A história de Halston, o designer que revolucionou a moda americana

Expoente da era Disco e um dos primeiros estilistas-celebridade de legado inegável vira série da Netflix

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De criador da moda americana à inspiração de Tom Ford, os títulos atribuídos a Roy Halston Frowick são muitos. Fato é que o designer mudou os rumos da moda enquanto modelo de negócio. E acaba de virar tema de uma nova série da Netflix.

Como qualquer produção cinematográfica baseada em fatos reais, algumas coisas são aumentadas e outras sequer aparecem – a família de Halston tem feito reclamações sobre a retratação do designer na produção. Por isso, hoje dissecamos a história e legado de Halston. 

Halston | Imagem: Reprodução
Halston | Imagem: Reprodução

O designer, que frequentemente é esquecido e teve sua história quase sufocada em meio a algumas polêmicas e escândalos, é, na verdade, uma das figuras mais importantes para a compreensão da moda norte-americana como a entendemos hoje e da era disco nova-iorquina dos anos 70 e 80. Nascido em Iowa, em 1932, Halston começou uma tímida trajetória na moda desenhando chapéus para as mulheres da sua família. Alguns anos depois, essa seria também sua porta de entrada para o seu estrelismo na moda. 

Aos 20 anos, Halston iniciou seu negócio de chapéus, ainda em Chicago, mas só posteriormente, em 1957, quando se mudou para New York, a marca começaria a se chamar “Halston” e o designer também se tornaria responsável pela chapelaria da Bergdorf Goodman’s. Mas o designer só realmente ganhou os holofotes em 1961, quando, na posse do marido, Jackie Kennedy apareceu usando um de seus chapéus, o modelo “pill box” e não demorou muito para que o nome de Halston se tornasse um dos mais quentes do momento. 

JFK e Jackie com a Pillbox
JFK e Jackie com a Pillbox

O AUGE

O fim da moda dos chapéus no final da década de 60 não abalou Halston, que lançava sua linha de outerwear que marcaria a geração do disco, com o uso do chiffon, silhuetas mais sensuais, vestidos fluídos que favoreciam a dança e, claro: um time de musas inspiradoras que amavam seus designs incluía Liza Minelli e Elsa Peretti – também amigas pessoais do designer. O casual chic e glamour da era disco, tão marcados pelo boate Studio 54 são pontos importantes da trajetória de Halston  que fizeram com que a moda estadunidense finalmente conseguisse competir com os designs parisienses.  

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Dentre suas criações mais marcantes estão o vestido-camisa de carmuça, que se tornou go-to do guarda roupa das americanas em 1970, os cafetãs, as hot pants e, é claro, o uso do chiffon. 

Em 1973, em uma das cenas emblemáticas retratadas na série, acontece a “Batalha de Versalhes”, momento histórico da moda, em que Halston foi uma das figuras principais. Em um evento organizado por uma das criadoras da NYFW, designers americanos e franceses “batalharam” suas criações, apresentando-as no Palácio de Versalhes. Segundo relatos da própria Liza Minelli, a plateia ficou fascinada com as criações de Halston. 

Halston e Liza Minelli
Halston e Liza Minelli

Halston foi o primeiro estilista-celebridade que temos memória. Entre amizades com o crème-de-la-crème nova-iorquino, presença nos hot spots mais interessantes da cidade e participação em diversos programas de TV –  entre os anos 60 e 90, a TV americana estava abarrotada da talk shows – não só suas criações como o próprio designer tinha todos os holofotes. 

As vendas acompanharam esse movimento, a marca de Halston era um sucesso absoluto e em pouco tempo ele passaria a produzir roupas masculinas, perfumes, óculos, luvas, malas, lingerie, roupa de cama e até uniforme para a equipe norte-americana nas Olimpíadas. 

Com tamanho sucesso e visibilidade, no princípio dos anos 80, ele surpreendeu mais uma vez: criou uma coleção de baixo custo com a JCPenny, loja de departamento da época. O que hoje é bastante comum, na época era uma novidade e a Bergdorf Goodman’s, onde ele havia trabalhado e ainda vendia seus produtos, retaliou, retirando tudo de Halston das araras. 

Talvez um dos grandes diferenciais de Halston: ele não tinha medo de ser comercial, na verdade, ele desejava isso, como dito pelo próprio, ambicioso: “Eu quero vestir todas as mulheres dos Estados Unidos”, ele amava a fama, a celebridade e ver todas as pessoas usando suas criações. Por outro lado, esse também pode ter sido um dos fatores que levaram à sua derrocada precoce. 

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Halston e suas halstonettes, como eram chamadas as modelos de seu casting.

A DERROCADA

Um pouco antes, Halston havia vendido a sua marca para a Norton Simon, por R$16 milhões de dólares – se hoje essa quantia pode parecer pouco para o sucesso do designer, imagine isso no final da década de 70. – sob a promessa que continuaria com total controle criativo das criações. Mas foi aí que os problemas começaram. Em 1983 a Norton Simon seria adquirida por outra empresa, a Esmark, que não honrou o contrato com Halston e o designer foi afastado da própria marca em 1984 após – supostamente – diversos atritos, brigas e diferenças inconciliáveis com os executivos. 

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Além disso, Halston, que aproveitava sua vida de extremo luxo, também tinha gastos exorbitantes em nome da empresa, de flores à viagens em jatinhos privativos. 

Proibido de criar para sua própria marca, que continuava a usar seu nome e sem sua vida de luxos, Halston começou a se afundar no uso da cocaína – um hábito que mantinha desde o seu auge. Alguns anos depois, em 1988, Halston descobriu que havia contraído AIDS e voltou para São Francisco, para passar esses anos recluso, perto de sua família. O designer tristemente faleceu em 1990, aos 57 anos. 

O legado de Halston é, inegavelmente, marcante. O designer moldou a estética de uma década marcante e foi pioneiro em sua série de iniciativas e investidas que hoje são comuns, de parcerias com lojas de departamento, licenciamentos a aquisições por grandes empresas. No entanto, com esse pioneirismo, também seria um dos primeiros a sofrer os golpes baixos da indústria, mais uma lição e legado que deixou para as novas gerações de estilistas.


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