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    Orlando: a estreia de Rei Kawakubo em uma ópera

    Uma nova adaptação de Orlando, de Virginia Wolf, estreou domingo na Ópera de Viena, e é um encontro de mulheres brilhantes e que sinaliza um novo momento para as mulheres nesse campo. Orlando é o primeiro espetáculo encomendado a uma compositora pela Ópera de Viena em seus 150 anos de existência – quem está à frente é a austríaca e vanguardista Olga Neuwirth. E para criar os figurinos, ela convidou um de seus ícones, ninguém menos do que Rei Kawakubo, em seu primeiro trabalho para o palco.

    Lembrando que o clássico de Virginia Wolf parece mais vital e relevante do que nunca, esta deve ser uma experiência singular. “Acho que meu statement está claro ao ver que escolhi esse livro incrível e visionário sobre a estranha jornada de Orlando através de diferentes séculos de história patriarcal e coloquei-o em uma casa tradicional de ópera”, diz Olga, que tem seu casting profissionais de diversos gêneros.

    Em uma entrevista ao New York Times, a sempre silenciosa Rei falou que o fato de que a apresentação era produzida, criada e dirigida por mulheres fortes a atraiu. “E também porque sempre me interessei por Virginia Woolf e Orlando em particular, por causa de seu conceito central de ignorar o tempo e o gênero”. Assim também sempre fez Kawakubo, para quem a criação nunca esteve ancorada em um tempo específico.

    Rei teve que criar 36 figurinos para os atores principais e mais 106 para corais e outros grupos da ópera. Para ser viável, ela acordou com Olga que poderia usar o tema Orlando em duas coleções de Paris, uma feminina e uma masculina, pois essa era a única maneira de realizá-lo fisicamente a tempo. “Reutilizei algumas padronagens e reconstruí dos nossos arquivos, embora tudo tivesse tecidos totalmente novos. Eu basicamente fiz a coisa toda em seis semanas”. Então a ópera é o último ato de uma trilogia ou sua terceira maneira de interpretar um mesmo tema. “Criei os figurinos no vazio e sem me restringir. Perguntei a Olga se ela estava ok em deixar as roupas surgirem em sinergia e acaso, e ela concordou”.

    A resposta dos atores não foi unânime. Enquanto uns se conectaram imediatamente com a grandiosidade e excentricidade dos figurinos, outros ficaram com um pé atrás, “por nunca terem visto ou vestido algo assim antes”. Um deles é Justin Vivian Bond, que reclamou que seu figurino não complementava a história que ele estava tentando contar. “Por isso, tivemos uma reunião e foi decidido que eu deveria escolher algo mais pessoal. A sensibilidade de Rei e sua equipe quando expressei minhas preocupações foi incrivelmente emocionante”, conta o artista ao WWD.

    Já a soprano Constance Hauman, que faz o papel da rainha Elizabeth I, disse que “das mais de 70 produções que fiz na minha carreira, nunca vi ou verei novamente figurinos tão espetaculares, tão bonitos e cuidadosamente elaborados”.

    Quem assina a criação dos cabelos é Julien d’Ys, um dos profissionais mais requisitados do mercado, que assina os desfiles da Comme des Garçons, Marni, Givenchy, entre outros.

    Fã de longa data da Comme des Garçons, a compositora elogia “a abordagem de Kawakubo para um visual andrógino e figurinos altamente imaginativos e maravilhosamente feitos. Que esse sonho se tornou realidade é incrível para mim, pois ela era uma das minhas modelos artísticas quando eu era punk numa zona rural da Áustria que, apesar de linda, era xenófoba”, conta Olga. Ao se rebelar contra a rigidez dos limites que eram impostos a ela, especialmente em relação ao gênero, ela buscou em figuras como Patti Smith e Rei Kawakubo modelos femininos criativos. “Sinto-me honrada e tocada, pois cada peça é uma obra de arte. Rei canalizou minha música em tecidos, em objetos esculturais”, diz.

    Apesar de ficar em cartaz por apenas cinco apresentações, Orlando terá uma delas será transmitida ao vivo no dia 18.12, às 11h (horário de Brasília). Para quem quiser assistir, é necessário pagar uma taxa de € 16. Mais informações aqui.

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