23.04.2018 / Moda / por

5 perguntas para Oskar Metsavaht sobre sustentabilidade

Oskar Metasavaht ao final do desfile da Osklen no SPFW (Agência Fotosite)
Oskar Metasavaht ao final do desfile da Osklen no SPFW (Agência Fotosite)

O seu trabalho com a Osklen e o Instituto E mostra que é possível trabalhar na moda de maneira sustentável. Por que é tão difícil ver outras marcas seguirem nesta direção?

Esse é o caminho. O resto já foi. Desenvolvimento de fibras por nanotecnologia, wearables… Isso tudo, não tem volta. É uma tendência de comportamento da sociedade. Estamos no mood de transição pra sustentabilidade e moda reflete o comportamento. E quem não transformar a base onde representa moda, comportamento e sustentabilidade vai ficar pra trás. Olha só: o Brasil não vai ser líder nem vanguarda de desenvolvimento em nanotecnologia, muito menos em wearables, mas em sustentabilidade nós podemos sim ser líderes e protagonistas e ter um viés ligado a moda forte.

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E se nós podemos ser essa potência, por que ainda há resistência?

Porque é difícil fazer. É caro… O que você vai ver na passarela e nas lojas é o resultado de 20 anos de trabalho e de consistência. A Osklen serviu como um laboratório de moda com materiais sustentáveis pro Brasil e pro mundo. Nós somos o lab do Instituo E. e usamos nossa capacidade criativa e de design pra transformar materiais de origem sustentáveis que ainda não estão preparados pela indústria pra servir a moda.

Hoje nosso trabalho mostra que isso é viável. É caro, porque toda inovação é cara. E a sociedade ainda não valoriza, não identifica isso. A cultura da moda está antiquada, ela ainda está naquela de comprar mais por menos, comprar aquilo que dá status de marca e está ainda muito ligada a uma novidade não consistente. A sociedade ainda não sabe consumir.

As marcas que nascem hoje já vêm com esse pensamento embutido?

Acho que vem sim porque os millennials têm outra cultura, diferente de outras gerações. Você pode notar que as marcas que estão surgindo estão nascendo já com esse viés.

Angelica Erthal com look da linha ASAP (As Sustainable As Possible) na Osklen (Agência Fotosite)
Angelica Erthal com look da linha ASAP (As Sustainable As Possible) na Osklen (Agência Fotosite)

Ser sustentável vai muito além de usar tecidos reciclados ou orgânicos. Quais são os pontos principais que uma marca precisa para começar essa transformação?

Em primeiro lugar, tem que fazer de verdade, que seja nos materiais ou outras formas… Você pode começar iniciando um projeto ao menos que seja consistente e duradouro e não pontual. Pontual só serve pra acabar com projetos de ONGs e comunidades e acaba frustrando muito porque cria uma expectativa grande de que as pessoas vão ajudar aquela comunidade, quando o que acontece, talvez não por intensão, é que eles são usados. Porque não tem consistência. Tem que ter persistência e tem que ter inovação. Você pode trocar, de repente faz menos anúncios e propaganda e investe na inovação.

E como você incentiva o consumidor a ter uma relação emocional com sua marca para evitar o descarte?

Comprar menos peças, porém com maior qualidade e que duram mais. Peças com estilo não apenas da tendência do momento, mas aquelas que realmente combinam com você. E aquelas roupas que você usa no dia a dia vale investir para que sejam bons básicos. Boas t-shirts, boas jaquetas, boas calças, moletons, etc., mas de origem sustentável. Não dá mais pra ter fast fashion nem materiais que gastam 10 mil vezes mais água. Não tem mais sentido… Até porque já existem marcas no mercado que oferecem isso (risos).


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