24.06.2020 / Arte / por

Conheça o Projeto Afro, nova plataforma com mapeamento de artistas negros no Brasil

Obra "Entre o azul e o que não me deixo/deixam esquecer", de Juliana dos Santos / Cortesia
Obra "Entre o azul e o que não me deixo/deixam esquecer", de Juliana dos Santos / Cortesia

Uma plataforma afro-brasileira de mapeamento e difusão de artistas negros/as/es acaba de ser lançada. É o Projeto Afro, um diretório que tem a intenção de ampliar e visibilizar a produção artística de autoria negra no Brasil, apresentando sua multiplicidade, seus inter-relacionamentos e sua abrangência.

Resultado de uma pesquisa de mais de três anos (e que segue em curso), o conteúdo convida cada visitante a navegar por diferentes aspectos dessa produção: mapa interativo, perfis de artistas, artigos colaborativos, entrevistas, escritos acadêmicos e sugestões de eventos.

A iniciativa se coloca como um manifesto em defesa da igualdade racial, quando observados os dados sociais que ainda mostram o negro à margem do processo social. “Após os últimos acontecimentos acerca das discussões sobre racismo que ganharam mais força nos canais digitais e nos debates acadêmicos, o portal nasce em um importante momento de aprofundamento dessas ideias, enquanto instrumento na luta antirracista”, diz Deri Andrade no material sobre o lançamento.


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Rafael Bqueer Belém (PA), 1992 As práticas performáticas de Rafael Bqueer partem de investigações sobre arte política, gênero, sexualidade, afrofuturismo, decolonialidade e interseccionalidade. Drag queen e ativista LGBTQI+, Bqueer tem um trabalho que dialoga também com vídeo e fotografia, utilizando de sátiras do universo pop para construir críticas atentas às questões da contemporaneidade. Já participou de exposições nacionais e internacionais, destacamos aqui “Against, Again: Art Under Attack in Brazil”, na Anya & Andrew Shiva Gallery em Nova York (2020) e a individual “UóHol” no Museu de Arte do Rio (2020). Suas obras fazem parte das coleções do Museu de Arte do Rio (MAR) e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM). Graduou-se em Licenciatura e Bacharelado no curso de Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Vive e trabalha entre Rio de Janeiro e São Paulo. _ Sem título
Objeto-Performance
2019
Foto: Lorena Pazzanese

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Deri é jornalista alagoano radicado em São Paulo e se especializou em Cultura, Educação e Relações Étnico-raciais pelo Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação (USP). Ele desenvolveu a plataforma por entender que a arte é um importante campo de disputa e também instrumento catalisador na luta antirracista. Assim, iniciou esse grande mapeamento de artistas visuais negras e negros em âmbito nacional, trabalhando em três fases. Na primeira, foram estudados catálogos de exposições, livros e publicações sobre a temática; na segunda, foram analisados portfólios de artistas recebidos após uma convocatória via internet; na terceira, um formulário respondido pelos artistas auxiliou na organização do material. 

 O projeto tem uma super curadoria, ótimos textos e uma navegação fácil e ágil. Vale muito à pena mergulhar nesse panorama de mais de 100 artistas negros brasileiros, com obras que datam desde 1730 até as produções mais contemporâneas.


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