31.05.2019 / Moda / por

O que podemos aprender com a recém lançada The Marc Jacobs

Campanha da nova linha The Marc Jacobs / Reprodução
Campanha da nova linha The Marc Jacobs / Reprodução

Marc Jacobs acaba de lançar uma nova linha com a intenção de se manter relevante entre os consumidores mais jovens. Com a The Marc Jacobs, o designer revisita conceitos, ideias e colaborações de sua história e arquivo (que ele chama de “M-archive“) , atualizando, evoluindo e inserindo essas peças para os dias de hoje. A nova linha tem um mix hi-low e uma oferta grande de produtos que vão de US$ 95 (camiseta) a US$ 1600 (um hoodie de cashmere). Olhando para alguns looks (que você pode ver na galeria), lembramos de coleções que fez para outras marcas, como a grunge da Perry Ellis, e a do Verão 2013 da Louis Vuitton, em colaboração com o artista Daniel Buren.

Mas o mais interessante é ver os caminhos que o estilista busca para esse novo negócio, procurando a fundo qual é a sua verdade do que a verdade do momento e entendendo como ele pode aplicar alguns novos conceitos e conhecimentos a sua marca sem deixar de ser original.

Em uma entrevista ao site Fashionista, ele é o primeiro a admitir que há muito que ainda não sabe, incluindo novos jargões e conhecimento sobre a geração Z. “Não faço a menor ideia do que apela para essa geração”, diz. “Estou ciente de como a comunicação é importante através da internet, mídia social, etc, mas nunca foi minha história. Estou ansioso para encontrar meu caminho para isso de uma maneira que seja boa para mim e seja criativa”.

Assim, a The Marc Jacobs não é baseada em tendências e esse posicionamento foi bem discutido em equipe. “Há pressão para criar coisas que as pessoas vão querer, mas acho que, às vezes, quando você se senta para fazer isso com esse motivo, acaba não fazendo nada disso “, diz Jacobs. “Acho que as coisas que mais agradam às pessoas são as que saem no instinto”. Ele acredita que seus maiores triunfos profissionais vieram do lançamento de peças nas quais sua equipe acreditava.

The Marc Jacobs / Reprodução
The Marc Jacobs / Reprodução

Marc cita reuniões corporativas em que os diretores falam que ele deve criar uma bolsa que seja hit e reconhecidamente sua, daquelas que as pessoas reconhecem do outro lado da rua. “Isso é o que um grupo de pessoas corporativas sempre lhe diz, é como toda pessoa corporativa pensa. Tipo, se você pudesse pensar em algo que todos possam identificar como seu e lançá-lo antes dos outros e ter alguém famoso usando, essa é a chave para o sucesso. Primeiro de tudo, é mais fácil falar do que fazer. E se qualquer pessoa pode fazer, por que então não fazem?”, questiona. “A verdade é que você não sabe o que vai tocar as pessoas hoje”. 

Essas questões claramente colocadas por Jacobs são muito importantes, especialmente nos dias de hoje. Não é fácil para uma marca criar um produto que caia nas graças de um gosto coletivo. E essa busca pode ser perigosa porque, se mal assessorado, você pode sair do seu caminho em busca desse sucesso repentino e depois fica difícil voltar para casa. Ele dá mais um ótimo exemplo: acostumado a ouvir sua equipe jovem, que traz para ele as novidades do momento, Marc se deparou com a turma falando: “olha a Supreme! Olha a Off-White!”. “OK. Estou vendo, eles são ótimos. São gráficos em moletons, camisetas e streetwear. Mas quando mesmo fomos isso? E como você acha que entraríamos nesse barco e teríamos credibilidade?”. 

O certo é ter a habilidade de encontrar uma solução criativa usando essas informação e data da sua maneira. E a The Marc Jacobs é um reflexo disso. É Marc querendo navegar nesse novo mundo, mutante e digital, de uma forma que seja verdadeira a sua raiz. Há uma busca por uma imagem contemporânea como podemos ver na primeira campanha, fotografada por Hugo Scott e com styling da russa Lotta Volkova (Vetements, Balenciaga), nome hoje associado a tudo o que é novo em termos de imagem de moda.

Assim como fazia muito em seus tempos de Louis Vuitton, o designer inseriu diversas colaborações para o lançamento da nova marca. Entre os parceiros estão Milton Glaser, o lendário designer gráfico por trás do logotipo da New York Magazine; a marca de lençóis de luxo D. Porthault; o ilustrador Charles Schultz (do Peanuts); o chapeleiro Stephen Jones; a amiga e cineasta Sofia Coppola; as capas de chuva da Stutterheim; e jaquetas de couro perfecto da Schott.

A forma de pensar essa nova linha mostra um aceno para o futuro sem cair na obviedade do presente; sem ficar longe de sua essência, mas aprimorando-a. As roupas têm qualidade, são bonitas e bem feitas, e falam com fãs hardcore de Marc Jacobs, mas também com novos consumidores em busca de peças confortáveis, divertidas e que tenham valor de moda agregado. É difícil entrar no site e não enumerar diversas peças que gostaria de comprar. E tudo a cara da Marc Jacobs, a cara de hoje da Marc Jacobs.

 

 


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