17.02.2016 / Moda / por

Os assistentes: Conheça o trabalho do braço direito de Bob Wolfenson

Adriano Gonfiantini, 26, assistente de Bob há quatro anos
Adriano Gonfiantini, 26, assistente de Bob há quatro anos

Na segunda entrevista da série sobre os assistentes dos grandes profissionais da moda, conversamos com Adriano Gonfiantini, braço direito de Bob Wolfenson em seus trabalhos fotográficos de moda, retratos, publicidade e arte. Na função de primeiro assistente desde outubro de 2014, Adriano, que tem 26 anos, está com Bob há quatro. “Ele toca toda a parte técnica dos trabalhos: corre atrás da realização de tudo, da checagem e locação de equipamentos, até de orçamento. Cuida da parte de pós-produção, desde para onde vai a foto, onde entrega, se vai ser tudo colorido, se vai ser preto e branco. Meus assistentes também sempre exerceram a função de produtores, hoje um pouco menos”, conta Bob.

Para ser assistente de um dos maiores fotógrafos do País, há um requisito fundamental, acima de todos. “Em primeiro lugar, tem que ser uma boa pessoa. Depois, vem a eficiência e a previsão do que pode acontecer de errado. Tem que prever até os imprevistos e não deixar que aconteçam”, conta Bob, que seleciona seus assistentes tanto por meio de indicação quanto por envio de currículo e portfólio.

A seguir, leia a entrevista com Adriano e conheça mais sobre o trabalho dele com Bob Wolfenson.

+ Os assistentes de Alexandre Herchcovitch

Como e quando você conseguiu a vaga de assistente do Bob?

Adriano Gonfiantini: Conheci o Bob no meu antigo trabalho, quando fazia tratamento de imagem. Tratei as fotos da exposição “Apreensões”, que também virou livro, em  2010. Meu chefe na época sabia da minha vontade de trabalhar com o Bob, eles eram amigos. Falei com meu chefe, ele conversou com o Bob e quando surgiu uma vaga fui chamado para conversar. 

Qual era a experiência em fotografia e assistência de fotografia que você tinha na época?

Fiz bacharelado em fotografia pelo Senac. Era basicamente isso.

O que você tinha que fazer no início?

No começo entrei num cargo novo, tratamento de imagem, para dar assistência aos trabalhos de moda, retratos e trabalho pessoal (de arte, Bob é representado pela galeria Milan), para fazer o tratamento interno. A gente tratou o “Belvedere” (2013, exposição e livro, pela Cosac Naify) aqui dentro. Quando não estava fazendo o tratamento, montava estúdio, limpava equipamento, essas coisas mais braçais que geralmente são o trabalho do terceiro assistente.

Qual era a sua expectativa sobre o trabalho naquele momento?

Sempre quis trabalhar com moda, sabia que o Bob era um dos melhores e queria aprender mais de estúdio, moda, retrato. 

Hoje quais são suas principais responsabilidades?

Em outubro de 2014 virei o primeiro assistente do Bob (dependendo do trabalho, há mais um ou dois). Tenho que gerenciar quase tudo no estúdio: desde a pré-produção, qual equipamento, qual luz, qual tripé vão ser usados. O Bob escolhe a luz, o equipamento. Aí vou atrás das locadoras, tenho que ver o transporte disso. Tenho uma lista de motoristas de confiança, vejo datas, horários, quando tudo chega à locação, quando deve ser devolvido. Na hora da foto, fico do lado dele no computador. O Bob é bem intuitivo e rápido: fico checando se tecnicamente está tudo certo, o foco, se não entrou nada em quadro, se a luz não saiu do lugar. E também cuido dos outros assistentes.

Se o Bob vai a uma locação, por exemplo, e precisa que todas as janelas sejam fechadas, para que fique uma luz artificial, converso com a produção para providenciar tecidos pretos para que isso aconteça. Uma vez usamos um difusor gigante para ficar em cima de um prédio de 30 andares na avenida Paulista. Tinha que coordenar com a produção para ver como seria içado pelo maquinista e colocado no ângulo certo. Era uma foto com  uma modelo e a cidade ao fundo, e a ideia era cortar a luz direta do sol para criar uma luz suave. Minha função é conduzir o que o Bob precisa.

Como é a sua rotina de trabalho?

Sou assistente fixo do Bob. Não são todos os fotógrafos que têm um assistente fixo, mas ele tem muitas demandas: além dos trabalhos de moda, retratos, publicidade, tem o pessoal, é representado pela Milan. Se vende uma foto, tenho que mandar imprimí-la, ver o papel, checar a retirada da foto. Ele trabalha com formato grande de impressão e há poucas pessoas que produzem essa impressão, porque é um trabalho refinado, tem que chegar nessas pessoas. Já tenho os contatos, mas tem que manter essa relação. Também respondo emails com solicitações de imagem, acompanho o tratamento (hoje em dia trato pouca coisa), mas de maneira geral não há uma rotina: cada dia é muito diferente, você pode estar em outro país, em outra cidade, e isso é muito legal.

O que você aprendeu com o Bob?

Muita coisa. O que acho mais legal dele é o jeito como ele lida com tudo, como faz o processo acontecer, como lida com a modelo, com o cliente, com o maquiador, com o stylist, com a produção, com o assistente de produção. Ele amarra muito bem. Está sempre muito disposto a fazer um trabalho bom, não importam as circunstâncias, se tem que trabalhar doze horas, se deu problema com o cabelo e tem que fazer tudo de novo. Ele vai conduzir tudo para que a foto aconteça, ele vai fazer acontecer. É uma criação coletiva, então ele articula as pontas muito bem.

O que você acha imprescindível para ser um bom assistente?

Disposição para aprender, para trabalhar muito. Sendo assistente você começa aprendendo tudo, na produção, durante a foto, o atendimento às pessoas, falar com as pessoas, ver como o Bob trabalha. A grande sacada é ter disposição.

Lembra de algum erro ou gafe que fez no começo? Quais são os problemas mais comuns que podem surgir?

A gente tende a esquecer os erros! Não lembro de nada pontual. Tento prever os erros e estar preparado. Desde que virei o primeiro assistente, fiquei bitolado em não cometer erros. Passava noites acordado rechecando tudo. O que mais acontece de erro, no caso do Bob, é algum equipamento dar problema, uma luz queimar, a lente travar ou o computador parar de funcionar. A gente sempre tem um reserva. Tem um backup de tudo, da câmera, do cabo que liga o computador na câmera. Se até o reserva der problema, tem que sambar para consertar. Liga para uma locadora parceira. Às vezes acontece num horário que ninguém está trabalhando, aí o jeito é apelar para um fotógrafo amigo, um contato que esteja lá para te salvar.

Qual é a parte mais difícil da sua função?

Durante o set, quando é um tempo curto, uma celebridade, quando tem diária, várias locações. Nunca aconteceu de não ter a foto. Você conseguir em situações críticas de horário ter tudo com a qualidade dele e no horário.

Você pensa em ter o próprio estúdio?

Já fotografo, tenho uma dupla com o meu marido, Brendo Garcia, há um ano e meio. Também tenho meu trabalho autoral de muitos anos. Nada foi publicado em revista, ainda, só em site. Fizemos também um filme publicitário para TV.

 


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