09.11.2018 / Arte / por

Assista ao curta esquecido criado por Alexander McQueen com o diretor Saam Farahmand

Frame de Ghost, curta de Alexander McQueen e Saam Farahmand / Reprodução
Frame de Ghost, curta de Alexander McQueen e Saam Farahmand / Reprodução

Considerado um dos melhores diretores de videoclipe de sua geração (por trás de clipes para XX, Mick Jagger, Klaxons, Mark Ronson, Soulwax, tom Vek, etc), o britânico Saam Farahmand está no radar nesta semana por conta de dois filmes experimentais recém lançados. Um é Ghost, um curta que fez em 2008 em parceria com Alexander McQueen, o outro é Drama, que ele acaba de lançar na plataforma Nowness e que mostra quatro bateristas meninas tocando individualmente.

Drama foi exibida como premiere durante a feira de arte Frieze, em Londres, e reafirma seu trabalho de romper com a iconografia de gêneros. “Há algo que procuro fazer que é criar condições onde o olhar masculino é tirado de cena e a feminilidade se transforma”, diz o diretor ao Nowness.

As bateristas, todas vestidas com roupas de Simone Rocha, parecem obedientes no início – primeiro elas se sentam, sem se mexer – até que sua ação entra em um crescendo e passa a desafiar o controle do diretor.

Ghost, que ficou esses 10 anos escondido e esquecido, surgiu de uma colaboração entre Alexander McQueen e a Puma e mostra dois lutadores, uma mulher e um homem, se atacando em uma performance coreografada que fica entre a leveza de uma dança e a violência de uma luta. Isso porque foi filmado com uma câmera de alta velocidade que depois passou por um trabalho pesado de pós-produção, criando fantasmas dos dançarinos – daí o título do filme e também a sensação de leveza. A trilha é composta por música erudita com sons de guerra.

Ghost foi originalmente exibido em uma tela de 22 metros de comprimento na semana de moda de Milão para celebrar a coleção de McQueen para a Puma, na temporada de Inverno 2009. Aqui no site do diretor você pode ver o filme no mesmo formato ratio apresentado ao público, usado por servir melhor a uma instalação de grande escala.

“Lee viu videos do início da minha carreira e me chamou para trabalhar. Fazer um filme com uma sequência estrutural era algo novo para ele e nós tivemos conversas incríveis durante o processo. Eu estava particularmente interessado em ver onde nossa percepção limitava a relação da mulher com a brutalidade”, diz Farahmand à Another Mag. Certamente hoje, uma marca grande como a Puma não deixaria passar um vídeo que poderia ser acusado de incentivar a violência no geral e a violência contra a mulher (mesmo que a mulher do filme lute de igual para igual).

Mas abre também uma janela para a mente de McQueen, sempre visceral, chocante e sem medo da violência. “Uma simbiose violenta ao ponto do absurdo”, define o diretor.

 


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