08.10.2019 / Cultura / por

Somos muit+s: Pinacoteca investiga prática artística como exercício coletivo com programação especial

O Coletivo Legítima Defesa na mostra "Somos muit+s: experimentos sobre a coletividade”, exposta na Pinacoteca de São Paulo até 28 de outubro / Reprodução
O Coletivo Legítima Defesa na mostra "Somos muit+s: experimentos sobre a coletividade”, exposta na Pinacoteca de São Paulo até 28 de outubro / Reprodução

Está em exibição na Pinacoteca de São Paulo a mostra coletiva Somos muit+s: experimentos sobre coletividade, que investiga a prática artística como exercício coletivo. Este ano, a instituição prepara sua expansão para o novo edifício da Pinacoteca Contemporânea e essa coletiva incorpora a intenção do museu de pensar seu próprio papel enquanto agente transformador no bairro e na cidade.  “Há tempos a Pinacoteca ansiava por mais espaço para expandir sua coleção e aprofundar sua programação pública, sobretudo enfatizando sua relação com os moradores e entorno dos bairros da Luz e do Bom Retiro”, diz Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca e um dos curadores da mostra atual junto com Amanda Arantes, Fernanda Pitta.

A exposição apresenta experiências artísticas pensadas enquanto diálogos, como a produção de Joseph Beuys e Hélio Oiticica, dois dos mais importantes e ativos artistas da segunda metade do século 20. Além dele, participam outros seis artistas/coletivos nacionais e internacionais: Maurício Ianês, Mônica Nador e Jamac, Coletivo Legítima Defesa, Rirkrit Tiravanija, Tania Bruguera e Vivian Caccuri.

Foi o alemão Beuys (1921 – 1986) cunhou o conceito de escultura social, com o qual defendia o entendimento de toda e qualquer atividade humana como prática artística capaz de estruturar e transformar seu próprio meio. Para ele, a sociedade é a matéria-prima de sua obra, tal qual a pedra, a madeira ou a argila seriam para o escultor.

Escola de Arte Útil, de Tania Bruguera / Reprodução
Escola de Arte Útil, de Tania Bruguera / Reprodução

A dissolução da autoria individual também permeia a prática de Mônica Nador que, desde 2004, vem operando o Jamac (Jardim Miriam Arte Clube), um projeto dedicado a desenvolver soluções criativas para problemas culturais, com o auxílio dos moradores da zona sul de São Paulo. Para essa exposição, ela associou-se ao Projeto Educativo Extramuros, desenvolvido pelo NAE (Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca), por meio do qual seus participantes puderam criar composições, a partir de suas próprias histórias, que deram origem a murais coletivos, estandartes e outras obras.

Beuys compreendeu também a produção artística como prática educativa, dizendo que sua “maior obra de arte era ser professor”. Relacionando-se a esse aspecto pedagógico a cubana Tania Bruguera investiga o propósito e as consequências da arte e cria a Escola de Arte Útil, que consiste em uma série de aulas ministradas dentro do espaço expositivo até o encerramento da mostra. As aulas são coordenadas pelo artista Fábio Tremonte e contam com a participação de outros artistas, professores e especialistas, e parcerias com universidades locais. O projeto visa debater o potencial da arte de mudar perspectivas e de alavancar o desenvolvimento e a mudança social, política e cultural.

Maurício Ianês apresenta Ágora, que propõe a construção coletiva de um espaço de diálogo e reflexão. Ele passa seus dias recebendo os visitantes para um café, uma conversa, a criação de um desenho etc, oferecendo ao público a oportunidade de moldar conjuntamente novas estruturas de troca e relação.

Espaço de Maurício Ianês na exposição / Reprodução
Espaço de Maurício Ianês na exposição / Reprodução

O Coletivo Legítima Defesa faz performances imersivas realizadas em parceria com o curador Thiago de Paula. O coletivo surgiu a partir da performance Em Legítima Defesa, “tendo como proposta ações poéticas-políticas que constróem um diálogo polifônico a cerca da reflexão e representação da negritude. Este ato de guerrilha estética surge da impossibilidade, surge da restrição, surge da necessidade de defender a existência, a vida e a poética”, explicam.

Junto com a mostra, há uma programação especial que a acompanha e que acontece entre 9 e 14 de outubro. Confira a programação abaixo.

9 de outubro | Quarta-feira

15h às 18h: Workshop com Tania Bruguera [Tania Bruguera – Escola de Arte Útil]
Workshop conduzido pela artista cubana Tania Bruguera no âmbito de seu projeto Escola de Arte Útil, com estudantes inscritos selecionados. Aberto para ouvintes.

10h às 14h: TransBordAr – Ensaio [Ativações no Octógono]
Ensaio aberto para o desenvolvimento da instalação site specific performática de dança como forma de pesquisar a relação entre a pesquisa coreográfica e a espacialidade. Concepção e direção da dançarina Carmen Morais, também responsável pela criação do grupo, em 2012.

