cartazes de anúncio da 32ª edição da Bienal de Arte de São Paulo
Um dos cartazes de anúncio da 32ª edição da Bienal de Arte de São Paulo

Incerteza viva é o título da 32a Bienal de São Paulo. Um tema superatual num momento em que a mudança se instalou como situação permanente, a qual todas as áreas da sociedade estão submetidas e que nos obriga a nos adaptar e adaptar, a nos reinventar e reinventar constantemente. Nas artes visuais, o evento propõe uma reflexão dos próprios artistas e do público sobre as incertezas que isso gera e como pensar em soluções para os impasses que um ciclo de mudanças ininterruptas nos impõe.

2. O curador

Jochen Volz, curador da 32ª edição da Bienal de São Paulo
Jochen Volz, curador da 32ª edição da Bienal de São Paulo

O historiador de arte alemão Jochen Volz foi o escolhido como curador responsável por uma apurada seleção de artistas e obras. Curador convidado na 27ª edição da feira, organizador da Bienal de Veneza de 2009 e ex-curador-chefe da Serpentine, uma das mais importantes galerias de Londres, Jochen entrou no universo da arte brasileira por meio de Inhotim, onde organizou várias exposições. A seleção de Volz para a Bienal, segundo o próprio, é marcada pelo equilíbrio entre obras mais conceituais, voltadas para “uma imersão reflexiva” e outras “mais óbvias, claras, diretas”. “É importante não cair em polarizações no campo da arte, já que somos uma minoria numa sociedade movida por outros poderes, outras forças”, disse, à Folha de S.Paulo.

3. Geração 80

As tapeçarias enérgicas da jovem artista jamaicana Ebony G Patterson, destaque da Bienal
As tapeçarias enérgicas da jovem artista jamaicana Ebony G Patterson, destaque da Bienal

Fato inédito, mais de um terço dos artistas convidados pela Bienal nasceu na década de 80 (ou um ou dois anos antes). O esforço da curadoria em injetar energia jovem no evento se traduziu na vinda de expoentes da nova safra de artistas, nacionais e internacionais, que trazem aproximações de ângulos diferentes da arte contemporânea.

4. Mulheres

A artista Ana Mazzei, destaque feminino da feira, e suas obras de desconstrução
A artista Ana Mazzei, destaque feminino da feira, e suas obras de desconstrução

Essa Bienal é uma ode à presença e à importância feminina na arte. Pela primeira vez, as mulheres representam a maioria dos artistas que expõem no evento. Muitas apostam numa arte subversiva e questionadora, abordando o papel das mulheres na sociedade e nas artes. Nomes como Ana Mazzei, Carla Filipe e a chilena Pilar Quinteros estão entre os destaques.

5. Arquitetura que dialoga com a natureza

Detalhe do prédio da Bienal, onde acontece o evento, em plena conexão com a natureza ao redor
Detalhe do prédio da Bienal, onde acontece o evento, em plena conexão com a natureza ao redor

Projetos artísticos que integram o exterior com o interior foram desenvolvidos para que a exposição fosse percebida como uma “extensão do jardim” por quem passa. Além disso, traços de animais como de águas vivas, caranguejos e silhuetas de árvores, frutas e legumes estampam o material gráfico do evento.

6. Um destaque nacional

As enciclopédias empoderadoras de Dalton, que sempre retrata pessoas negras
As enciclopédias empoderadoras de Dalton, que sempre retrata pessoas negras

Bombeiro e autodidata nas artes, Dalton Paula, da Sé Galeria, desponta como uma das grandes apostas do evento. Suas pinturas de negros e índios sobre fundos chapados de enciclopédias renderam-lhe prêmio na última SP-Arte. Observador e representativo, Dalton dá voz, através de suas fascinantes obras, à cultura e ao indivíduo negro.

7. Um destaque internacional

Instalação de Iza Tarasewicz
Instalação de Iza Tarasewicz

Artista de instalações, esculturas e desenhos contemporâneos, a polonesa Iza Tarasewicz foi a fundo investigar a cultura musical de seu país e transpô-la em obras que chegam à Bienal com destaque. Desconstruindo e reorganizando de forma singular histórias, ideologias e sistemas sociais, Iza ganhou fama após suas exibições correrem a Europa em meados de 2010. Desde então, já expôs em lugares como a Kunstlerhaus de Berlin e na galeria Syntax de Lisboa. A arte da polonesa também abre espaço para colaborações. “Me sinto cansada de trabalhar comigo mesma, por isso, tenho me concentrado na cooperação, convidando outras pessoas para os meus projetos”, disse ela ao site polonês “Culture”.

8. Produção in loco

Intervenção de Mauricio Ianês na 28ª edição da Bienal
Intervenção de Mauricio Ianês na 28ª edição da Bienal

Como o FFW adiantou (relembre), a produção do evento, além de enfatizar artistas mais jovens, garantiu que algumas instalações e ativações sejam produzidas in loco, durante o evento, aproximando os artistas dos críticos e visitantes. “A proximidade dos processos de produção irá resultar numa exposição que permanece mais perto dos locais de criação”, disse a curadoria da Bienal.

9. Performances

Performance de Arthur Scovino durante a última edição da Bienal, em 2014
Performance de Arthur Scovino durante a última edição da Bienal, em 2014

Mirando nas pluralidades do corpo, a organização da Bienal traz uma série de ações interativas de performances, oficinas e workshops que estimulam e exploram o movimento. Em uma espécie de baile de debutante lúdico, o artista americano Pope L. convida pares vestidos em trajes de festa a passear por importantes ruas da capital, numa performance coletiva. A carioca Vivian Caccuri faz uma apresentação por mês até que a Bienal chegue ao fim em dezembro. Ela performa em parceria com o coletivo “Tabombass”, de músicos e produtores de Gana. Veja a programação de performances na agenda do site da Bienal (no fim da página tem a programação de setembro).

10. Polêmica do Skate

Um esboço de como ficaria a pista de skate futurista de Chu Yong Ei no gramado do Ibirapuera
Um esboço de como ficaria a pista de skate futurista de Chu Yong Ei no gramado do Ibirapuera

Como parte de suas obras na Bienal, a artista sul coreana Chu Yong Ei, conhecida por obras de grande impacto visual, planejava instalar uma grande pista de skate futurista no gramado do parque do Ibirapuera, em exposição externa ao pavilhão da bienal. Acontece que, para ficar de pé, a escultura precisa de um buraco no gramado, que já havia sido cavado. A polêmica começou em julho, quando a gestão do parque desautorizou a escavação e, a dias do início das atividades, a obra de Chu ainda está parada.

Serviço

32ª Bienal de Arte de São Paulo

Datas: De 7 de setembro a 11 de dezembro de 2016 – Fechado às segundas
Local: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Ibirapuera, São Paulo
Informações: Site Oficial
Entrada Franca

 

 

 


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