29.09.2017 / Cultura / por

Grupo ativista e feminista Guerrilla Girls ganha retrospectiva no Masp

Guerrilla Girls Kathe Kollwitz, Zubeida Agha e Frida Kahlo em Nova York, 2015 / Foto Andrew Hinderaker/Reprodução
Guerrilla Girls Kathe Kollwitz, Zubeida Agha e Frida Kahlo em Nova York, 2015 / Foto Andrew Hinderaker/Reprodução

O MASP abre hoje uma exposição retrospectiva sobre as Guerrilla Girls, primeira individual das artistas no Brasil, com mais de 100 de seus cartazes icônicos.

Elas se definem como um grupo de ativistas feministas que “usam fatos, humor e imagens ultrajantes para expor os preconceitos étnicos e de gênero, bem como a corrupção na política, na arte, no cinema e na cultura pop”.

O grupo é formado por ativistas que procuram se manter anônimas, usando máscara de gorilas quando aparecem em público. Ele foi criado em 1985 em resposta a  exposição International Survey of Recent Painting and Sculpture, no MoMA, em Nova York, que tinha apenas 13 mulheres entre os 165 artistas convidados para participar.

Ao longo dos anos, mais de 50 pessoas foram membros do grupo, algumas por pouco tempo, outras por décadas. A ideia das máscaras surgiu para que o foco se mantivesse nas questões abordadas e não nelas.

Na mostra do MASP, podemos ver dois novos cartazes brasileiros, que tratam das dificuldades de ser uma artista no mundo da arte e numa história da arte dominados pelos homens. Um dos trabalhos ganha o nome As mulheres precisam estar nuas para entrar no Met Museum? (1989) e aborda o contraste entre o pequeno número de artistas mulheres comparado ao grande número de nus femininos de coleções em exibição no Met (5% e 85% em 1989, e 4% e 76% em 2012). Pouco parece ter mudado em quase 20 anos…

Reprodução
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As artistas usam seu discurso bem humorado para jogar luz em questões importantes, não apenas sobre o feminismo, mas também sobre a política, privilégio branco, LGBT e questões de identidade cultural. “Usamos fatos, humor e um visual chocante para expor os vícios em relação ao gênero e etnias e também sobre a corrupção na política, na arte e na cultura pop. Derrubamos a ideia de uma narrativa convencional, expondo o subtexto e a injustiça”, dizem.

As GG já fizeram mais de 100 projetos de rua, colando posters e stickers pelo mundo, passando por Los Angeles, Cidade do México, Istanbul, Londres, Rotterdam, Shanghai… Em sua passagem pelo Brasil, quatro integrantes do grupo fizeram uma apresentação na Trienal de Artes em Sorocaba nos dias 21, 22 e 23 de setembro.

O grupo existe há mais de 20 anos, mas suas iniciativas se mostram mais necessárias do que nunca. Qualquer pessoa pode ser uma Guerrilla Girl e elas podem ser qualquer pessoa. Vale a visita!

A exposição fica em cartaz até 14.02.18.


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