14h30 às 15h30: Grupo de Violões do Programa Guri Santa Marcelina – Polo CCA Itaquera [Ativações no Octógono]
Formado por vinte alunos com idades entre 10 e 18 anos, o grupo se apresenta sob diversas formações (solos, duos, trios, quartetos e camerata). Seu repertório eclético abrange desde a Renascença até a música pop, passando por Luiz Gonzaga e Bach, sob a orientação do Prof. Alexandre Ribeiro.

10 de outubro | Quinta-feira

11h às 13h: Tania Bruguera em conversa com Mônica Nador + JAMAC [Tania Bruguera – Escola de Arte Útil]
A artista cubana recebe Mônica Nador para uma conversa sobre arte e intervenção social no âmbito da programação da Escola de Arte Útil.

15h às 18h: Workshop com Tania Bruguera [Escola de Arte Útil]
Workshop conduzido pela artista cubana Tania Bruguera no âmbito de seu projeto Escola de Arte Útil, com estudantes inscritos selecionados. Aberto para ouvintes.

11 de outubro| Sexta-feira

15h às 18h: Workshop com Tania Bruguera [Escola de Arte Útil]
Workshop conduzido pela artista cubana Tania Bruguera no âmbito de seu projeto Escola de Arte Útil, com estudantes inscritos selecionados. Aberto para ouvintes.

12 de outubro | Sábado

14h às 14h30: Thiago Juliani [Ativações no Octógono]
O guitarrista paranaense apresenta faixas de seu disco Soldado Marimbondo (2015) e dos singles Pão (2015) e A Estrada (2016) e de outros produzidos a partir do projeto de Folk Pop Araucários, que fundou com seu conterrâneo Edu Franz, em 2017.

14h30 às 17h30: Videobrasil Pop Up [Auditório]
Com curadoria de Solange Farkas, diretora do Videobrasil, e pesquisa do coordenador do acervo do festival Ruy Luduvice, o programa apresenta vídeos pertencentes àquele acervo que percorrem temas relacionados à exposição Somos Muit+s.

15h às 16h20: Psika [Ativações no Octógono]

Criado em 2018 por Leticia Venin, Debbie Salomão e Carolina Caqui, o projeto experimental de improvisação sonora aborda temas diversos por meio de instrumentos industriais, eletrônicos e clássicos. A apresentação na Pinacoteca conta com a participação de José, músico que se apresenta pelas ruas de São Paulo.

16h30 às 18h: Show de Develish [Ativações no Octógono]
A banda de rock formada por Paulo Ratkiewicz (guitarra e vocais), Éder Chapolla (bateria) e Caíque Fermentão (baixo) apresenta faixas de seu primeiro álbum Superfreaktion, lançado em setembro deste ano.

13 de outubro | Domingo

11h às 12h: 2 Mililitros Cia Teatral – Shakespeare de Bolso [Ativações no Octógono]
A peça conta histórias do escritor britânico de forma bem-humorada e informal a partir de trechos extraídos do texto original. Nesta edição o grupo encena “Qualquer Outra Coisa ou Noite de Reis”, que trata de histórias de amores não correspondidos ambientadas durante o Carnaval. Direção de Izabel Hart.

12h30 às 14h30: Juntos em Cristo e Grupo Nação da Cruz [Ativações no Octógono]
Os grupos, formados por frequentadores das igrejas evangélicas Família Cristã e Nazareno, apresentam faixas de seu coral de louvor e uma conversa sobre religiosidade.

15h às 16h: Show de Caio Muniz [Ativações no Octógono]
Músico, poeta e compositor apresenta trabalho autoral de MPB em show intimista com apenas voz e violão incluindo as faixas “Bem te vejo” e “A garota das estrelas”.

16h às 17h: Show de O compositor paulistano e seu grupo [Ativações no Octógono]
Grupo formado por Fabricio Mascate (violão e voz), Carla Ponsi (voz), Danilo Vicente (viola caipira), Fernanda Cunha (flauta) e João Carlos (violino) apresenta músicas autorais que vão do samba ao jazz brasileiro, utilizando-se da viola caipira, flauta, violino, violão e voz.

14 de outubro | Segunda

14h às 14h40: Coletivo Ana Maria Amarela – Narrativas de um Vestido [Ativações no Octógono]
Nesta dança-performance do coletivo artístico Ana Maria Amarela, o público é convidado a bordar suas lembranças e histórias e construir novas narrativas num vestido de noiva. Produção de Diego Castro.

17h às 18h: Projeto Ação Performática Anastácia [Ativações no Octógono]
Os artistas Luiz Martins e Pedro Martins, acompanhados da banca Cabeça em Movimento, apresentam ação poética que toma como ponto de partida a figura da escravizada Anastácia, que tornou-se símbolo da brutalidade da escravidão no Brasil.

SERVIÇO

Somos muit+s: experimentos sobre coletividade

Visitação: até 28 de outubro de 2019
De quarta a segunda, das 10h às 17h30
Pinacoteca de São Paulo (Edifício Pina Luz – Praça da Luz 2, São Paulo)
Ingressos: R$ 10 (entrada); R$ 5 (meia-entrada para estudantes com carteirinha)


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